Escritora, Poetisa, Desenhista e organizadora de eventos Culturais para trabalhadores. Pagú fundou e foi a primeira presidente da União de Teatro Amador de Santos-SP, e, ela trouxe mais de 1200 participantes para o 2º Festival de Teatro Amador fundadora da Associação dos Jornalistas Profissionais de Santos, levou uma vida de atividades culturais impressionantes. Pagú desde 12 anos combateu o Capitalismo que considerava selvagem e expropriador dos direitos dos trabalhadores.
Tinha os ideais Socialistas e muita coragem de defende-los em todos os lugares. Foi muito perseguida e em 23 prisões, humilhada e torturada.
Os Meios de Comunicação sempre tentaram diminuir seus méritos e a firmeza da sua personalidade. Pagú é pra gente se orgulhar e, lhe dizer uma doce canção oração. Eh Pagú eh!
Não. Felizmente, ela não nasceu para ser dona-de-casa. Passou longe do fogão, dos bordados e das agulhas de tricô. Teve boa educação. Escrevia poesia. Mas também passou longe dos enfadonhos saraus literários, contaminados por sonetos apaixonados. Patrícia Rehder Galvão, nasceu em 1910, em São João da Boa Vista, interior de São Paulo. A família, de classe média, logo mudou-se para a capital. Patrícia, cumprindo, em parte, o destino das meninas de sua condição social, ingressou na Escola Normal. Podia ter sido professora, arranjado um bom casamento, ser mãe de uma família feliz. Mas preferiu dizer não à vida medíocre do lar. Aos 15 anos já escrevia em jornais e chocava a sociedade. onde já se viu uma moça de família pintar a boca com batom roxo, fumar em público e dizer palavrões?! Aqui começa a história de Pagú, escritora, jornalista, ativista política. Já foi chamada a Rosa Luxemburgo brasileira, a primeira presa política do Brasil.
Foi em 1928 que Pagú, ao concluir a Escola Normal, foi apresentada, pelo poeta Raul Bopp, ao casal Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. O irreverente escritor e sua mulher, a artista plástica famosa por seu quadro Abaporu, eram as duas lideranças do movimento Antropofagia, a ala mais radical do modernismo brasileiro, surgido em 1922, com a escandalosa Semana de Arte Moderna, no Teatro Municipal de São Paulo.
- "Prazer, Pagú. Rainha do Anhangabaú", disse ela, ao cumprimentar Oswald e Tarsila, brincando com o Vale do Anhangabaú, na época ponto turístico de São Paulo.
E logo os olhos verdes - "olhos moles" - seduziram a todos  do grupo, principalmente Tarsila do Amaral, que não se importou em perder o marido, pouco tempo depois, para a dona deles.
COCO
Pagú tem os olhos moles
uns olhos de fazer doer
Bate-coco quando passa
Coração pega a bater
Eh Pagú eh!
Dói porque é bom de fazer doer
(trecho do poema de Raul Bopp, que deu origem ao nome Pagú. Bopp confundiu o sobrenome Galvão com Goulart. Achou que fosse Patrícia Goular, juntou as duas sílabas: Pagú)
 
