Na véspera de Natal, os comandantes das três Forças e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ameaçaram entregar os cargos em represália à criação da Comissão da Verdade, prevista no Programa Nacional de Direitos Humanos, que desagradou aos militares por abrir brechas para a revisão da Lei da Anistia. O impasse foi temporariamente contornado com a promessa de Lula de reexaminar os pontos de atrito.
Sobre a Comissão da Verdade do Programa Nacional de Direitos Humanos, ler -
Brasil:Comissão da Verdade sobre a Ditadura.artigo de Haroldo Ceravolo Sereza em Kaosenlared Brasil
Presidente Lula tem repetido que a decisão sobre a compra dos 36 aviões é “política e estratégica” para consolidar a parceria entre o Brasil e a França e tende a ignorar relatório da Aeronáutica.
Geraldo Cavagnari, do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp
“Não dá para ficar nessa ladainha. Seja pelo critério político, seja pelo técnico, é preciso resolver logo”, afirma o coronel reformado Geraldo Cavagnari, do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp.Ele explica que, uma vez decidida a compra, correrão mais seis meses até a assinatura do contrato.O Brasil precisa com urgência de uma geração de caças de combate para garantir a segurança dos céus e de suas riquezas no mar territorial.
O francês Rafale, da Dassault, o americano F-18 Super Hornet, da Boeing, e o sueco Gripen NG, da Saab.
O relatório da FAB mostra os pontos positivos e negativos de cada avião usando um código de cores (azul, amarelo e vermelho), em vez de notas. Dos três, o jato francês apresenta o pacote tecnológico mais abrangente e o sueco aparece, à primeira vista, como o de melhor preço.Seu valor unitário, sem o pacote de armamentos e os custos de manutenção, é de US$ 50 milhões. Seria um bom negócio, não fosse o Gripen NG apenas um projeto em desenvolvimento. Isso torna impossível calcular seu custo real e garantir o cumprimento dos prazos de entrega.Apesar da expectativa de desenvolvimento conjunto com a Embraer, a cúpula da Defesa sabe que escolher o Gripen NG seria como assinar um cheque em branco. A FAB marcou esse item em vermelho. “Não dá para comprar o que está na prancheta”, adverte Cavagnari.
O F-18 Super Hornet,apresentou variação média de 100% entre o valor previsto inicialmente pelos fabricantes e seu custo final do projeto, que chegou a US$ 9,5 bilhões. Apesar disso, o caça americano é oferecido hoje a um preço estável de US$ 55 milhões.
No caso do Rafale, até ficar plenamente operacional, foram necessários 7,5 bilhões de euros (US$ 10,9 bilhões), uma diferença de 50% em relação à estimativa inicial. Seu preço unitário sem armamentos e suporte era de 94 milhões de euros (US$ 136 milhões) quando começou a ser vendido, mas baixou depois para 54 milhões de euros (US$ 78 milhões).
Esse é o valor oferecido ao Brasil na última proposta e o mesmo praticado pela Dassault com o governo francês. Além da questão do preço, levantada pelo presidente Lula durante a visita de Nicolas Sarkozy a Brasília em setembro, está em jogo o prazo.
Cavagnari afirma que o setor da defesa está num processo de desmonte avançado, que começou em 1995. “Temos carências imediatas de poder aéreo que precisam ser solucionadas” E aí surge outro problema. A FAB quer receber os primeiros aviões em 2014. Quem garante entregar o pedido em tempo hábil?
A Dassault está com a linha de produção do Rafale aquecida por novas encomendas do governo francês, o que dá segurança ao cumprimento dos prazos. A Boeing tradição de pontualidade nas vendas do F-18. Já a Saab deve levar oito anos para tornar seu caça operacional. Por exemplo: o radar que vai equipar o Gripen começou a ser desenvolvido só este ano.
“Para se ter uma ideia, a Saab desenvolve o radar Caesar para o caça Typhoon há cinco anos e a previsão para ficar pronto é 2016.Eles podem desenvolver um radar similar, o Raven, para equipar o Gripen NG, até 2011. Acho bastante improvável”, afirma o especialista Pedro Paulo Rezende.
Outro ponto importante na análise da FAB é o custo da hora-voo. Um avião que consome demais torna-se inviável a longo prazo. A hora-voo do F-18 está em US$ 11 mil, enquanto a do Rafale é de US$ 14 mil. Já a do Gripen, segundo a Saab, seria de US$ 4 mil.
Mas a Comissão Técnica do FX- 2 (Copac), a partir de cálculos baseados em dados de manutenção extrapolados do Gripen C/D (versão anterior ao NG), encontrou um valor bem diferente: US$ 8 mil.Da mesma forma, a Noruega e a Holanda, ao avaliarem o caça sueco, chegaram ao valor de US$ 10 mil. A divergência de informações levou a FAB a marcar esse item do Gripen em amarelo, de atenção.O F-18 ganhou azul nesse quesito, mas avermelhou no item “assinatura-radar”, que significa o rastreamento pelos radares inimigos. O Rafale, segundo dados oficiais, é o caça mais “invisível” dentre os concorrentes.
Em recente exercício simulado com a Marinha americana, os jatos franceses “derrubaram” seis caças F-18 e perderam só duas aeronaves. Os pilotos americanos disseram que só conseguiam ver o Rafale no radar quando já era tarde demais para reagir.
Presidente Lula precisa agir rápido, neutralizar os fuxiqueiros, consolidar a parceria estratégica entre o Brasil e a França, ignorar relatório da Aeronáutica e sacramentar a Comissão da Verdade do Programa Nacional de Direitos Humanos
 
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