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Professores - Sair da letargia
A troca do trio Lurdes pela sorri­den­te Isabel Alçada e seus secretá­rios de Estado mais não revelava que um recuo destinado a manter o essencial das po­sições da anterior equipa ministerial.
Paulo Jorge Ambrósio | Para Kaos en la Red | 31-12-2009 a las 18:17 | 739 lecturas
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Sócrates anunciava a 29 de Outubro no­vas caras no Ministério da Educação. Cedo se comprovou que a troca do desgastado trio Lurdes, Lemos e Pedreira pela sorri­den­te Isabel Alçada e seus discretos secretá­rios de Estado mais não revelava que um recuo es­tratégico para uma segunda trin­cheira, vi­rada para cobrir e segurar ao máxi­mo as po­sições da anterior equipa ministerial.

Assim, a ministra foi logo advertindo que não seria suspensa a avaliação simplifi­ca­da, entrevendo a manutenção de algumas quo­tas. Nas primeiras reuniões com os sindi­­catos, embora afirmando deixar cair a divi­são entre professores e titulares, na ver­dade substituiu-a pela introdução de congela­mentos nas progressões. Nem uma palavra quanto à revogação da gestão das es­colas pe­lo “director”, exigência de concursos aber­­­tos e transparentes, abolição da prova de ingresso dos contratados ou à criação de mecanismos para a sua vinculação em qua­dro.

Neste última omissão, Isabel Alçada foi no entanto vergonhosamente acompanha­da pelas direcções sindicais, pois mesmo a FENPROF só de passagem se referiu a essa reivindicação de vinculação, escândalo tanto maior quanto se passa num sector em que a ameaça da quebra do vínculo paira sobre os efectivos e que conta com mais de 60 mil precários, dos quais 15 mil explo­rados a recibo verde nas “actividades de en­riqueci­mento curricular” do 1º ciclo, 40 mil no de­semprego e 20 mil sem subsídio algum.

Ao mesmo tempo que o “radioso” pa­norama negocial com o governo escurece ca­da vez mais, as diligências da “nova maio­ria parlamentar” no parlamento não pare­cem tranquilizar ninguém, antes dão razão aos cépticos. A primeira prova foi o renascer­ do bloco central que a 19 de Novem­bro travou a suspensão do modelo de ava­liação, revindicação central das duas mega­manifes­tações de professores do ano pas­sado.

Sendo um facto que o novo quadro po­lítico poderá colocar um travão ao rumo de destruição e saque da educação pública, tal só sucederá pelo reforço da vigilância, pres­­são e mobilização da classe docente, fo­ra de miragens negociais ou “frutuosos diá­­logos”.

Neste quadro pouco animador, ganhou importância o plenário de contratados e de­sempregados da Grande Lisboa de 14 de No­vembro, que, por unanimidade, re­con­­duziu e fortaleceu a comissão de contra­ta­dos e a frente de desempregados, apro­van­do também uma moção do grupo Auto­no­mia Sindical que traça pistas para a continua­ção da luta, através duma conferên­cia nacional com delegados eleitos nas es­colas.

Também no seio do maior sindicato da FENPROF se travou a 20 de Dezembro uma batalha pela aprovação dos novos estatutos, em que o Autonomia Sindical es­te­ve­ pre­sente com a Proposta C, que pre­t­ende abrir e democratizar o sindicato, con­trarian­do tentativas da direcção de retirar cada vez mais direitos aos sócios e aos vários ór­gãos, concentrando-os na comis­são exe­cutiva.



 
 
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