Salvador Allende, Soledad Barret Viedma na poesia de Mario Benedetti
ALLENDE
 
 
Para matar al hombre de la paz
para golpear su frente limpia de pesadillas
tuvieron que convertirse en pesadilla,
para vencer al hombre de la paz
tuvieron que congregar todos los odios
y además los aviones y los tanques,
para batir al hombre de la paz
tuvieron que bombardearlo hacerlo llama,
porque el hombre de la paz era una fortaleza
 
Para matar al hombre de la paz
tuvieron que desatar la guerra turbia,
para vencer al hombre de la paz
y acallar su voz modesta y taladrante
tuvieron que empujar el terror hasta el abismo
y matar mas para seguir matando,
para batir al hombre de la paz
tuvieron que asesinarlo muchas veces
porque el hombre de la paz era una fortaleza,
 
Para matar al hombre de la paz
tuvieron que imaginar que era una tropa,
una armada, una hueste, una brigada,
tuvieron que creer que era otro ejercito,
pero el hombre de la paz era tan solo un pueblo
y tenia en sus manos un fusil y un mandato
y eran necesarios mas tanques mas rencores
mas bombas mas aviones mas oprobios
porque el hombre de la paz era una fortaleza
 
Para matar al hombre de la paz
para golpear su frente limpia de pesadillas
tuvieron que convertirse en pesadilla,
para vencer al hombre de la paz
tuvieron que afiliarse siempre a la muerte
matar y matar mas para seguir matando
y condenarse a la blindada soledad,
para matar al hombre que era un pueblo
tuvieron que quedarse sin el pueblo.
 
Mario Benedetti
 
 
Notas-
Se tivesse havido resistência armada ao golpe de estado, o plano previa que os marines gringos invadiriam o Chile, para "preservar a vida de cidadãos norte-americanos". Um avião WB-575 - um centro de telecomunicações - da força área norte-americana, pilotado por militares norte-americanos, sobrevoava o Chile. Simultaneamente 33 caças e aviões de observação da força aérea norte-americana aterrisaram na base aérea de Mendoza, na fronteira da Argentina com o Chile.
 
E foi assim que eles fecharam o país para o Mundo por uma semana, enquanto os tanques rolavam, os soldados arrombavam portas, o som das execuções pipocava dos estádios e os corpos se empilhavam ao longo das ruas e flutuavam nos rios, os centros de tortura iniciaram suas atividades, os livros considerados subversivos eram atirados a fogueiras, e os soldados rasgavam as calças das mulheres aos gritos de "No Chile as mulheres usam saias"…
 
— William Blum, Killing Hope, p. 215
 
 
Um ano depois o presidente Gerald Ford declarou à imprensa que aquilo os Estados Unidos fizeram no Chile "foi nos melhores interesses do Povo chileno e certamente nos nossos melhores interesses".
 
 
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O assassinato de Soledad Barret Viedma pela Ditadura Militar de 64
 
O poema é um sensível registro, em Montevidéu, da dor que lhe causou a Benedetti a notícia da morte da bela e brava revolucionária Soledad Barret Viedma.
Soledad foi torturada e morta no Recife, Pernambuco em 1973, entregue ao torturador Fleury pelo marido, o cabo Anselmo. Estava grávida, com cinco meses.
   
 
  MORTE DE SOLEDAD BARRET
 
Viveste aqui por meses ou por anos
traçaste aqui uma reta de melancolia
que atravessou as vidas e a cidade
 
Faz dez anos tua adolescência foi notícia
te marcaram as coxas porque não quiseste
gritar viva hitler nem abaixo fidel
 
eram outros tempos e outros esquadrões
porém aquelas tatuagens encheram de assombro
a certo uruguai que vivia na lua
 
e claro então não podias saber
que de algum modo eras
a pré-história do íbero
 
agora metralharam no recife
teus vinte e sete anos
de amor de têmpera e pena clandestina
 
talvez nunca se saiba como nem por quê
 
os telegramas dizem que resististe
e não haverá mais jeito que acreditar
porque o certo é que resistias
somente em te colocares à frente
só em mirá-los
 
só em sorrir
só em cantar cielitos com o rosto para o céu
 
com tua imagem segura
com teu ar de menina
podias ser modelo
atriz
miss paraguai
capa de revista
calendário
quem sabe quantas coisas
 
  porém o avô rafael o velho anarco
te puxava fortemente o sangue
e tu sentias calada esses puxões
 
soledad solidão não viveste sozinha
por isso tua vida não se apaga
simplesmente se enche de sinais
 
soledad solidão não morreste sozinha
por isso tua morte não se chora
simplesmente a levantamos no ar
 
desde agora a nostalgia será
um vento fiel que flamejará tua morte
para que assim apareçam exemplares e nítido
as franjas de tua vida
 
ignoro se estarias
de minissaia ou talvez de jeans
quando a rajada de pernambuco
acabou completo os teus sonhos
 
pelo menos não terá sido fácil
cerrar teus grandes olhos claros
teus olhos onde a melhor violência
se permitia razoáveis tréguas
para tornar-se incrível bondade
 
e ainda que por fim os tenham encerrado
é provável que ainda sigas olhando
soledad compatriota de três ou quatro povos
o limpo futuro pelo qual vivias
e pelo qual nunca te negaste a morrer.
 
 
Mario Benedetti
 
 
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