Panorama da Semana:Afeganistão, Honduras, corrupção, demissões e Fora Rodas!
Mais um escândalo de corrupção, agora envolvendo o DEM expõe mais uma vez toda a podridão existente no Congresso Nacional. O novo esquema, muito semelhante ao “mensalão” é liderado pelo governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DF). Este esquema é de longa data e existe desde 2005, quando Arruda ainda não era governador do Distrito Federal.
O esquema era de arrecadação e distribuição de propina para deputados do DF da base aliada de Arruda. Há o envolvimento de diversos membros do governo, como secretários e quase metade dos deputados da Câmara Legislativa. Há outros partidos envolvidos como PMDB, PSDB, PMN, PP, PRP, PSB e o PPS que ocupava a Secretaria da Saúde e que recebeu denúncia de chantagem com uma empresa para manter um contrato de R$ 19 milhões.
Entre os envolvidos há figuras como Benício Tavares que foi acusado em 2004 por envolvimento com o turismo sexual no Amazonas com crianças e adolescentes. Tavares é conhecido por ter como base eleitoral portadores de deficiência física.
O escândalo veio à tona com vídeos que foram divulgados pela imprensa burguesa em que Arruda e outros membros do DEM, empresários e secretários recebem dinheiro de propina. Os vídeos foram feitos por Durval Barbosa, secretário de Relações Internacionais de Arruda e também presidente da Codeplan, empresa do DF. Barbosa fez os vídeos com o conhecimento da Polícia Federal para tentar diminuir a pena de diversos processos que estão em andamento na Justiça. Nos vídeos, deputados, empresários aparecem guardando dinheiro por dentro da calça, meias, cueca etc.
O esquema consistia em pagamento a deputados para a aprovação de projetos que beneficiassem empresas do Distrito Federal. Em um dos vídeos, por exemplo, o governador oferece R$ 400 mil para a base aliada na Câmara Legislativa. Há outros vídeos em que outros valores são pagos como R$ 200 mil entregue para o vice-governador e presidente do DEM no DF, Paulo Otávio, que é dono de uma das maiores empreiteiras da cidade.
A direção do DEM tentou aparentar surpresa diante da situação e cogita a expulsão de Arruda do partido para tentar dar veracidade à sua cínica e grotesca campanha de que o bloco governista seria corrupto e a opoição de direita os sacedortes da moralidade pública, mas o governador se diz inocente. Chegou-se ao ridículo de justificar o recebimento do dinheiro para a compra de panetones (!!!). Diante da expulsão Arruda declarou, “Eu me recuso a aceitar o desligamento. Seria o reconhecimento antecipado de culpa e eu tenho defesa. Acho que tenho condições de mostrar minha inocência e ganhar as eleições”. Arruda já havia aparecido como um dos principais envolvidos na fraude do painel eletrônico do Senado em 2001 em que ACM era o principal envolvido no esquema.
O fato do DEM estar no centro dos holofotes deste novo “mensalão”, só evidencia que este é o funcionamento natural do regime burguês no País. Este é apenas um dos muitos esquemas que existem como norma e não exceção nas Câmaras de Vereadores, Legislativa, prefeituras, Congresso Nacional etc.
Esta evidente também a decadência política do DEM, ex-PFL, fato que já foi apontado por este jornal quando da mudança de nome do partido. É na verdade resultado da política dos partidos da burguesia. Arruda é o único governador do DEM em todo o país.
Assim como neste caso e em outros é necessário a “luta contra a corrupção” ou contra um ou outro deputado “desonesto”, como quer apresentar o PT, o Psol e outros supostos opositores desta política. Querem na verdade maquiar a podridão do Congresso “mensalão” com esta política de conivência com toda a podridão que existe na política nacional. É necessária uma luta direta contra todo o regime político, a derrubada de todas as instituições corruptas e que derrube por terra esse esquema que serve para saquear a população aumentando ainda mais sua exploração. Uma política de massas que tenha como perspectiva a defesa dos interesses dos trabalhadores e da população pobre explorada. Um governo dos trabalhadores da cidade e do campo.
Mais tropas no Afeganistão: a ruína de Obama
Depois de oito anos de guerra no Afeganistão, a crise está se aprofundando. Na última semana, o presidente Obama declarou que vai mandar mais 35 mil soldados para o País em caráter de urgência. E ainda há a previsão de que em fevereiro do próximo ano outros 21 mil soldados também desembarquem no Afeganistão.
