Para quando falarmos das guerras
 
 
Para quando falarmos das guerras
Quando falarmos das guerras
sejamos contidos
A simples emoção só ampliará os conflitos.
 
Quando falarmos das guerras
baixemos o tom
milhões de filhos de trabalhadores e do povo morrem nas trincheiras
por causas que não são suas.
 
Quando falarmos das guerras
falemos com recato
Para não acordarmos os meninos que dormem
nas frentes de batalha.
 
Respeitemos seu último sono.
Quando falarmos das guerras
falemos com todo respeito
Para transformamos o desespero de mães, viúvas e órfãos
em gritos de paz.
 
Quando falarmos das guerras
não esqueçamos que o inimigo é a guerra
Os nossos únicos companheiros
são os povos.
 
Quando falarmos das guerras
falemos da igualdade entre os homens
Comecemos por apagar as fronteiras nacionais.
Quando falarmos das guerras
Lembremos que o inimigo alimenta os dois lados
É o capital.
 
Quando falarmos das guerras
Lembremos que só há uma trincheira legítima
A de nos negarmos a combater.
 
Quando falarmos das guerras
saquemos nossa melhor arma
A bandeira da paz e do socialismo.
 
Falar das guerras é o avesso
de falarmos da Revolução
Embora nossos companheiros e palavras-de-ordem
sejam sempre os mesmos.
 
 
Alípio Freire
 
 
Partido Comunista.
 
 
E este habitante transformado
que se construiu no combate,
este organismo valoroso,
esta implacável tentativa,
este metal inalterável
esta unidade das dores,
esta fortaleza do homem
este caminho até o amanhã,
esta cordilheira infinita,
esta germinal primavera,
este armamento dos pobres,
saiu daqueles sofrimentos,
do mais fundo da pátria,
do mais duro e golpeado,
do mais alto e mais eterno
e chamou-se Partido,
 
 
Pablo Neruda
 
 
 
 
A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros
 
 
 
A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros.
Os dominadores fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz se levanta além da dos que mandam
E em todos os mercados se proclama a exploração;
Isto é apenas o começo.
E entre os oprimidos muitos dizem:
Não se realizará jamais o que queremos!
O que ainda vive não diga: jamais!
O seguro não é seguro. Como está não ficará.
Quando os dominadores falarem
falarão também os dominados.
Quem se atreve a dizer: jamais?
 
De quem depende a continuação desse domínio?
De nós!
De quem depende a sua destruição?
Igualmente de nós.
 
Os caídos que se levantem!
Os que estão perdidos que lutem!
Quem reconhece a situação como pode calar-se?
Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.
Os dominadores fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz se levanta além da dos que mandam
E em todos os mercados se proclama a exploração;
Isto é apenas o começo.
E entre os oprimidos muitos dizem:
Não se realizará jamais o que queremos!
O que ainda vive não diga: jamais!
O seguro não é seguro. Como está não ficará.
Quando os dominadores falarem
falarão também os dominados.
Quem se atreve a dizer: jamais?
 
De quem depende a continuação desse domínio?
De nós!
De quem depende a sua destruição?
Igualmente de nós.
 
Os caídos que se levantem!
Os que estão perdidos que lutem!
Quem reconhece a situação como pode calar-se?
Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.
 
Berthold Brecht
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