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Raúl Alfonsin: consagração à política e à democracia
Conduta digna contra a ditadura.Presença destacada na APDH Asamblea Permanente por los Derechos Humanos.Coerente com esse passado, chegou à Casa Rosada, pondo no banco dos réus as cúpulas militares.
Mario Wainfeld - Página 12 | 6-4-2009 a las 3:00 | 671 lecturas | 1 comentario
www.kaosenlared.net/noticia/raul-alfonsin-consagraco-politica-democracia
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Ele foi chefe de uma tenaz minoria progressista dentro do radicalismo durante muito tempo. Teve conduta digna contra a ditadura e teve presença destacada na APDH [Asamblea Permanente por los Derechos Humanos]. Foi coerente com esse passado quando chegou à Casa Rosada. Ganhou maioria na UCR [União Cívica Radical] e a presidência em campanhas inesquecíveis, banhado em multidões. Recuperou o verbo político, colocou-se na vanguarda da luta pelos direitos humanos, pondo no banco dos réus as cúpulas militares. Esteve no centro da política durante bons três anos, seus adversários tiveram de replicá-lo para serem competitivos.

Leva consigo dois recordes: foi o primeiro que venceu o peronismo nas eleições presidenciais livres e mais tarde o primeiro mandatário democrata que entregou a articulação política a um dirigente de outro partido. Talvez tenha lotado a Praça de Maio como ninguém, duas vezes com multidões multipartidárias, sem, em ambas as ocasiões as decepcionar. Exaltou a democracia com palavras inesquecíveis, também consagrou as “Boas Páscoas [Felices Pascuas]”.

Cedeu diante dos carapintadas, firmou as leis da impunidade. Paquerou com a hegemonia, concertou o Pacto de Olivos e a Aliança. Prometeu um sistema durável e eficiente, terminou envolto na hiperinflação e na anomia. Amanheceu lutando contra as corporações, mais adiante transou com elas, sem maior sorte. A gestão do Estado não foi seu forte, uma síndrome do radicalismo: pior, couberam-lhe tempos difíceis. Levou seu partido, a noiva de seus olhos, mais alto do que nunca e acompanhou a maior queda de sua história.

A mera enumeração acima, que se tratará de ampliar e tornar mais cartesiana nas linhas que seguem, fala de um personagem de primeira categoria, nos tempos de declínio e de ascensão. Não seria sério nem justo nem interessante pretender descrevê-lo em quatro palavras ou num título.

Da primavera ao Plano Austral: A campanha de 1983 e seu desembarque no governo foram suas horas mais gloriosas. Sintonizou-se com as ânsias de uma sociedade ferida, trancada e privada de liberdades básicas. Orador formidável e fogoso, enunciou as menções necessárias: a exaltação da vida, a promessa “com a democracia se come, se educa, se cura”, a reprovação a todo tipo de autoritarismo. A ilusão se sentia nas ruas: filiações massivas, concentrações de dezenas ou centenas de milhares de argentinos esperançados. Construiu seu triunfo interpelando uma maioria social ampla, ganhou até na província de Buenos Aires, foi plebiscitado.

Conservou o espírito o espírito triunfalista até quase fins de 85. Quis dominar o campo, plasmar e conduzir um terceiro movimento histórico, superador do justicialismo e do radicalismo. “Por mais cem anos”, diziam em coro seus partidários. A reforma constitucional, o traslado da capital para Viedma eram parte desses sonhos fundacionais que foram se diluindo quando encontraram resistência, fora e dentro de sua coalizão inicial.

No primeiro lance dispôs a investigação da Conadep [Comissão Nacional dos Desaparecidos Políticos] e o Juízo às Juntas. Seu propósito inicial – que os tribunais militares julgassem os repressores – foi desbaratado pela solidariedade entre os uniformizados. Ainda assim a boa estrela durava: esse erro de diagnóstico ajudou a que a Câmara Federal tramitasse essa causa exemplar, uma marca inapagável.

No seu arrebatamento inicial, também quis reformar o regime sindical, mediante a chamada lei de Mucci. Foi-lhe um bumerangue: perdeu apenas a votação no Senado e conseguiu a reconstituição do peronismo cerrado em defesa da CGT. Uma breve digressão: é tentador buscar um paralelo com o que aconteceu décadas depois com as tributações variáveis [retenção móvel].

À medida que sua gestão passava, foi-se percebendo a insuficiência (senão a pobreza) de seu diagnóstico sobre a conjuntura e suas eventuais soluções. Não bastava o ímpeto democrático para relançar a economia e abrir as janelas das fábricas. O peso da dívida externa, a âncora do déficit, as mudanças estruturais foram subestimados na campanha e nos primeiros anos de seu mandato. Tampouco tinha noção do fim de um ciclo econômico que (simplificando muito) foi de 1945 ao Rodrigazo (2) de 1975. O pesadelo da ditadura tinha camuflado o final de um modelo que não podia se regenerar, num cálculo estimado entre radicais, peronistas e desenvolvimentistas. Essa perspectiva estreita não era exclusiva de Alfonsín, de longe o primus inter pares (3): era uma carência comum da classe política, destacada há muito tempo, passada a rodo de sopetão pela catástrofe das Malvinas.

