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Presidente da Bolívia, Evo Morales inicia greve de fome para exigir lei eleitoral
"Diante da negligência de um grupo de parlamentares, fomos obrigados a adotar esta medida de jejum voluntário", disse Morales, em discurso pronunciado no palácio de governo de La Paz.
Osmar Gómez da Silva | agências internacionais | 9-4-2009 a las 20:02 | 1215 lecturas
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Presidente da Bolívia, Evo Morales.

Além disso, um documento do partido governista Coordenadora Nacional pela Mudança (Conalcam) advertiu: "Nós nos declaramos em greve de fome junto a Morales e outros líderes da unitária Central Operária Boliviana (COB).

LA PAZ - O presidente da Bolívia, Evo Morales, se declarou nesta quinta-feira em greve de fome junto com dirigentes sindicais e sociais, em protesto contra a demora do Congresso em aprovar a lei que permita realização de eleições no final do ano, nas quais Morales tentará ficar no poder até 2015.

Disputa entre governo e oposição

O fato acontece no momento em que o Congresso debate, em meio a fortes disputas entre governismo e oposição, uma nova lei eleitoral.

A oposição boliviana e o partido Movimento ao Socialismo (MAS), ao qual pertence o presidente Evo Morales, abriram na última quarta-feira uma mesa de diálogo para tentarem um acordo que garanta as eleições gerais de 6 dezembro e, assim, conseguirem superar o confronto político que ameaça sua realização.

A realização de uma eleição em 6 de dezembro foi combinada no ano passado, durante os acordos políticos para um novo texto constitucional, aprovado num referendo em 25 de janeiro e promulgado há dois meses.

Apesar de a própria Constituição obrigar o Congresso a aprovar uma legislação eleitoral para o novo pleito, a oposição rejeita o projeto de lei do governo, que, segundo alega, favorece a reeleição de Morales ao, por exemplo, reservar 14 cadeiras (de um total de 127) para povos indígenas, setor que majoritariamente apoia o chefe de Estado.

Os opositores também questionam a decisão do Executivo de, pela primeira vez, instituir o voto dos emigrantes bolivianos, por entenderem que não existem condições de transparência para essa votação.

Além disso, a oposição diz que o atual censo eleitoral está repleto de irregularidades, embora não tenham apresentado provas disso aos órgãos independentes que auditaram o registro de eleitores.

Ontem, Morales defendeu a validade do censo, examinado por várias instituições, entre elas a Organização dos Estados Americanos (OEA) e as Nações Unidas (ONU).

Correção do censo

Após a reunião com o vice-presidente García Linera, o deputado Bernardo Montenegro, do opositor Poder Democrático e Social (Podemos, direita), disse à imprensa que, para seu partido, é fundamental corrigir o censo.

"Não podemos ir (às eleições) com um censo contaminado. Não podemos ir a uma votação no exterior que querem que aconteça através dos consulados e das embaixadas", disse Montenegro.

O parlamentar também disse que "as quatro forças legítimas" desejam "entrar no diálogo", e que têm intenção de dar viabilidade a "eleições transparentes".

Camponeses em vigília

Por outro lado, os líderes camponeses que apóiam Morales avisaram que ficarão de "vigília" acompanhando as decisões do Congresso, apesar de ainda não terem iniciado uma mobilização.

Os sindicalistas ameaçaram ainda cercar o Legislativo, ao passo que alguns deputados governistas anunciaram à imprensa que podem renunciar às suas cadeiras para paralisar o Parlamento e permitir que Morales baixe um decreto convocando eleições.

O presidente, no entanto, assegurou que seus parlamentares não falaram desta possibilidade e pediu aos líderes camponeses que não cerquem o Congresso.


 
 
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