O aumento de tropas é um claro sinal da fraqueza do imperialismo no país. Revela, também, a debilidade do governo Obama para controlar a crise. O aumento de tropas é uma exigência dos comandantes militares norte-americanos, da CIA e do Pentágono e Obama, ao contrário do “prometido” na campanha eleitoral, está seguindo à risca estas exigências. Ao mesmo tempo, Obama faz outro discurso para os descontentes com a guerra. Diz que esta política é para fazer com que a guerra acabe mais rápido e permita que as tropas saiam o quanto antes. O fato é que Obama está aprofundando a política de guerra e não tentando acabar com ela, seguindo a receita utilizada no Vietnã e no Iraque, antes do colapso. Atualmente existem pouco mais de 100 mil soldados a serviço do imperialismo de várias nacionalidades no Afeganistão. Com o novo contingente que será enviado, o número de soldados norte-americanos vai ser de quase 100 mil e com as tropas de estrangeiras vai atingir 140 mil.
Quanto maior o número de soldados no Afeganistão, maior também o número de mortos tanto civis como de soldados. Esta situação tente a provocar um acirramento maior do conflito e não a sua resolução.
Obama está praticamente colocando o pé na lama sozinho. Das tropas aliadas da União Européia, praticamente nenhuma anunciou o envio de mais soldados para o Afeganistão. A exceção, mas também muito tímida, veio do governo de Gordon Brown que vai enviar 500 soldados, uma mera aparência.
Os efeitos políticos do aumento de contingente também devem ser desastrosos. Tanto internamente como externamente ao Afeganistão. A insurgência dos afegãos deve aumentar e o conflito ficar ainda mais duro. Com isso elevar e muito o número de civis mortos. O número de soldados mortos também tende a aumentar, pois este ano as baixas já foram recorde. Foram 40% mais mortos em 2009 que em 2008, cerca de 300 soldados norte-americanos. Este número é praticamente um terço do número de mortos dos oito anos de guerra, quase 1000.
Já a situação política para o governo Obama também tende a se agravar. Há um repúdio muito grande por parte da população dos Estados Unidos. Em pesquisa publicada recentemente, mais de 55% se posicionaram contra a guerra. O repúdio à guerra também se transfere para Obama que foi eleito com o slogan de “mudança”, mas que está seguindo à risca a política de Bush e até mesmo aprofundando-a. Tanto que está praticamente seguindo as ordens dos militares. É uma verdadeira traição às expectativas do povo geradas durante as eleições de que Obama representava uma política totalmente diferente da política genocida de Bush. O envio de mais tropas só vai aumentar o genocídio.
Em parte a oposição à guerra se deve ao enorme número de baixas que provoca, mas há também o altíssimo custo que acarreta aos cofres públicos. São gastos atualmente cerca de 10 bilhões de dólares mensais para manter a guerra. Com as novas tropas haverá um gasto extra de 30 bilhões. Obama conseguiu o feito de gastar mais que Bush, 20 bilhões a mais.
Este é um sinal de que a guerra não tem uma data muito definida para acabar, ainda mais porque no plano apresentado por Obama, a retirada total só vai acontecer em 2013, ou seja, final do mandato, mas são apenas previsões. Esta guerra tem mais de oito anos e os desdobramentos daqui para frente podem ser muito piores.
Eleições farsa em Honduras
As eleições fraudulentas realizadas em Honduras dão mais um sinal da dimensão da crise. Após o golpe militar financiado pelo imperialismo contra Manuel Zelaya e a onda de manifestações que se seguiu com inúmeros confrontos entre a população hondurenha e o governo golpista, agora os Estados Unidos estão apresentando outro golpe, novas eleições presidenciais para tentar depor Zelaya por vias “institucionais”. Realizadas no último dia 29, as eleições foram um evidente sinal do fracasso da política imperialista em Honduras.
A fraude que foram essas eleições podem ser apontadas por diversos aspectos. O primeiro deles é sem dúvida alguma o aval incondicional de ninguém menos que o governo norte-americano, como noticiou o jornal El País, “(...) o governo dos Estados Unidos reafirma a posição manifestada nos últimos dias no sentido de que estas eleições eram uma grande oportunidade para ultrapassar a crise aberta pela destituição por militares do presidente Manuel Zelaya, um político na órbita do presidente venezuelano Hugo Chávez” (EL País, 1/12/2009). Juntamente com o governo Obama, também se manifestaram favoráveis às eleições o governo da Colômbia e o governo do Peru, os mais alinhados com o imperialismo norte-americano.
