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Para quando os homens ao lado das mulheres?
Nos países avançados a violência machista é crime. Daí que alguns movimentos inscrevam a inclusão dos homens na discussão deste problema, visto que em 99% dos casos é deles que parte essa violência.
Ana Barradas | Para Kaos en la Red | 8-3-2010 a las 15:53 | 785 lecturas
www.kaosenlared.net/noticia/para-quando-os-homens-ao-lado-das-mulheres
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A luta feminista pela igualdade de direitos tem ganho algum terreno em certos meios e inclusive forçou governos e instituições a integrar nos seus programas e planos de acção componentes visando a promoção da condição feminina.

Embora de eficácia duvidosa, essas medidas despertam a cidadania para uma questão latente de que há décadas nem sequer se dava conta. A violência machista passou a ser criminalizada e é talvez, de todas as campanhas, aquela que mais impacto obteve na opinião pública. Daí que alguns movimentos sociais inscrevam nas suas actividades a inclusão dos homens na discussão deste problema, que lhes diz particularmente respeito, visto que, em 99 por cento dos casos, é deles que parte essa violência.

Mas isto é em países mais avançados do que o nosso. Aqui ainda não chegou essa inovação. Nenhuma organização se lembrou ainda de convocar os homens dos diferentes colectivos, associações e comités para uma discussão sobre a relação entre esses mesmos movimentos, a percepção da masculinidade e a dominação patriarcal. Isto é, ainda não se reconheceu que as atitudes machistas se reproduzem também no seio dos movimentos sociais.

Hoje a maioria dos homens minimamente esclarecidos manifesta-se moralmente contra a violência machista e esse é sem dúvida um êxito do movimento feminista. Mas a violência masculina não tem uma expressão apenas ‘física’, a ‘igualdade legal’ não eliminou a desigualdade e a discriminação quotidiana.

Os comportamentos patriarcais continuam a revelar-se nas relações afectivas, familiares, laborais, etc. e também nas lutas, actividades e práticas sociais, em que o combate ao patriarcado nunca se coloca como tarefa comum e imediata, como se fosse um problema exclusivo das mulheres e a elas entregue para resolução. Tais resistências têm a ver com o receio machista de perda de privilégios e não encontram qualquer justificação lógica, visto que se sabe perfeitamente que, sendo uma característica intrínseca ao capitalismo, as práticas patriarcais só perderão ímpeto quando forem atacadas de frente e assumidas como objectivos a combater no âmbito programático geral.

Será preciso dar mais esse passo que consiste em pôr os homens diante da reflexão que ainda não socializaram: que fazer nas relações quotidianas, nos colectivos, nas lutas sociais e económicas, para evitar que as relações patriarcais continuem a reproduzir-se? Como acabar com a cumplicidade com o sexismo? Como integrar os activistas no movimento pela igualdade, ao lado das mulheres e contra a opressão machista?

 
 
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