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Vai acabar a corrupção?
Foi promulgado um novo pacote de combate à corrupção. Será que é desta vez que vai acabar a corrupção em Portugal?
Política Operária | Para Kaos en la Red | 24-8-2010 a las 16:31 | 634 lecturas | 1 comentario
www.kaosenlared.net/noticia/vai-acabar-a-corrupco
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No mesmo dia em que se anuncia a promulgação pelo Presidente Cavaco Silva de um pacote de combate à corrupção, o Banco de Portugal divulgava números sobre a fuga de capitais (legal) da economia portuguesa para os offshore – 1,2 mil milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, mais 471 milhões relativamente ao período homólogo de 2009.

Se sobre o novo pacote (resultado das propostas amalgamadas avançados pelos partidos com assento parlamentar) pouco há a dizer. Como os anteriores, de pouco servirá. É certo que se anuncia um maior rigor legal sobre os detentores de cargos políticos e na administração pública e a redução das situações contempladas pelo sigilo bancário. Simplesmente nada disto é para levar a sério pela simples razão de que os cíclicos anúncios de combate à grande corrupção não passam de propaganda. Não é nenhum segredo que a multiplicação de leis, decretos e portarias sobre tudo e mais alguma, sem qualquer coerência, contraditórios, etc., criaram (propositadamente) um tal emaranhado legal que alimenta serve às mil maravilhas a impunidade dos ricos e poderosos. Não é por falta de leis que a justiça portuguesa não funciona, ou só funciona para os pobres. Ao contrário, é a proliferação e multiplicação de leis e mais leis que a paralisa, esvazia e torna uma anedota. Como há um século, nos tempos finais da monarquia, hoje cada um dispõe da justiça que pode comprar.

  O nosso regime demo­crático, assente num capitalismo atrasado e parasitário, não sobreviria se, em nome da mo­ral e da transparência, se começasse a levantar entraves ao livre jogo dos subornos, tráfico de influências e lavagem de dinheiro. É a corrupção que dá vida à economia portuguesa, fazendo fluir os negócios e o dinheiro. É a forma encon­trada pelo grande capital para contornar as leis tacanhas e o “peso do Estado” que abafam a livre iniciativa dos empreendedores. Por isso ela é incontrolável.

Daí que a fuga de capitais do sector produtivo e de produção de bens transaccionáveis (seja pela forma legal registada pelo Banco de Portugal, seja através da economia paralela que, segundo os dados disponíveis e já com alguns anos, se calculava como valendo um terço do PIB) para o especulativo seja uma realidade imparável. Esgrimir contra esta realidade sem pôr em causa o sistema que a gera, fazendo fé na renovada utopia de que o capitalismo é regulável, de que há um capitalismo bom, capaz de criar riqueza e bem-estar, e um outro maléfico e parasitário, que vive da especulação financeira e de costas voltadas para satisfação das necessidades da humanidade, como o fazem a esquerda ordeira portuguesa (BE e PCP) só nos pode conduzir a nova e renovada miséria material e ideológica.

Hoje, mais que nunca, se sente a falta de um programa político e ideológico que diferencie, identifique e isole os interesses da classe proletária, dos que nada têm para além das suas mãos e força de trabalho, dos das restantes classes.

 
 
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Comentarios (1)

#1

ecoe|24-08-2010 20:08

<<mais que nunca, se sente a falta de um programa político e ideológico que diferencie, identifique e isole os interesses da classe proletária, dos que nada têm para além das suas mãos e força de trabalho, dos das restantes classes.>>

Estamos igual, en esta cárcel de aquí también!!

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