Em segundo lugar, há o fato de que foram eleições com baixíssimo número de votantes. Segundo informações extra-oficiais, o comparecimento foi menor que 30%, ou seja, uma abstenção da esmagadora maioria, mais de 70% da população de Honduras não compareceram às urnas, pois sabiam se tratar de mais um golpe.
Há também o fato de que a maioria dos governos sulamericanos não reconhecerem, pelo menos formalmente, o novo governo. Brasil, Venezuela, Bolívia, Argentina, Chile, Equador e Nicarágua declararam que não reconhecem estas eleições. Para estes países seria necessário a volta de Zelaya e o término de seu mandato para que novas eleições fossem realizadas.
Como a operação dessas eleições farsa deixou muito evidente o golpe. Cogita-se agora que Zelaya retorne ao seu posto e termine seu mandato até o dia 27 de janeiro para então passar a faixa presidencial para o novo golpista. Mais uma farsa que serve apenas de consolo em meio a imensa crise política.
Ao contrário de produzir alguma estabilidade para o País, dando alguma aparência de que tudo voltou “ao normal”, como quer o imperialismo, as eleições vão aumentar as tensões. O baixo número de votantes é um exemplo. O novo presidente, Profírio Lobo, do Partido Nacional, apoiador do golpe, ou seja, eleito na verdade pelos golpistas, já vai assumir sem nenhuma autoridade perante a população de Honduras. Vai tentar governar sob uma forte oposição popular. As eleições ao invés de apagar o “fogo” vai colocar mais “lenha na fogueira” acirrando as contradições e aumentando as tendências revolucionárias.
Burocracia sindical e as demissões em massa
Enquanto o governo Lula apresenta insistentemente a economia brasileira como a mais perfeita de todo o planeta, os trabalhadores continuam sendo os mais atacados. Isso com a total conivência da burocracia sindical.
As demissões em massa continuam acontecendo de maneira sistemática. Nesta última semana foram denunciados dois casos que exemplificam como a burocracia sindical atua em conjunto com o governo para atacar os trabalhadores.
Um dos casos mais escandalosos da história do movimento operário brasileiro acontece na Embraer. O imobilismo consciente da burocracia do Sindicato de São José dos Campos, comandado pelo PSTU/Conlutas não contente com a demissão de 4.273 mil trabalhadores de uma única vez, anunciados em fevereiro deste ano, está permitindo que outros 1.000 trabalhadores percam seus empregos sem nenhum tipo de oposição, protesto etc.
Segundo o próprio Sindicato de São José dos Campos cerca de 200 trabalhadores estão perdendo seus empregos todo mês, por meio de rescisão contratual. Isso desde fevereiro de 2009, após as mais de 4 mil demissões. Nesta empreitada também participa a central sindical patronal Força Sindical que dirige os sindicatos de São Paulo e Botucatu.
Outro caso acontece na Usiminas, onde a burocracia está assistindo passiva as demissões que a empresa está promovendo. Segundo o Sindicato de Cubatão, a Usiminas está promovendo a demissão de mais de 1.300 trabalhadores em 2009. Primeiro começou a demitir aos poucos, cerca de 20 a 30 trabalhadores diariamente. Essa operação já a partir de janeiro de 2009. Em meados de maio, após ter dispensado mais de 500 trabalhadores de um total de 5,5 mil da unidade de Cubatão, a manobra da empresa foi a criação de um PDV (Plano de Demissão Voluntária). O PDV é a demissão propriamente , mas aparece disfarçada de “voluntária”, pois seria o trabalhador que escolhe e não o patrão. Este PDV pretendia demitir 810 trabalhadores, mas apenas 516 trabalhadores que aderiram ao plano. Então, mediante este resultado, a empresa anunciou que iria demitir até atingir os 810 necessários. Então a farsa ficou evidente, é tudo demissão.
Mas a política de demissão dos patrões é notória. O que ficou evidente mesmo com estas demissões é a total submissão das direções sindicais a esta política em não mexerem um dedo para impedir este ataque frontal às condições de vida dos trabalhadores.
O caso da Embraer é exemplar para analisar como a burocracia sindical, neste caso do PSTU/Conlutas, não está nem um pouco preocupada com os trabalhadores. Mesmo depois que mais de quatro mil trabalhadores foram demitidos de uma única vez não houve nenhuma greve, ocupação de fábrica ou sequer qualquer pressão real contra a direção da empresa. Essa política revela que estas organizações estão a serviço dos interesses patronais e não a serviço da luta dos trabalhadores que ficam renegados à própria sorte. É necessária uma política independente e classista dos trabalhadores que defenda incondicionalmente o seus interesses e reivindicações de maneira intransigente. Organizando uma luta real contra os patrões, com greves, mobilizações e ocupações de fábricas como medida real para acabar com as demissões.