Seu primeiro elenco de governo foi tropeçando com um universo que não entendia. Alfonsín, igualmente, mantinha o centro do ringue. Confrontava-se com as corporações, discutia pessoalmente com os que lhe rebatiam: enganchou-se num púlpito para bater boca com um padre, refutou Ronald Reagan no coração do Império. Com o indicador em riste, carrancudo e implacável, reivindicava ser a esquerda possível. Tinha de ver o que dizia o establishment sobre ele, que então lhe esqueceu.

A economia estava amarrada, a inflação galopava. O peronismo renovador estava a cargo de sua inovação republicana, era sua a vitória, mas lhe restava originalidade. Saúl Ubaldini começava a ocupar as ruas. Houve uma mudança de equipe, os companheiros de sempre relevados por técnicos mais jovens e sintonizados com a época. A narrativa fundacional e ambiciosa, a utopia progressista, foi derivando para um relato “modernizador”. A governabilidade, entendida como a limitação das demandas sociais ganhou terreno. Começou a se definir protestos como eventuais elementos desestabilizadores: a democracia podia ser posta em risco com protestos a respeito do que se comia, educava ou curava, como um disjuntor que podia explodir se fosse sobrecarregado com muita voltagem.

Dois anos da data mais evocada, em abril de 1985, Alfonsín chamou uma mobilização para alertar contra um possível golpe. E essa foi uma das Praças de Maio mais lotadas e multicoloridas de que já se teve memória. Um assombroso arco político deu-lhe sustentação. Ele nada comentou do golpe, anunciou (e pediu permissão para) a “economia de guerra”; a desilusão foi grande, mas ninguém rompeu o feitiço. Não foi um nocaute, mas sim uma premonição.

O consabido plano de estabilização, o Austral, contou com o apoio manifesto da população e operou os clássicos efeitos imediatos desses programas. A inflação foi freada, o que pareceu justificar uma nova moeda. A UCR revalidou, nas eleições parlamentares desse ano, um canto de cisne desavisado.

Em queda: seu projeto de democracia estava fincado na civilidade e nos partidos, as corporações eram sua besta feroz. Contra a Igreja Católica, manteve o conflito durante bastante tempo: torceram-lhe o braço no Congresso Pedagógico, por mais organização e militância. Mas primou sobre o obscurantismo católico quando promoveu e conseguiu a sanção da lei do divórcio, um passo enorme na secularização e modernização da sociedade civil.

No seu fatal 1987 sua relação com as corporações econômicas virou: não havia conseguido vencê-las, as agregou ao seu governo. Os “capitães da indústria” conseguiram postos dominantes, a cúpula rançosa da CGT ficou com o Ministério do Trabalho. Foi um retrocesso de pura perda: melou seu capital simbólico sem compensação pragmática alguma.

Nesse devir chegou a semana santa. Outra vez congregou uma multidão, fiel, com dezenas de milhares de pessoas, de todas as cores, espontaneamente presentes. Com o peronismo e toda a sociedade remoçado ao seu redor, cedeu ante as demandas dos militares amotinados. Uma dupla dúvida será perene. A mais óbvia, é se estava forçado a se render: seu entorno e ele mesmo sempre insistiram que sim, que evitaram um mal maior, que salvaram o sistema democrático. Não foi essa a leitura preponderante, nem a deste jornal. Outra pergunta, quem sabe mais tática mas enorme, é por que elegeu, além de retroceder, enganar à multidão que o apoiava e lhe dava corpo. Quatro anos antes estava a um passo adiante do conjunto da, o ápice para um líder popular. Na “Boa Páscoa” decepcionou.

Jamais se lhe perdoou o “discurso duplo”. A sociedade era, então, exigente, menos vencida que o seria num futuro iminente. Carlos Menem poderia, mais adiante, confessar que havia rompido o contrato eleitoral e ser reeleito.

O discorrer da economia não o ajudava, o peronismo renovador deu-lhe uma surra nas eleições de 1987. Os anos seguintes foram tremendos, em queda livre. O governo foi se amoldando, sem conquistas palpáveis, aos ditames dos organismos internacionais de crédito. O contexto internacional não ajudava, os preços das matérias primas batiam no chão.

