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Sem revolução não há independência
Em sua fase imperialista, apodrecida e parasitária, o capitalismo divide o mundo entre um punhado de nações ricas e opressoras por um lado e a imensa maioria de nações pobres e oprimidas por outro.
Fausto Arruda | Nova Democracia | 23-10-2009 a las 2:21 | 526 lecturas
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em memória de Juan Almeida Bosque, aqui com Comandante Raul Castro

Tomado o mundo em seu conjunto esta é a contradição principal da época imperialista.

Para manter a dominação sobre as nações exploradas, o imperialismo sustenta no interior destas, classes dominantes de grandes burgueses e latifundiários cevados às custas de muitos privilégios. Estas por sua vez exercem, através de um aparelho de Estado burocrático genocida, o controle e a repressão mais sistemática sobre as classes dominadas, cujo sistema de governo oscila entre gerenciamentos militares e demoliberais.

  Esta contradição, ao nível de cada país, só pode ser resolvida através de um processo revolucionário que percorre, inevitavelmente, etapas, no acerto de contas das massas exploradas e oprimidas com suas classes dominantes locais e de ruptura com o imperialismo (revolução democrática agrária anti-imperialista). Condições estas essenciais e imprescindíveis para que a revolução passe ininterruptamente ao socialismo.

No Brasil, portanto, assim como nos demais países dominados pelo imperialismo, a independência nacional é algo a ser conquistado, muito embora, formalmente, estes países tenham declarado sua independência do jugo colonial a que se encontravam submetidos. Na prática, porém, permaneceram dependentes política, econômica e culturalmente dos países imperialistas, subjugados a um novo colonialismo.

Uma aparência de independente e uma essência de dominado, é essa a situação que caracteriza a sua condição de país semicolonial.

  Já em 1972, por ocasião do transcurso dos 150 anos da proclamação da independência do Brasil em relação a Portugal, o jornal A Classe Operária, n.º 68, publicou artigo do grande dirigente comunista brasileiro Pedro Pomar, com o qual expressa seu profundo conhecimento sobre o desenvolvimento histórico de nosso povo e uma inabalável fé na revolução. Seu texto nos anima e encoraja quando afirma que "O povo brasileiro, em face do crescente empobrecimento e da falta de direitos, acha-se numa situação penosa. Em seu coração, porém, arde mais forte do que nunca a chama da liberdade. Sua consciência nacional elevou-se. Não suportará, pois, indefinidamente, a tutela estrangeira nem aceitará que permaneçam intocados os privilégios da minoria exploradora e opressora."

Ele que é um dos mártires da luta do proletariado brasileiro e de seu partido, escreveu no mesmo documento: "As páginas mais gloriosas da história brasileira foram escritas com o sangue desses heróis e mártires. As forças obscurantistas e retrógradas tudo fizeram e fazem para frustrar os anseios do povo e impedir o desenvolvimento independente da nação. Levantaram forcas, esquartejaram, fuzilaram, massacraram os verdadeiros patriotas.

Espalharam pelourinhos, cárceres, calabouços e masmorras pelo país inteiro para castigar os combatentes populares. Em defesa de seus mesquinhos interesses de classe, aliaram-se aos piores inimigos da Pátria. Foram incapazes de salvaguardar a soberania nacional e de levar o Brasil a seu justo destino. A expressão mais acabada de sua política antinacional, de seu ódio à liberdade, é a atual ditadura militar que oprime e avilta a nação."

Em que pese ter terminado o gerenciamento militar fascista a que se refere Pedro Pomar, a estrutura de dominação imperialista e os odiosos privilégios das classes lacaias no país seguiram inabaláveis. Mais que isto, tal condição de subjugação só fez aprofundar-se ano após ano.

O monopólio da empáfia

Foi no convescote de sanguessugas, composto por pelegos, burocratas e exploradores dos trabalhadores, denominado de Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que Luiz Inácio condenou a atitude de empresários que se recusaram a investir diante da incerteza provocada pela crise que ainda persiste no Brasil e no mundo; condenou a parte da imprensa que advertia para a gravidade da crise; e condenou os trabalhadores que não quiseram ceder às chantagens da patronal em arrochar mais ainda os seus salários. A estas atitudes de resistência ele chamou de empáfia. Tudo isto com a maior empáfia, ou seja, reclamou para si o privilégio de, daqui para frente, ser o único a adotar este tipo de comportamento.

Foi também com grande soberba que, na véspera do 7 de setembro, se atreveu a falar de independência, de uma nova independência, concluindo que não se tinha mais que enaltecer só o passado, mas também o futuro que se abria. Ora, um país que se torna independente e necessita de uma nova independência é porque, na realidade, não se tornou independente coisa alguma.

Mesmo que o pré-sal seja uma das maiores descobertas e que se confirme seu potencial e que a Petrobras seja a operadora de toda a área, criando-se uma nova estatal, a Petrosal, para gerir os contratos de partilha e comercialização, nada disso indica que os resultados serão revertidos em prol da maioria dos brasileiros.

De quem é o Estado?

De nada vale para os trabalhadores uma estatal controlada por um Estado apodrecido e decrépito submisso ao imperialismo e gerenciado pelo oportunismo em conluio com a grande burguesia e o latifúndio. Não passa, pois, de demagogia patrioteira as afirmações de que o petróleo e o gás pertencem ao povo brasileiro.

Os consórcios montados pelas grandes petroleiras, as prestadoras de serviço, como a ianque Halliburton, as empreiteiras e os bancos levarão a parte do leão enquanto os parlamentares, burocratas e pelegos se engalfinharão como hienas em grande luta pelas sobras que lhes correspondem. Ao povo restará o discurso de sempre, de esperar o futuro. No presente as prioridades já estão definidas com o superavit primário destinado a pagar as impagáveis dívidas interna e externa na mão dos bancos, com a compra de armamentos, submarinos, helicópteros e caças do USA e da França, com a renúncia fiscal em favor das transnacionais e os adjutórios ao agronegócio, entre outros.

Qualquer saldo no caixa da semicolônia, o imperialismo prontamente apresenta uma lista de bugigangas para esvaziá-lo. No passado, foi assim com o superávit da balança comercial com o USA depois da II Grande Guerra Mundial. Mais recentemente, com a venda das estatais, a história veio a se repetir.

Não há independência sem revolução

Toda a podridão que supura em nossa sociedade baseada na velha cultura dos privilégios vai mostrando graves sinais de esgotamento. Sinal disto é o aumento da opressão e da criminalização sobre as massas exploradas, pelos que seguem insistindo em viver como antes. Por outro lado, estas massas já dão sinais visíveis de que não se sujeitarão a continuar oprimidas e exploradas como antes. Não há como negar que, nos intestinos de nossa sociedade, desenvolve-se uma situação revolucionária.

Mesmo enfrentando toda a sorte de freios a sua ação, como as direções oportunistas, pelegos, partidos reformistas eleitoreiros, o­ng’s pacifistas, as massas do campo e da cidade se rebelam e sacodem as apodrecidas estruturas deste carcomido Estado brasileiro, clamando por uma direção revolucionária que as conduza rumo a um Estado popular de Nova Democracia e ao Socialismo.

Aproxima-se a hora em que todos serão chamados a tomar uma definição por qual lado se postar: do lado dos explorados e oprimidos rebelados ou do lado de seus exploradores e opressores.

A radicalização da refrega não deixará margem a neutralidades.

 
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