Crise aberta - Fora Rodas!
Por fim, há o caso não menos importante da crise instaurada na maior e mais importante universidade brasileira, a USP. Com a eleição fraude para o novo reitor, João Grandino Rodas, que foi na realidade empossado no cargo por apenas um voto, o do governador de São Paulo José Serra (PSDB) expõe de maneira incontestável a verdadeira ditadura que existe na universidade.
Com a greve e toda a mobilização do primeiro semestre protagonizada pelos estudantes, onde as reivindicações foram a saída imediata da reitora Suely Vilela e a retirada da PM do campus, houve uma clara evolução para o questionamento de todo o regime de poder dentro da USP.
Após o repúdio total às eleições e agora com a escolha de Rodas por Serra, os estudantes estão se mobilizando no sentido de opor ao sistema completamente anacrônico que existe na universidade.
Ciente de que não é bem vindo, o novo Reitor está tentando aparecer como o mais democrático que já existiu em toda a história da USP. Está sendo apresentado por meio da imprensa interna da universidade e também pelas entidades de professores, funcionários e estudantes como uma pessoa aberta ao diálogo. Rodas já realizou reuniões com todos estes setores e a intenção é clara, bloquear a enorme oposição que existe a sua figura e ao seu cargo de reitor da USP.
Já declarou que vai ouvir os estudantes e que vai até mesmo devolver o prédio onde atualmente funciona a reitoria para os estudantes do Crusp (Conjunto Residencial da USP), prédio que foi retirado há décadas pela direção da universidade.
A total submissão destas entidades, aqui todas representadas no “Bando dos Quatro” (PT-PCdoB-Psol-PSTU), é evidenciada com o fato de que nenhuma destas se mostrou contrária ao Reitor. Enquanto que militantes da AJR (Aliança da Juventude Revolucionária) e estudantes independentes organizaram um ato pela saída do novo reitor, em 26 de novembro, toda a burocracia estudantil estava empenhada em recolher votos para as eleições do DCE (Diretório Central dos Estudantes). Professores e funcionários sequer convocaram o ato.
Todas as organizações do Bando dos Quatro, do PSTU ao PT, incluindo aí a direção do Sintusp rejeitam claramente levantar a bandeira do “fora Rodas”. A política de apoio ao indicado de Serra, ao regime de ditadura que vigora na universidade e ao próprio PSDB de Serra é cristalina.
É evidente que a política de Rodas, de conciliação com toda essa burocracia, seja dos professores, funcionários e principalmente dos estudantes é uma tentativa de sufocar o movimento estudantil combativo que está se organizando contra o reitor. Para, dessa forma, poder atacar muito mais os estudantes e a universidade.
A tentativa de diálogo aceita por essas entidades é na verdade de conciliação e de colaboração, pois esta é a política do Rodas, do PSDB e não dos estudantes. Vale lembrar que o “Fora Rodas!”, já havia sido levantado quando os estudantes entraram em greve pelo “Fora Suely!”, pois Rodas é o professor da Suely, é o elaborador, é o cabeça de toda esta política repressiva e ditatorial que existe na universidade. Foi ele que expulsou e prendeu estudantes na universidade São Francisco e implantou a medida que permite a PM entrar no campus a qualquer momento. Ele é um dos principais representantes das fundações privadas na universidade e já declarou que não tem nenhuma objeção em implantar o ensino privado na USP.
Não lutar pelo Fora Rodas!, e adotar a política de “diálogo” com o interventor de Serra na universidade é se colocar à reboque da política do PSDB.
Os estudantes e trabalhadores da USP devem lutar pelo “Fora Rodas!”, contra a escolha de nenhum reitor por Serra.
Abaixo a ditadura da universidade!,
Por uma estatuinte livremente convocada por estudantes, funcionários e professores!,
Total autonomia diante dos governos burgueses e o Estado capitalista!, Fim da monarquia!,
Por um governo tripartite de estudantes funcionários e professores proporcional, ou seja, com maioria estudantil!
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#1.- SÍTIO CALDEIRÃO: UM GENOCÍDIO 72 ANOS NA IMPUNIDADE
OTONIEL AJALA DOURADO|08-12-2009 13:26
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