Buscar  
Uma Realidade Latino-Americana e o Brasil - A Omissão dos Brasileiros
Brasileiros, temos sido, historicamente, omissos na luta latino-americana por uma realidade diferente da imposta pelos Estados Unidos. O caso de Honduras é exemplar.
Laerte Braga | Partido Comunista Brasileiro | 9-8-2009 a las 16:48 | 976 lecturas
www.kaosenlared.net/noticia/uma-realidade-latino-americana-brasil-omisso-dos-brasileiros
Compartir: Publicar en Facebook Publicar en Twitter Publicar en Meneame Publicar en Google Buzz Publicar en Technorati Publicar en Delicious Publicar en AlternativeWeb
A REALIDADE LATINO-AMERICANA E O BRASIL

A própria História do Brasil se apresenta distinta da História dos países de língua espanhola. O ufanismo de nossas dimensões continentais não nos permitiu perceber, ainda, que nossa realidade se encontra à nossa frente nos países latino-americanos, nunca em Washington.

Percebo com freqüência reações ao termo bolivarianismo, seguidas da pergunta "o que temos com Simon Bolívar?" Temos a pretensão de sermos parte da Europa, a África é apenas uma escala para vôos a Paris e uma ignorância sem tamanho sobre nossas raízes - nacionais -, as raízes dos povos irmãos da América Latina e que não temos sido senão instrumento do capitalismo mais perverso que se possa imaginar, quando achamos que somos hoje os EUA de cinqüenta anos atrás e o destino nos reserva um papel relevante no mundo.

É exatamente como pensávamos na década de 50 do século passado. Que em 2000 seríamos o novo Estados Unidos.

O primeiro ponto é que nenhum país será um novo EUA pelo simples fato que a cada EUA que surgir o fim do planeta fica mais próximo. Leonardo Boff mostrou isso de forma incontestável num artigo magistral a semana passada. Seriam necessários cem planetas semelhantes ao nosso para que todos os países do mundo tivessem o mesmo nível de consumo que os norte-americanos.

Não vamos para a ALCA (embora as elites do país vizinho São Paulo estejam loucas para isso) para não virar um México, depósito de lixo dos EUA e do Canadá, mas não mergulhamos de corpo e alma no processo de transformação e unidade latino-americana porque afinal, são índios, são povos diferentes.

Somos penta-campeões mundiais, somos isso e aquilo, cada dia a Europa ser curva ao Brasil, como gostam de dizer colunistas sociais. Chegam em levas por aqui em busca de bundas de mulheres brasileiras vendidas a um custo baixo por agências de turismo européias e norte-americanos.

O brasileiro não percebe que é colonizado. Sub-EUA. E vai ser sempre assim.

Pensamos como eles, os norte-americanos, mas não vivemos como eles.

E não percebemos que temos sido o agente principal no processo de dominação da América Latina. De golpes de estado, de ditaduras brutais e violentas. Não conseguimos perceber que Obama é um boneco de propaganda e não um presidente. Um garçom e não um chefe de estado e governo.

O que foi o golpe de 1964? O presidente dos EUA Lyndon Johnson designou o general Vernon Walthers para comandar as forças armadas brasileiras, o embaixador Lincoln Gordon para gerenciar o esquema FIESP/DASLU para além das fronteiras de São Paulo, juntaram os latifundiários e se arvoraram em protetores da "democracia".

Enquadraram generais, deputados, senadores, transformaram o País num imenso território ocupado pela ideologia McDonalds e num grande campo de concentração que mais à frente se juntou a outros nos países latino-americanos o­nde as ditaduras prosperaram, tudo no pomposo nome de Operação Condor.

Fomos apenas os policiais um pouco mais categorizados, mas não menos brutais que os generais chilenos, argentinos, uruguaios, etc.

O governo seguinte, o de Nixon, definiu esse tipo de situação com clareza - "para o­nde se inclinar o Brasil, se inclinará a América Latina" -.

Lula parece ser aquele sujeito que imagina correr cem metros e quando chega a setenta, percebe que está à frente, pára e começa a afirmar que bastam os setenta para provar que podemos chegar aos cem. Só que aí voltamos ao marco zero.

Mergulhamos em crises desnecessárias com o tal argumento da governabilidade, enfiando numa viola que deveria tocar afinada, músicos de péssima catadura como Sarney, Renan, Jereissati, Virgílio, Serra, Aécio e outros, todos ufanistas com as praias do "meu Brasil."

Onde? Um condomínio fechado no estado do Rio de Janeiro, aquele que o governador está colocando muros para separar as favelas da "civilização," proíbe a circulação de pessoas para chegar a uma determinada praia e aí, na prática, privatiza a praia. É em Parati.

Para o povão, seja classe média inclusive, haja REDE GLOBO, haja VEJA, acha infográfico na FOLHA DE SÃO PAULO, haja ventos monárquicos e escravagistas no ESTADO DE SÃO PAULO e toda mulher acredita que vira modelo e casa com Bradd Pitt, como todo homem acredita que na sua vida vai aparecer uma Madona.

Nesse caso lambuza o sanduíche todo de catchup. Marlene Dietrich dizia que catchup era "coisa de americano que come tudo com gosto de catchup, tudo tem o mesmo gosto". Mas é importante o pacotinho. Aquele que muita gente enfia no bolso antes de sair, no pressuposto que está passando a perna na multinacional, sem saber que ela adora aquilo. Dali a comprar um vidro de litro é um passo.

Nessa presunção toda que somos o Brasil de milhões de quilômetros quadrados não somos nada. Pouco mais que um México, bem menos que um EUA e de costas voltadas para a História.