Pagú e Oswald se casaram em 1930, numa estranha cerimônia a dois realizada no jazigo da família do escritor, no Cemitério da Consolação, quando a existência de góticos e punks não era cogitada nem em sonhos e muito menos em pesadelos. Mas, antes que isso acontecesse, Oswald de Andrade,apontado até hoje, tantos anos depois de sua morte, como inconteste mau caráter, usou de toda a lábia para convencer ao artista plástico Waldemar Belisário a se casar com Pagú, por quem era apaixonado. Casar, diga-se, apenas para manter as aparências. O casamento não teve lua-de-mel e nem mesmo um beijo. Logo após a celebração, Belisário pegou a noiva e a levou no seu carro até o local onde Oswald a esperava. Pagú já estava grávida de Rudá. E por esse escândalo, todas as portas da sociedade paulistana se fecharam para o casal. Menos uma: a de Tarsila do Amaral.
("Pagú é a criatura mais bonita do mundo - depois de Tarsila. Olhos verdes. Cabelos castanhos. 18 anos. E uma voz que só mesmo a gente ouvindo", disse ela, autodefindo-se, durante entrevista que concedeu na primeira exposição individual de Tarsila do Amaral.)
No filme "Pagú", que tem como protagonista a atriz e diretora Carla Camurati, algumas cenas sugerem um possível affair entre entre ela e Tarsila. O que não seria nada surpreendente em se tratando de duas mulheres despojadas de tabus e preconceitos. Mesmo depois da separação de Oswald, Tarsila sempre teve um carinho especial pela menina de olhos moles, que nunca deixou de ser correspondido.
Mas a Pagú ativista política vai começar agora. Três meses depois do nascimento de Rudá, ela viaja para Buenos Aires.
É numa exposição de poesia que Pagú conhece e entrevista o líder comunista brasileiro Luís Carlos Prestes. Ele a deixa fascinada o suficiente para, de volta ao Brasil, filiar-se ao Partido Comunista Brasileiro. Oswald embarca na onda da amada. Com as portas da sociedade fechadas para o casal, os dois fundam o jornal O Homem do Povo, onde Pagú torna-se a "Mulher do Povo", nome da coluna que passou a assinar, destilando veneno contra as "feministas de elite" e toda a burguesia.
Mas o jornal não passou do oitavo número. Fechado por determinação do secretário da Segurança Pública de São Paulo, por conta de artigos provocativos de Oswald contra os estudantes da faculdade de Direito. O jornal fecha, mas Pagú não para. Mais engajada do que nunca, ela participa de um comício do Partido Comunista em Santos*, litoral de São Paulo. Durante o ato político, um dos líderes é baleado. Pagú corre para socorrê-lo. Sobe no palanque. Rasga o verbo. É a sua primeira prisão. E também a primeira vez que sofre humilhações das lideranças do Partido. Quando deixa a prisão, eles a obrigam a assinar uma espécie de "mea culpa". No documento, escrito pela cúpula, ela se assume como agitadora individual e irresponsável.
"Parque Industrial", primeiro romance de Pagú,  cuja edição foi patrocinada por Oswald, sai, em 1933, assinado por Mara Lobo. Apesar de ser um romance de conteúdo proletário, todo centrado na vida das operárias das indústrias paulistanas, Pagú é proibida pelo partido de assiná-lo com o seu nome. Daí o pseudônimo. Mais uma vez, ela diz "sim" pela causa. Note-se, sob o ponto de vista literário, que o romance é escrito numa linguagem avançada e ousada para a época.
"Na grande penitenciária social os teares se elevam e marcham esgoelando.
Bruna está com sono. Estivera num baile até tarde. Pára e aperta com raiva os olhos ardentes. Abre a boca cariada, boceja. Os cabelos toscos estão polvilhados de seda.
- Puxa! Que este domingo não durou... Os ricos podem dormir à vontade.
- Bruna! Você se machuca. Olha as tranças!
É o seu companheiro de perto.
O chefe da oficina se aproxima, vagaroso, carrancudo.
- Eu já falei que não quero prosa aqui!
- Ela podia se machucar...
- Malandros! É por isso que o trabalho não rende! Sua vagabunda!
Bruna desperta. O moço abaixa a cabeça revoltada. É preciso calar a boca!
Assim, em todos os setores proletários, todos os dias, todas as semanas, todos os anos.
Nos salões dos ricos, os poetas lacaios declamam:
- Como é lindo o teu tear!
(Trecho de "Parque Industrial")
