Sócrates anunciava a 29 de Outubro novas caras no Ministério da Educação. Cedo se comprovou que a troca do desgastado trio Lurdes, Lemos e Pedreira pela sorridente Isabel Alçada e seus discretos secretários de Estado mais não revelava que um recuo estratégico para uma segunda trincheira, virada para cobrir e segurar ao máximo as posições da anterior equipa ministerial.
Assim, a ministra foi logo advertindo que não seria suspensa a avaliação simplificada, entrevendo a manutenção de algumas quotas. Nas primeiras reuniões com os sindicatos, embora afirmando deixar cair a divisão entre professores e titulares, na verdade substituiu-a pela introdução de congelamentos nas progressões. Nem uma palavra quanto à revogação da gestão das escolas pelo “director”, exigência de concursos abertos e transparentes, abolição da prova de ingresso dos contratados ou à criação de mecanismos para a sua vinculação em quadro.
Neste última omissão, Isabel Alçada foi no entanto vergonhosamente acompanhada pelas direcções sindicais, pois mesmo a FENPROF só de passagem se referiu a essa reivindicação de vinculação, escândalo tanto maior quanto se passa num sector em que a ameaça da quebra do vínculo paira sobre os efectivos e que conta com mais de 60 mil precários, dos quais 15 mil explorados a recibo verde nas “actividades de enriquecimento curricular” do 1º ciclo, 40 mil no desemprego e 20 mil sem subsídio algum.
Ao mesmo tempo que o “radioso” panorama negocial com o governo escurece cada vez mais, as diligências da “nova maioria parlamentar” no parlamento não parecem tranquilizar ninguém, antes dão razão aos cépticos. A primeira prova foi o renascer do bloco central que a 19 de Novembro travou a suspensão do modelo de avaliação, revindicação central das duas megamanifestações de professores do ano passado.
Sendo um facto que o novo quadro político poderá colocar um travão ao rumo de destruição e saque da educação pública, tal só sucederá pelo reforço da vigilância, pressão e mobilização da classe docente, fora de miragens negociais ou “frutuosos diálogos”.
Neste quadro pouco animador, ganhou importância o plenário de contratados e desempregados da Grande Lisboa de 14 de Novembro, que, por unanimidade, reconduziu e fortaleceu a comissão de contratados e a frente de desempregados, aprovando também uma moção do grupo Autonomia Sindical que traça pistas para a continuação da luta, através duma conferência nacional com delegados eleitos nas escolas.
Também no seio do maior sindicato da FENPROF se travou a 20 de Dezembro uma batalha pela aprovação dos novos estatutos, em que o Autonomia Sindical esteve presente com a Proposta C, que pretende abrir e democratizar o sindicato, contrariando tentativas da direcção de retirar cada vez mais direitos aos sócios e aos vários órgãos, concentrando-os na comissão executiva.
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