O governo perdeu identidade, espreitado pela malária, pela inflação e a perda geral de rumo. Eduardo Angeloz, um adversário interno de quem não gostava nem um pouco, foi o candidato. Os comícios foram antecipados para ver se os índices de aprovação melhorariam, Carlos Menem ganhou por goleada. Entre a anomia, os saques e a hiperinflação foi forçoso adiantar a entrega do mando do país e deixar ao novo mandatário eleito as mãos livres para ditar as arrasadoras leis de Reforma do Estado e de Emergência economica. Não é questão de retirar a responsabilidade desse presidente e da sociedade que o acompanhou mas o declínio do alfonsinismo foi facílissimo.

Um lugar no mundo: a política exterior segue sendo um dos seus bons legados, na linha da autonomia defendida pelos governos nacional-populares. A Argentina foi o eixo de uma firme presença regional na normalização democrática da Nicarágua. Alfonsín cortou de uma só vez as veleidades belicistas de militares e dirigentes argentinos, dirimindo os conflitos territoriais com o Chile. Submeteu à consulta popular não vinculante o tratado pelo canal de Beagle, goleou os enganadores nacionalistas ou dinossauros que lhe fizeram frente.

Pôs o cimento do Mercosul, um projeto inacabado e formidável, típico do último quarto de século, um giro a favor da unidade da região.

Companheiros e correligionários: acreditou ter derrotado o peronismo, cuja capacidade de reconversão e adaptação foi-lhe torcendo a mão. Desistiu de seu afã hegemonista e inovador e se acomodou ao rol do consórcio do bipartidarismo. Uma das tarefas comuns era eclipsar o surgimento de terceiras forças, ainda que ao preço de consentir lados obscuro ao inimigo. A província de Buenos Aires foi o território direto dessa transação complexa, complacente, cheia de trocas lícitas e nem tanto, justificadas em nome da governabilidade e da defesa da organização partidária.

Eduardo Duhalde foi o dirigente com o qual teve mais afinidades, nessa província e em seu difuso pensamento econômico (lamentamo-lo) desenvolvimentista-produtivista. Apoiou-o em seu governo provisório, ao qual somou dois ministros radicais, bem submetidos à corporação militar e à judicial que dirigiram.

Com Carlos Menem fechou o círculo de sócio menor do bipartidarismo, ao subscrever o chamado Pacto de Olivos. Aliás, concedeu em completo transe. As negociações políticas só iniciaram assim, nada há de escandaloso nisso. Neste caso, o que se produziu se submeteu ao voto popular e à constituinte. Foi legal e legítimo, o questionamento é válido quanto ao mérito: viabilizou a concentração de poder menemista ao ponto de terminar como a oposição de sua majestade.

Néstor Kirchner chamou a atenção dele no começo, mas sempre lhe incomodou que não aparentava deferência. Se se observa bem, há muito mais do primeiro Alfonsín no primeiro Kirchner do que se gosta de aceitar nas distintas trincheiras, de modo que teria sido bem vindo um reconhecimento do outro. Um ponto alto da injustiça foi quando o ex-presidente omitiu mencioná-lo em março 2004, no ato de recuperação da ESMA. Seu ponto de vista está contado com mais detalhe pelo próprio Alfonsín, numa reportagem que se publica nesta mesma edição.

Depois, acompanhou a candidatura de Roberto Lavagna pela UCR: evitar o desgaste radical que viu de perto em 2003 foi sua última obsessão. Um peronista na cabeça dos boinas brancas (4), o fim de uma tradição. Alfonsín já havia consentido um ensaio geral muito mais vexatório para a Argentina, sobrevoado no parágrafo a seguir.

A Aliança: O Frepaso [Partido del Frente País Solidario] tirava vantagem do radicalismo ferido, mas talvez ninguém bastasse para remover o menemismo em 1999. Carlos “Chacho” Alvarez quis encurtar o caminho, escolheu-o para sugerir-lhe a formação de uma coalizão política. Alfonsín foi mais cativado pela idéia de seu beneficiário imediato, Fernando De la Rúa. Vislumbrou na Aliança uma tábua de salvação e, raposa velha até o fim, intuiu a vitória nas internas abertas. Era outra oferta no altar de seu partido: ele detestava De la Rúa, a quem sempre classificou como um fantoche da direita, com sagacidade premonitória.

Atravessou o mandato de De la Rúa com incômodo evidente. Tinha aliados que eram apreciados no primeiro gabinete: Frederico Storani, José Luís Machinea, o próprio Alvarez. Mas o causava desassossego o tom do governo, sua política claudicante e recessiva. Sua influência era módica e cada vez que falava “os mercados” ladravam e o acusavam de aumentar o risco país, baixar o índice Merval e exacerbar a inflação. Nenhuma dessas variáveis precisava de sua ajuda, mas o rancor do poder econômico lhe incomodava. Foi apenas o­ntem, já não se lembram mais.

