Buscar  
Retratos portugueses (IV)
Relatos impressionistas da vida pública portuguesa
Vítor Colaço Santos | Para Kaos en la Red | 1-3-2010 a las 18:36 | 755 lecturas
www.kaosenlared.net/noticia/retratos-portugueses-iv
Compartir: Publicar en Facebook Publicar en Twitter Publicar en Meneame Publicar en Google Buzz Publicar en Technorati Publicar en Delicious Publicar en AlternativeWeb
Noronha do Nascimento – Recentemente reeleito presidente do Supremo Tribunal de Justiça, no seu discurso de tomada de posse defendeu a criação de um órgão especial para julgar jornalistas “composto paritariamente por representantes das próprias classes profissionais e da estrutura do Estado”, disse. Os políticos fazem leis que regulam a profissão de jornalista; definem os membros da entidade reguladora; contratam agências de comunicação para colocar notícias; manipulam a publicidade do Estado; pressionam magistrados no contexto de processos que envolvem políticos directa ou indirectamente. Como numa ditadura, Noronha do Nascimento também quer representantes da estrutura política do Estado com poderes disciplinares, repressivos e punitivos sobre os jornalistas. Não! Sete vezes não!! Os jornalistas têm de debater as questões públicas e políticas com desinibição, robustez, abertamente e “escrever no osso”, como dizia Cardoso Pires. E isso pode incluir ataques veementes, cáusticos e duros contra titulares de cargos públicos!

Sócrates… – O eng. Sócrates falou à pátria. A pátria ficou estarrecida. Deu-nos um conjunto de banalidades, e procurou aliviar os angustiados desempregados, esfomeados e miseráveis (cada vez há mais!), dizendo que as coisas corriam pelo melhor. Pelo melhor? Mais desemprego, mais fome, mais miséria, pior saúde (os índices de doenças psicológicas dispararam em flecha!), pior educação, menos… (Portugal, no topo da Europa das coisas boas). O primeiro-ministro obedece às indicações económicas dominantes: A economia manda na política… Sócrates da “terceira via” é o pior governante de toda a história de Portugal! A substância do seu discurso: nada de nada!
A I República, ao longo dos seus escassos dezasseis anos de vida (1910-1926), teve no povo o seu suporte para atalhar e vencer todas as revoltas monárquicas saudosistas, conservadores ressabiados e grupos que queriam voltar à monarquia. Os governos da altura feriram de morte esse mesmo povo! Resultado? Golpe a 26 de Maio de 1926 e instauração de uma ditadura que viria a desembocar no fascista Salazar…
Sócrates continua a domesticar a rebeldia das massas, em nome da “normalidade” democrática, que não chega a ser uma farsa genial de “governo do povo pelo povo” porque se converteu num regime descaradamente causador das maiores injustiças e criminosas medidas conta – de facto – o povo!
Sócrates teve a possibilidade de colaborar numa transformação da sociedade portuguesa. Desperdiçou-a. As “reformas” apregoadas foram deformações aberrantes. Uma poderosa máquina de manipulação foi posta ao serviço de um produto que de “socialistas” nada tinha. Sócrates e o PS da II República caminham para serem afastados do poder, e pelo limbo permanecerão… e o limbo é pouco pelas malfeitorias que fizeram! Sócrates fere de morte o povo!!

… e a outra senhora – Líder do PSD, que vai eleger um cangalheiro como novo presidente do partido… O PSD não tem agenda alguma. Um destes dias talvez acabe o PSD. Está fechado para obras…

O Dr. Cavaco, Presidente da República – O Dr. Cavaco também falou à pátria pelo fim do ano. Repetiu o discurso costumeiro: somos uns calaceiros (preguiçosos), disse. Nem uma palavra, uma simples palavra sobre o peso da incompetência dos empresários, as suas baixas qualificações, e o gosto desenfreado – a qualquer preço – pelo lucro, pelo lucro e pelo lucro! O Dr. Cavaco deveria preocupar-se com a enorme(íssima) solidão do povo português: com o facto de a nossa população estar à frente no consumo europeu de sedativos, de calmantes, de tudo o que é psicotrópico. O povo português veste-se de cores escuras… Há dias a imprensa noticiou a morte de nove velhos, no período de 12 horas. Solidão, desespero e horizontes cerrados – a opinião dos técnicos. Nem uma palavra disse, módica e tímida, sobre a cultura, ciência e arte. Quanto mais estúpidos formos, melhor nos governam e menos questionamos… Assim vamos nós, com o Dr. Cavaco, presidente do Novo Estado…

Assembleia da República – Esta casa está transformada numa batalha pelas regalias individuais. Com excepção – a nivelar por cima – de meia dúzia de deputados, ninguém convence. Estão ali a tratar da vidinha. Está-lhes na massa do sangue, no rosto a marca do oportunismo. Falam, falam, falam e não estão a dizer nada. O parlamento português ausentou-se das suas funções e converteu-se numa arena suja, medíocre, não aconselhável. Ali, o verniz da etiqueta estilhaça-se num vocabulário não-político que não serve de exemplo a ninguém. Não há nada a fazer: esta gente, que se diz nossa representante, apenas se representa a ela própria. Os negócio, as trocas de favores, os jogos de malabarismo, as súbitas ascensões a ricos de muitos daqueles que não tinham dinheiro nem para mandar tocar um cego – eis um amontoado de aldrabices, alianças obscuras, cumplicidades abjectas. A AR não é o que deveria ser. Entre gritos de curral, histerias sem direcção nem sentido, tácticas de momento e estratégias desacreditadoras, assistimos a um desfile desavergonhado e sem interrupção. O forte cheiro a suor que vem dos sovacos dos deputados,fornece-nos a medida exacta das suas fadigas. Se passearmos os olhos pela lista de “políticos” promovidos nos últimos anos a serviçais da pátria por desinteressados serviços prestados ao povo... chegamo-nos a comover-nos com tamanha abnegação e tal elevado espírito de sacrifício. Vamos continuar assim? Até quando? Até querermos…
 
 
Más información:


Si quieres contribuir a que Kaos en la Red pueda seguir publicando artículos como este, puedes hacer tu donación en:
Paypal (seguro y permite diferentes formas de pago)
Microdonación de 2 euros
Donación de importe libre


Comentarios (0)
La inserción de comentarios en esta noticia está desactivada

Más información en Kaos en la Red
Internacional Opinión Portugal

Col-lectiu Kaos en la Red - Carrer Ramón Llull 132 Terrassa, el Vallés Occidental (Paísos Catalans)