Se um bando de generais comprados, associados a uma elite podre (semelhante à nossa), dão um golpe de estado e assumem o controle de um país de dimensões territoriais pequenas como Honduras, tudo bem, é um golpe, mas fazer o que?

O problema é deles? Chávez é aquela figura caricata que a GLOBO mostra deliberadamente? Evo é um índio?

Vai fazer o que? Chamar os ossos do general Custer para enfrentar esse bando de Crazy Horse?

O general Heleno para proclamar a república da VALE?

Ouvir do fundo do túmulo a voz de um crápula lato senso, Fernando Henrique Cardoso falando em modernidade?

O conceito de democracia não precisa necessariamente significar o governo da maioria. A maioria não tem a menor idéia que exista vida fora da REDE GLOBO. E um mundo diferente da fantasia do JORNAL NACIONAL. Quando Bonner chama o telespectador padrão de Homer Simpson ele sabe que esse paspalho vai achar engraçado e aceitar conformado esse papel de idiota.

Já foi domado, dominado e está domesticado.

"Pensa como americano, mas não vive como americano."

A luta bolivariana no sentido de se construir uma sociedade socialista, democrática e popular passa pelos movimentos de base. Passa por enfrentar as elites e passa por rejeitar esse modelo em todos os sentidos, perceber que, no máximo, no máximo, o institucional é um instrumento. E de pouca validade.

Toda essa parafernália que chamam de republicana é apenas a camisa de força dos donos, ou o chicote dos senhores de escravos.

Honduras é uma luta de todos os povos latino-americanos. Há que se esgotar todos os recursos possíveis de luta pacífica, mas não se pode descartar a hipótese de enfrentamento aberto dos generais boçais que ocupam o governo a mando das elites e nem de alijar essas elites da forma que for possível de qualquer capacidade de decisão.

Elites são podres, são apátridas e servem a um único dono.

Somos latino-americanos sim. Somos argentinos, chilenos, paraguaios, bolivianos, venezuelanos, hondurenhos, equatorianos. Somos inclusive peruanos e colombianos que enfrentam governos do narcotráfico. Somos nicaragüenses e somos salvadorenhos e hondurenhos.

E se assim não o entendermos breve não seremos um nada maior ainda. Um gigante imóvel e bobalhão dominado por elites desavergonhadas e fétidas.

O golpe em Honduras sinaliza, o primeiro sinal, que é hora de nos aprontarmos para lutas muito maiores, de maior envergadura. Daqui a pouco designam para cá um general como fizeram em 1964 e um embaixador para abrir portas da frente e dos fundos para toda a súcia que controla o Brasil.

E dizem que os irmãos da América Central são de "repúblicas bananas". São não. Estão lutando, dando vidas pela liberdade.

Cuba está aí de pé.

Bananas somos nós.

 
Más información:


Si quieres contribuir a que Kaos en la Red pueda seguir publicando artículos como este, puedes hacer tu donación en:
Paypal (seguro y permite diferentes formas de pago)
Microdonación de 2 euros
Donación de importe libre


Noticias relacionadas

Gobierno golpista de honduras suspende visita de misión de OEA

Telesur | El gobierno golpista se niega a recibir al titular de la OEA, José Miguel Insulza.
[9-8-2009] | 1325 lecturas | 2 comentarios

Yo y el comisionado nacional de los derechos humanos de Honduras: El hombre de hule

Allan McDonald | RebeliónCon mi hija a cuestas, debo ser rebelde, para no convertirme en un hombre de hule, y cuando pasen los años y mi Abril pueda volar barriletes, pensará en mí como aquel hombre que no traicionó.
[9-8-2009] | 1226 lecturas | 3 comentarios

¿Más siete de Colombia?

Alfredo Jalife-Rahme | La JornadaEn el contexto del neo-pinochetismo hipócritamente tolerado por Washington en Honduras, ahora resulta que la proyectada instalación de siete bases militares de Estados Unidos en Colombia,
[9-8-2009] | 456 lecturas | 2 comentarios

A Estados Unidos se le cayó la careta.

Dr. Néstor García Iturbe | El HeraldoNada más claro en la política exterior de Estados Unidos que este titular del Wall Street Journal en el que se anuncia que Estados Unidos decidió no imponer sanciones a Honduras
[9-8-2009] | 539 lecturas

Marchas, paros y tomas de instituciones por resistencia en Honduras

Prensa Latina | Miles de personas marcharon hoy por avenidas de esta capital, mientras empleados públicos continuaron un paro general y tomaron instituciones en defensa del orden constitucional.
[8-8-2009] | 716 lecturas

La resistencia en Honduras se fortalece, afirmó Frente Nacional

Raimundo Lopez | Prensa LatinaLa resistencia popular contra el golpe de estado del 28 de junio pasado se fortalece y continúa creciendo, afirmó uno de los principales dirigentes del movimiento, Juan Barahona.
[8-8-2009] | 648 lecturas

Mensaje de la Resistencia: Hermanos y hermanas, vengan a Honduras, lxs esperamos

COPINH / Radio Liberada | Para Kaos en la RedNos sumamos a este llamado...
[7-8-2009] | 871 lecturas | 1 comentario

A cuarenta días de resistencia popular, Honduras no se rinde

Kaos. América Latina | Toque de queda de Micheletti ya detuvo 1.275 manifestantes. Golpe persigue a diputados y alcaldes. Cerca de 10 mil hondureños realizan marcha a la Embajada de Estados Unidos.
[7-8-2009] | 3111 lecturas | 13 comentarios

Comentarios (0)
La inserción de comentarios en esta noticia está desactivada

Más información en Kaos en la Red
América Latina Brasil Izquierda a debate Opinión

Col-lectiu Kaos en la Red - Carrer Ramón Llull 132 Terrassa, el Vallés Occidental (Paísos Catalans)