Ante os escândalos das propinas senatoriais, calou no exercício da solidariedade corporativa. Com os novos gabinetes abandonou sua pouca empatia e optou por ser orgânico antes que sincero, um tributo à fraquejante governabilidade que não é sensato censurar.

Adeus: Coube-lhe ser protagonista e (por um momento entranhável) líder de uma etapa ainda inconclusa e insatisfatória. Um referente de primeiro nível, em conquistas, erros, recuperação de direitos e regressões. Jamais deixou de ser um militante, um homem consagrado full time à paixão política, o melhor (com grande margem) entre seus correligionários. E não escapou das carências de seu partido e de sua época. Advinham as primaveras democráticas e transcorria, em matéria econômica e social, “a década perdida”. Essas duas referências ulteriores acaso circunscrevam sua responsabilidade nos fracassos e sua participação nos êxitos, sem anulá-los: o tom de época tem seu peso, que no momento não cessa de pulsar.

Como se resume o juízo sobre uma figura central? Pelas grandes metas que propôs? Por suas ações mais gloriosas? Pelos seus piores erros e de suas defecções? A discussão política gosta de escolher entre algumas dessas opções, lógicas no ruído mas incompletas.

Digamos que o surpreendente relato de sua trajetória se abre em cem interpretações ou alinhamentos, também proporcionais a sua entidade.

O autor votou contra Alfonsí em 83, deu-se conta bastante rápido de que sua vitória era o melhor que pôde acontecer a Argentina e escreveu isso há quase 25 anos. Apoio-o nas urnas na consulta popular sobre o Beagle e estava na Praça, resistindo e apoiando, quando da “economia de guerra” e da “Boa Páscoa”, padeceu o imaginável desencanto ulterior, que o marcou para sempre. Escreve esta coluna com tristeza, sentimento subjetivo de perda e respeito, mesmo sem renegar as diferenças.

O ex-presidente filiou-se ao radicalismo aos 18 anos e militou até dar o último suspiro. Foi um militante incansável, além de um dirigente de primeira linha, um presidente ungido pelo clamor popular, um batalhador no chão e no andar de cima. A vocação política seguiu sua existência. Atravessou com inteireza sua doença e morreu em casa, o­nde sempre viveu. É mister sublinhar, aqui: todas estas referências são elogios na escala de valores do cronista. Os políticos democráticos de raça, mesmo aqueles de quem se discorda ou com quem se aborrece, lhe caem melhor do que a nova safra de desportistas (treinados em esportes individuais), empresários ricos, filhos de empresários ricos ou pessoas da farândola que surfam na antipolítica atrás de votos, às vezes com boa sorte.

Voou muito alto, sofreu reveses cruéis. Nos últimos tempos, quando sua saúde fraquejava, recebeu reconhecimentos um pouco tardios mas merecidos, de seus adversários políticos. O canibalismo da luta política argentina é proverbial, ele se ganhou uma trégua e algo ele haverá de ter feito para tê-la conseguido.

O cronista não acredita em generalidades tais como “o juízo da história”. A história não é uma área de consensos, sem graça: é um terreno de disputa, tanto como a política. E lutadores-emblema, como Raúl Alfonsín, como el Cid, como Perón seguem lutando depois de mortos. Seu legado, sua mensagem serão recuperados por outros, com e sem coerência, para o bem e para o mal. À diferença de Cid, não ganhará apenas uma batalha: revistará em combates e ainda em derrotas ulteriores a sua partida, tal é a sina dos políticos vocacionais e incansáveis que seguem peleando quando seus corpos disseram “basta”.

mwainfeld@pagina12.com.ar

Publicado originariamente no Página 12 em 1° de Abril de 2009

Tradução: Katarina Peixoto

NOTAS
(1) O discurso da considerada “Semana Santa Revolucionária de 1987, o­nde essa expressão dita pelo então presidente Alfonsín foi proferida está disponível no youtube, aqui: http://www.youtube.com/watch?v=D2L0_bZwKJo N.deT.

(2) Plano econômico reputado como desastroso lançado por Celestino Rodrigo, então Ministro da Economia de Isabelita Perón. O plano consistia na maxidesvalorização da moeda, que conduziu à hiperinflação e à dolarização de fato da economia. N.deT.

(3) Expressão em latim que significa: o primeiro dentre os iguais. N.deT.

(4) Como os radicais da UCR eram identificados. N.deT.




 
 
Más información:

"Felices Pascuas... La casa está en orden" - 1987


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Comentarios (1)

#1.- LA MEJOR NOTA SOBRE ALFONSÍN

06-04-2009 07:32

La del maestro y compañero OSVALDO BAYER
lo demás...agua que corre...
http://www.pagina12.com.ar/diario/elpais/subnotas/122522-39181-2009-04-02.html

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