"Porque a exercitamos (a paz) com galhardia", afirmou Lula.
Segundo o presidente, se a secretária dos Estados Unidos tiver que fazer algum pedido neste sentido ao Brasil, que seja ao ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, pois ele a está recebendo a pedido do ministro.
Questionado sobre as sanções que o mundo pede ao Irã, Lula advertiu: "Não é prudente encostar o Irã na parede. É preciso estabelecer negociações com aquele país. Quero para o Irã o mesmo que quero para o Brasil: usar energia nuclear para fins pacíficos. Se o Irã for além disso, não poderemos concordar", disse.
"O Brasil entende que é possível construir um outro rumo, conversando." Segundo o presidente, se tem um país que pode dar lição ao mundo sobre paz, este país é o Brasil. "Porque a exercitamos (a paz) com galhardia", afirmou Lula.
Encontro com Hillary
Lula recebe Hillary na tarde desta quarta-feira, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) - sede provisória da Presidência da República, em Brasília.
Na pauta está o programa nuclear no Irã. Além disso, os dois devem discutir o processo de compra de caças brasileiros para a Força Aérea Brasileira (FAB). A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata à Presidência da República, também participará do encontro.
Na segunda-feira, durante passagem pela Argentina, Hillary afirmou que quer se assegurar de que o Lula "compreende a preocupação mundial com o Irã".
"Foi constatado que o Irã está violando as determinações da Agência Internacional de Energia Atômica e do Conselho de Segurança da onU (Organização das Nações Unidas)", disse. "Esse será um tema abordado pelo Conselho de Segurança, então quero me assegurar de que (o presidente Lula) tem a mesma compreensão que nós temos sobre como esse assunto vai se desenrolar."
Visita ao Congresso
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta quarta-feira a deputados e senadores brasileiros que espera que o Brasil colabore no esforço internacional para mudança de rumo do Irã. Segundo relato do presidente da Comissão de Relações Exteriores, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), Hillary insistiu que Teerã descumpriu todas as resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), e que diante disso o mundo deve se unir.
Hillary deixou implícito, de acordo com Azeredo, que essa união deve se dar em torno da proposta de novas sanções contra o Irã a serem dotadas pelo Conselho de Segurança da onU. A secretária de Estado insistiu que o Brasil tem um importante papel nessa questão.Os Estados Unidos, assim como Rússia, China, Inglaterra, França e Alemanha querem aplicar sanções internacionais ao Irã por cogitar que o enriquecimento do urânio a 20% tenha o objetivo de fabricar armas nucleares. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, nega as suspeitas.
Caças
Durante o encontro, a secretária americana também tentará reverter a "falta de confiança" que o Brasil tem em relação aos americanos e que deixou o país em posição desfavorável na disputa pela compra dos caças que equiparão a FAB pelos próximos 30 anos.Porém, o governo brasileiro já manifestou por diversas vezes a sua preferência pela parceria estratégica com a França. E o ministro da Defesa Nelson Jobim fez, em várias entrevistas, críticas diretas à proposta americana, dizendo que os "precedentes" dos EUA de transferência de tecnologia "não são bons". Na decisão do Planalto, que está sendo aguardada para o final deste mês, o F-18 Super Hornet americano está disputando com o Rafale francês e o Gripen sueco.
 
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