"Sem forma revolucionária não há arte revolucionária"
Meu Maio
A todos
Que saíram às ruas
De corpo-máquina cansado,
  A todos
Que imploram feriado
Às costas que a terra extenua –
Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.
  Sou operário –
Este é o meu maio!
Sou camponês - Este é o meu mês.
Sou ferro –
Eis o maio que eu quero!
Sou terra –
O maio é minha era!
 
 
Vladimir Maiakovski
Sol de Maiakovisk
brilhar pra sempre
brilhar como um farol
brilhar com brilho eterno
gente é pra brilhar
que tudo mais
vá pro inferno
este é o meu slogan
e o do sol
tradução-Haroldo de Campos
Vladimir Maiakóvski é o maior poeta russo moderno,revolucionário - aquele que mais completamente expressou, nas décadas em torno da Revolução Socialista de Outubro 1917, os novos e contraditórios conteúdos do tempo e as novas formas que estes demandavam.
Poesias
A Flauta Vertebrada, 1915
A Nuvem de Calças, 1916
O Homem, 1917
Guerra e Paz, 1918
150 Milhões, 1920
Amo, 1922
A propósito disto, 1923
Lênim, 1925
Muito Bem !, 1927
A Plena Voz, 1930
Teatro
Eu, 1913
O Mistério Bufo, 1921
O Percevejo, 1928
O Banho, 1929
"V INTERNACIONAL"
Eu
à poesia
só permito uma forma:
concisão,
precisão das fórmulas
matemáticas.
Às parlengas poéticas estou acostumado,
eu ainda falo versos e não fatos.
Porém
se eu falo
"A"
este "a"
é uma trombeta-alarma para a Humanidade.
Se eu falo
"B"
é uma nova bomba na batalha do homem.
 
VLADIMIR VLADIMIROVITCH MAIAKOVSKI
Nascimento: 19/07/1893, Bagdadi (depois Maiakovski), Georgia, Rússia- Falecimento: 14/04/1930, Moscou, Rússia
"Amar não é aceitar tudo. Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que haja falta de amor".
Poeta, intelectual revolucionário,ativista comunista,um dos principais representantes da vanguarda futurista do início do século XX.
Museu Maiakovski, Rua Myatninskaya, endereço cult em Moscou.
Maiakovski passou três meses escrevendo os versos de “A Serguei Iessienin” e o aniversário do poema foi o pretexto para que uma pequena legião de fãs corresse ao Museu Maiakovski, que está se tornado um endereço cult em Moscou.
Na tradução consagrada de Haroldo de Campos, o canto de Maiakovski ao amigo morto dizia:
“Por enquanto há escória de sobra.
O tempo é escasso mãos à obra.
Primeiro é preciso
transformar a vida, para cantá-la em seguida.
Para o júbilo
o planeta
está imaturo.
É preciso arrancar alegria ao futuro.
Nesta vida morrer não é difícil.
O difícil é a vida e seu ofício”.
Iessienin tinha deixado, como despedida, versos desesperançados – escritos, literalmente, com sangue, num quarto do Hotel Inglaterra, em Leningrado. Depois de cortar os pulsos e escrever os versos finais, ele se enforcou.
"Até logo, até logo, companheiro,
Guardo-te no meu peito e te asseguro:
O nosso afastamento passageiro
É sinal de um encontro no futuro.
Adeus, amigo, sem mãos nem palavras.
Não faças um sobrolho pensativo.
Se morrer, nesta vida, não é novo,
Tampouco há novidade em estar vivo."
S. Iessienin (1925)
Cinco anos depois, o próprio Maikovski se matou. O bilhete de despedida dizia:
“O incidente está encerrado. O barco do amor quebrou-se contra a vida cotidiana. Estou quite com a vida. É inútil passar em revista as dores, os infortúnios e os erros recíprocos. Sejam felizes”.
     
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