Berta Macias e Amílcar Sequeira visitaram recentemente a Palestina e Israel em representação do Tribunal Mundial sobre o Iraque – Audiência Portuguesa, integrados numa delegação de que faziam também parte membros do Conselho Português para a Paz e a Cooperação, da CGTP e do Movimento Democrático de Mulheres. Durante a visita de quatro dias, foram estabelecidos contactos com diversas organizações de resistência.
Em que consistiram os vossos contactos?
Em Ramalá tivemos reuniões com sindicalistas e também com representantes de cinco partidos. Estes partidos estão a constituir um bloco para que na OLP haja uma frente abrangente que dispute as eleições aos dois grandes (o Hamas e a Fatah). Depois reunimos com parlamentares da Fatah e do Hamas. Em Hebron, com membros de cooperativas, camponeses e sindicalistas. Em Tel Aviv reunimos com duas organizações de mulheres, uma contra a violência e outra constituída em comité pela paz. Infelizmente, não pudemos ir a Gaza.
Quais os problemas na Cisjordânia?
Os colonatos: há cerca de meio milhão de colonos, mais de metade dos quais na zona envolvente de Jerusalém e estão planeadas para breve mais 5500 novas casas. Com o derrubar das casas de palestinianos para expansão dos colonatos, qualquer dia a Cisjordânia estará dividida em duas partes.
As estradas tradicionais estão cortadas por serem atravessadas por outras principais utilizadas apenas por israelitas, o que dificulta os acessos entre localidades ou aos terrenos de cultivo. A estrada 443, uma das vias principais, em alguns lugares está muralhada dos dois lados.
Para complicar as coisas, o muro, que já tem 300 quilómetros, divide tudo: povoações cercadas, aldeias separadas dos terrenos agrícolas, etc. Há cerca de 385.000 colonos entre o muro e a linha verde, dentro da Cisjordânia, habitada por 2,5 milhões.
Outro problema são os 635 checkpoints espalhados por todo o território. A Autoridade Palestiniana só conseguiu acabar com um.
Como vivem os trabalhadores?
Por alturas da primeira guerra do Golfo, trabalhavam em Israel 215 mil palestinianos a viver na Cisjordânia. Em 2003, na altura da guerra do Iraque, havia 90 mil. Hoje só dão trabalho a 8 mil. O resto vem de África, Ásia e América do Sul. Em Gaza há 85% de desemprego, na Cisjordânia 62% e em Jerusalém 44% da população está desempregada.
Os camponeses também têm a maior dificuldade em sobreviver. A caminho de Hebron, vimos olivais cortados pelos israelitas, a pretexto de razões de segurança. Na visita guiada que fizemos pela cidade, a segunda maior da Cisjordânia, vimos como os 400 colonos israelitas ocupam o centro da cidade, bloqueiam os acessos, e estão guardados por mil polícias que exercem todas as arbitrariedades. Uma farmácia ficou fechada do outro lado do gradeamento.
E os refugiados?
Pois, há a questão dos refugiados e o direito de regresso que reclamam. Há mais de 5 milhões de palestinianos refugiados, mais de 4.600.000 só no Médio Oriente. Em Gaza a maior parte da população são refugiados.
Mas... e as resoluções da ONU?
Desde 1947, todas as resoluções foram ignoradas por Israel.
Qual a impressão central que retiram desta visita?
Que a realidade é muito mais dura do que se possa imaginar. Julgávamos estar informados sobre o que se passa naquela região e de facto muito do que vimos não foi novidade, mas a verdade é que ficámos chocados com a intensidade do sofrimento e provações dos palestinianos.
Podem dar um exemplo?
Há muitos, mas um dos mais chocantes foi a história de um camponês da Cisjordânia que, estando no campo com um filho de seis anos, nos primeiros dias de Janeiro, foi abordado por militares israelitas que, depois de o matarem, mandaram embora a criança. O menino, apavorado, foi a correr para a aldeia, mas pelo caminho ainda teve os cães do colonato próximo açulados contra ele. Hoje é um avô de 80 anos que toma conta dele.
Como caracterizam então o regime social e político criado por Israel?
É um regime de tipo autoritário e discriminatório, baseado na violência, na repressão e numa política de apartheid e limpeza étnica plenamente assumida. Se querem ver o fascismo ao vivo, visitem Israel e a Palestina.
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#1
08-05-2009 16:29
hay una version en castellano??
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