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Salvador Allende, Soledad Barret Viedma na poesia de Mario Benedetti
Fotos de obras no Museu da Solidariedade Salvador Allende em Santiago do Chile - ESTÉTICAS, SONHOS E UTOPIAS DOS ARTISTAS DO MUNDO PELO SOCIALISMO. poesias :ALLENDE e MORTE DE SOLEDAD BARRET
Osmar Gomes da Silva | 4-10-2009 a las 18:45 | 1457 lecturas
www.kaosenlared.net/noticia/salvador-allende-soledad-barret-viedma-na-poesia-mario-benedetti
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Salvador Allende, Soledad Barret Viedma na poesia de Mario Benedetti

ALLENDE

 

 

Para matar al hombre de la paz

para golpear su frente limpia de pesadillas

tuvieron que convertirse en pesadilla,

para vencer al hombre de la paz

tuvieron que congregar todos los odios

y además los aviones y los tanques,

para batir al hombre de la paz

tuvieron que bombardearlo hacerlo llama,

porque el hombre de la paz era una fortaleza

 

Para matar al hombre de la paz

tuvieron que desatar la guerra turbia,

para vencer al hombre de la paz

y acallar su voz modesta y taladrante

tuvieron que empujar el terror hasta el abismo

y matar mas para seguir matando,

para batir al hombre de la paz

tuvieron que asesinarlo muchas veces

porque el hombre de la paz era una fortaleza,

 

Para matar al hombre de la paz

tuvieron que imaginar que era una tropa,

una armada, una hueste, una brigada,

tuvieron que creer que era otro ejercito,

pero el hombre de la paz era tan solo un pueblo

y tenia en sus manos un fusil y un mandato

y eran necesarios mas tanques mas rencores

mas bombas mas aviones mas oprobios

porque el hombre de la paz era una fortaleza

 

Para matar al hombre de la paz

para golpear su frente limpia de pesadillas

tuvieron que convertirse en pesadilla,

para vencer al hombre de la paz

tuvieron que afiliarse siempre a la muerte

matar y matar mas para seguir matando

y condenarse a la blindada soledad,

para matar al hombre que era un pueblo

tuvieron que quedarse sin el pueblo.

 

Mario Benedetti

 

 

Notas-

Se tivesse havido resistência armada ao golpe de estado, o plano previa que os marines gringos invadiriam o Chile, para "preservar a vida de cidadãos norte-americanos". Um avião WB-575 - um centro de telecomunicações - da força área norte-americana, pilotado por militares norte-americanos, sobrevoava o Chile. Simultaneamente 33 caças e aviões de observação da força aérea norte-americana aterrisaram na base aérea de Mendoza, na fronteira da Argentina com o Chile.

 

E foi assim que eles fecharam o país para o Mundo por uma semana, enquanto os tanques rolavam, os soldados arrombavam portas, o som das execuções pipocava dos estádios e os corpos se empilhavam ao longo das ruas e flutuavam nos rios, os centros de tortura iniciaram suas atividades, os livros considerados subversivos eram atirados a fogueiras, e os soldados rasgavam as calças das mulheres aos gritos de "No Chile as mulheres usam saias"…

 

— William Blum, Killing Hope, p. 215

 

 

Um ano depois o presidente Gerald Ford declarou à imprensa que aquilo os Estados Unidos fizeram no Chile "foi nos melhores interesses do Povo chileno e certamente nos nossos melhores interesses".

 

 

**************

 

O assassinato de Soledad Barret Viedma pela Ditadura Militar de 64

 

O poema é um sensível registro, em Montevidéu, da dor que lhe causou a Benedetti a notícia da morte da bela e brava revolucionária Soledad Barret Viedma.

Soledad foi torturada e morta no Recife, Pernambuco em 1973, entregue ao torturador Fleury pelo marido, o cabo Anselmo. Estava grávida, com cinco meses.

   

 

  MORTE DE SOLEDAD BARRET

 

Viveste aqui por meses ou por anos

traçaste aqui uma reta de melancolia

que atravessou as vidas e a cidade

 

Faz dez anos tua adolescência foi notícia

te marcaram as coxas porque não quiseste

gritar viva hitler nem abaixo fidel

 

eram outros tempos e outros esquadrões

porém aquelas tatuagens encheram de assombro

a certo uruguai que vivia na lua

 

e claro então não podias saber

que de algum modo eras

a pré-história do íbero

 

agora metralharam no recife

teus vinte e sete anos

de amor de têmpera e pena clandestina

 

talvez nunca se saiba como nem por quê

 

os telegramas dizem que resististe

e não haverá mais jeito que acreditar

porque o certo é que resistias

somente em te colocares à frente

só em mirá-los

 

só em sorrir

só em cantar cielitos com o rosto para o céu

 

com tua imagem segura

com teu ar de menina

podias ser modelo

atriz

miss paraguai

capa de revista

calendário

quem sabe quantas coisas

 

  porém o avô rafael o velho anarco

te puxava fortemente o sangue

e tu sentias calada esses puxões

 

soledad solidão não viveste sozinha

por isso tua vida não se apaga

simplesmente se enche de sinais

 

soledad solidão não morreste sozinha

por isso tua morte não se chora

simplesmente a levantamos no ar

 

desde agora a nostalgia será

um vento fiel que flamejará tua morte

para que assim apareçam exemplares e nítido

as franjas de tua vida

 

ignoro se estarias

de minissaia ou talvez de jeans

quando a rajada de pernambuco

acabou completo os teus sonhos

 

pelo menos não terá sido fácil

cerrar teus grandes olhos claros

teus olhos o­nde a melhor violência

se permitia razoáveis tréguas

para tornar-se incrível bondade

 

e ainda que por fim os tenham encerrado

é provável que ainda sigas olhando

soledad compatriota de três ou quatro povos

o limpo futuro pelo qual vivias

e pelo qual nunca te negaste a morrer.

 

 

Mario Benedetti

 

 

 
 
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