Mas o Brasil já estava pequeno demais para Pagú. Era preciso sair um pouco. Era preciso saber se a Rússia, de fato, estava cumprindo os ideiais que ela, Pagú, abraçara. E é assim que ela embarca para o exterior, deixando o filho sob os cuidados de Oswald. Passa a enviar correspondência para diversos jornais brasileiros. Estados Unidos. Japão. China. Na China entrevista Freud. Da China envia para o Brasil as primeiras sementes de soja. Da China segue para a Rússia. Decepciona-se com o que vê. De Moscou para Paris. Em Paris, com nome falso de Leonnie, milita no Partido Comunista Francês. É presa. E por muito pouco não acaba deportada para a Alemanha nazista, o que seria sua sentença de morte. E isto só não ocorreu por conta da interferência do embaixador brasileiro Sousa Dantas.
Volta ao Brasil. Seu "Sambinha", como ela chamava Oswald, virou tango. O casamento estava acabado. Pagú, porém, não para. Escreve para o jornal A Platéia. Por pouco tempo. Há uma ordem de prisão contra ela. Condenada a dois anos. Foge do presídio. É presa novamente. E torturada. O rosto bonito da menina de olhos moles não é mais o mesmo.
"Escrevo o retrocesso constatado no dia de hoje. Não consigo viver a vida artificial dos últimos dias em que me dissolvia na prisão. onde é que eu ia buscar o entusiasmo senil pelo lúmpen quando a própria lama hoje me decepciona?"
(trecho de carta enviada ao futuro marido, o jornalista Geraldo Ferraz)
A pena de dois anos vai se esgotar. O interventor federal Adhemar de Barros, político populista, que teria dado origem ao famoso jargão "ele rouba, mas faz", visita o presídio. As presas estão perfiladas. O diretor anuncia o nome de uma por uma. A anunciada se aproxima do interventor e lhe estende a mão para o cumprimento.
- Patrícia Rehder Galvão - anuncia o diretor.
A anunciada permanece imóvel. O interventor aproxima-se. Estende-lhe a mão. Ela se nega a fazer o mesmo. E diz:
- Não dou a mão para interventores.
A pena que já estava cumprida é prorrogada por mais dois meses. Quando Pagú deixa o presídio, está pesando 44 quilos e decepcionada com o Partido. Em crise, ela tenta o suicídio. Mas acaba encontrando em Geraldo Ferraz o equilíbrio que precisava para se manter viva. Volta à atividade jornalística.
Em 1945 lança novo romance, A Famosa Revista, escrito em parceria com Geraldo Ferraz.
Escreve compulsivamente para diversos veículos. Tem mais um filho, Geraldo Galvão Ferraz, que se tornará também jornalista e crítico de artes. Sai candidata a deputada pelo Partido Socialista Brasileiro em 1950. Não se elege.
Em 1952 frequenta a Escola de Arte Dramática de São Paulo, levando seus espetáculos a cidade de Santos. Ligada ao teatro de vanguarda apresenta a sua tradução de A Cantora Careca de Ionesco. Traduziu e dirigiu Fando e Liz de Arrabal, numa montagem amadora onde estreava um jovem artista Plínio Marcos.
É conhecida como grande animadora cultural em Santos, onde passa a residir. Dedica-se em especial ao teatro, particularmente no incentivo a grupos amadores.
  Também dedica-se ao teatro. Descobre talentos, entre eles o dramaturgo Plínio Marcos, autor de peças antológicas, como "Navalha na Carne" e "Dois perdidos numa noite suja". Mas as prisões, as torturas e o excesso do cigarro lhe acabaram com a saúde.
A viagem para a França onde fez uma cirurgia para extirpar um câncer foi infrutífera.  Pagú, a menina dos olhos moles, morreu aos 52 anos, em Santos, no dia 12 de dezembro de 1962.
Sua literatura já foi tema de dissertações de mestrado.
* No livro A "moscouzinha" brasileira: cenários e personagens do cotidiano operário de Santos (1930 - 1954). São Paulo, Humanitas, 2007 é retratado a truculência da policia Marítima de Santos em um comício na Bacia doMacuco em 1931 que contou com a participação de Patrícia Galvão e resultou na morte do ensacador Deoclécio, militante do Partido Comunista Brasileiro.
Em 2004, a memória de Pagú foi salva pela catadora de rua Selma Morgana Sarti, em Santos. A catadora encontrou jogados no lixo fotos e documentos originais da escritora e do jornalista Geraldo Ferraz, seu último companheiro. Entre os achados, estava uma foto de Pagú, com dedicatória para Geraldo.
No cinema e na televisão foi interpretada por Carla Camurati no filme "Eternamente Pagú" (1987) e Miriam Freeland na minissérie "Um Só Coração" (2004).
NOTHING
Nada, nada, nada
Nada mais do que nada
Trouxeram-me camélias brancas e vermelhas
Uma linda criança sorriu-me quando eu a abraçava
Um cão rosnava na minha estrada
Abri meus abraços aos amigos de sempre
Poetas compareceram
Alguns escritores
Gentes de teatro
Birutas no aeroporto
E nada
(poema escrito por Pagú, um dia antes de viajar para Paris)
 
 
 
 
 
 
 
| Paypal (seguro y permite diferentes formas de pago) | |
| Microdonación de 2 euros | Donación de importe libre |