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Quem matou meu irmão ?
Eltom era meu irmão, meu companheiro! Como o são todos os que sofrem a exploração e a opressão do capital e que lutam pela emancipação da classe trabalhadora.
* Ruy Guimarães | P.C.B. | 5-9-2009 a las 2:28 | 488 lecturas
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Quem Matou Nosso Irmão!?

“O mundo não terá fronteiras

Nem Estados, nem militares para proteger Estados

Nem Estados para proteger militares prepotências

Quando os trabalhadores perderem a paciência

(...)”

Mauro Iasi

Diz o dito popular que agosto é o mês do desgosto. E este agosto de 2009 faz a gente pensar se não há um quê de sabedoria nas crendices populares. Escândalos escandalosos por todo o país. Como cantava o grande Renato Russo, “na favela, no Senado [principalmente lá], sujeira pra todo lado, ninguém respeita a Constituição”.

Aqui na Província de São Pedro, a confirmação pelo Ministério Público Federal do envolvimento de parte da raia graúda na Operação Solidária e no desvio de grana, muita grana (!!!) do Detran. Mas, o cume do mês do desgosto foi o assassinato a sangue frio, com um tiro covarde pelas costas do trabalhador sem-terra Eltom Brum da Silva.

Rapidamente a Senhora do Casarão Malganho foi para a imprensa cinicamente exigir apuração dos fatos e a responsabilização do culpado. O Diário Oficial da Burguesia gaudéria passou os dois primeiros dias batendo nessa tecla também, com direito à editorial no seu veículo impresso e tudo.

No dia 27 de agosto, o MST e várias entidades representativas de movimentos populares, sindicais e estudantis realizaram um ato para marcar o sétimo dia do assassinato de Eltom. Sete dias decorreram sem que ninguém fosse responsabilizado. Até o trombeteiro-mor do Diário Oficial da Burguesia gaudéria anda reclamando disto. Diz Lasier Martins, que “é

muito estranho” que a Brigada Militar ainda não saiba quem apertou o gatilho. Pode ser “estranho” pra ele, Lasier.

No entanto, os que historicamente sofrem a opressão e a repressão do Estado burguês não estranham. Parece-lhes bem claro que há uma tentativa de jogar com a desmemória da sociedade. Não só deixar cair no esquecimento, mas, possivelmente, proteger um agente estrelado da corporação.

Sim, há testemunha que afirma que o autor do crime é um tenentecoronel.

Algo provável se pensarmos que se fosse um reles soldadinho o assassino, este já estaria sendo julgado pelo coronel Mendes, ora guindado a juiz militar.

O Diário Oficial da Burguesia gaudéria noticiou no dia 27 de agosto na sua versão eletrônica, que a Brigada Militar já sabe quem matou Eltom:

“Ao se apresentar, o soldado admitiu ter atirado contra o sem-terra, mas

disse que só tomou a atitude para defender um colega da corporação, que

confirmou as informações”.

 

Diante de tantas falcatruas que este estado tem assistido, o provável é que a defesa de um “colega” (ou um superior hierárquico?) da corporação esteja se dando agora, nos bastidores da antes briosa Brigada Militar.

Imagine-se o seguinte cenário: Brigada Militar invade ocupação do MST com ordem judicial de reintegração de posse e ordem governamental de executar a ordem judicial a qualquer custo. Inclusive torturando mulheres e crianças com cachorros (várias crianças foram mordidas pelos cães da Brigada) e com choques elétricos dados nas algemas colocadas nos pulsos dos sem-terra detidos, com as armas não-letais de choque. Na ação um sem-terra diz uns desaforos a um oficial estrelado e vira-lhe as costas. Ato contínuo, o oficial estrelado ofendido dispara um tiro de calibre 12 à queima-roupa nas costas do sem-terra desaforado. Constatada a cagada, escolhem um soldadinho qualquer disposto a assumir a culpa sob o argumento de que estava “defendendo” um colega. Porra! Defendendo um colega de quê? De um desaforo disparado por um sem-terra desarmado?!

Assumida a culpa pelo soldadinho, o caso é encaminhado para a Justiça Militar, esta anacrônica excrescência jurídica, e na distribuição do processo casualmente este cai nas mãos do Tenente-Coronel Mendes, excomandante geral da Brigada Militar, defensor da truculência como argumento. Afasta-se o soldadinho por uns tempos para um serviço burocrático enquanto corre o processo e depois ele é absolvido pelo führer Mendes sob a alegação de legítima defesa de colega da corporação.

Se duvidarmos é capaz de o rapaz, em troca do desgaste e como reconhecimento por “serviços prestados” [à burguesia e ao latifúndio] ser condecorado com alguma medalha e receber uma promoção.

Eltom era meu irmão, meu companheiro!

Como o são todos os que sofrem a exploração e a opressão do capital e que lutam pela emancipação da classe trabalhadora.

Eu quero saber a verdade! QUEM MATOU MEU IRMÃO!?

* Ruy Guimarães

Professor de História

Conselheiro do CPERS-Sindicato

1/9/2009

 
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