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Palestina-Brasil:A Luta Continua
Trabalhadores sem-terra assassinados e Latifundiários impunes em Rondônia.As manifestações reacendem processo revolucionário na Palestina-Terceira Intifada.
Causa Operária | 21-3-2010 a las 15:25 | 616 lecturas
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Protestos da população palestina contra a construção de assentamentos em suas regiões são o primeiro passo para uma nova etapa de lutas revolucionárias do povo palestino

Protestos de palestinos realizados em Jerusalém Oriental na última semana devido à retomada da construção dos assentamentos para colonos judeus, fizeram com que Israel fechasse o acesso à região a palestinos com menos de 50 anos.Os protestos foram organizados pela Autoridade Nacional Palestina e a oposição dirigida pelo Hamas. A repercussão destes protestos causou um "mal estar" entre os Estados Unidos e Israel, pois prejudicou a tentativa do imperialismo de controlar a situação na Palestina sem causar nenhum confronto direto.

Com esta crise instaurada, o Hamas já convocou o povo palestino a se insurgir e deu início a um processo de características revolucionárias que pode ser considerado uma terceira intifada. Em declaração feita por um dos líderes políticos do Hamas, a intenção de partir para o confronto é bastante clara: “tem de haver um plano de longo prazo para confrontar estes planos sionistas. A Intifada deve ter a participação de toda a sociedade palestina. Todos têm de se erguer contra as forças de ocupação”.

Terceira intifada

Os sinais de que está em marcha uma terceira intifada palestina já estão despontando. Nos protestos realizados na última semana, estudantes e trabalhadores palestinos entraram em confronto com a polícia israelense, lançando pedras, incendiando caixotes de lixo e pneus, lembrando muito os conflitos da primeira e da segunda intifada palestina.A retomada das construções em áreas palestinas, motivo do recente conflito, não foi o único responsável pelo levante popular. Foi, na realidade, o estopim de uma crise que vinha se aprofundando consideravelmente nos últimos meses. Em fevereiro, o governo israelense declarou como sendo patrimônio nacional judeu o túmulo dos Patriarcas, no centro de Hebron e outro, localizado próximo a Belém, o túmulo de Raquel. Estes são dois locais sagrados para o Islã e foi o fato provocou um descontentamento por parte dos palestinos. Ismail Haniyeh, chefe do Hamas na Faixa de Gaza, devido a estes acontecimentos, já havia, no mês passado, convocado a população palestina da Cisjordânia a uma terceira intifada.

Há meses atrás, em novembro de 2009, a direção conciliadora do movimento nacionalista palestino, o grupo Fatah, organizado na Cisjordânia, havia dito que uma terceira intifada na região era necessária, mas fez ressalvas de que teria que ser por meio de atos pacíficos.

Estes acontecimentos somados aos intensos protestos da semana passada, marcam uma ruptura dos acordos que indicavam uma supressão da luta entre palestinos e israelenses, ou seja, a luta do povo palestino oprimido por anos contra a ditadura sionista que é apoiada de perto pelo imperialismo norte-americano.

Revolução palestina em marcha

Os protestos que aconteceram na última semana foram bastante intensos. Foram constatados pelo menos 100 feridos em confrontos entre palestinos e a polícia israelense nas ruas de Jerusalém Oriental. Destes feridos, mais de 90 eram palestinos e 14 policiais israelenses. De um lado estavam os palestinos com pedras e do outro lado os soldados israelenses armados, utilizando balas de borracha e gás lacrimogêneo contra os manifestantes.Os protestos de palestinos tomaram de assalto as ruas de Jerusalém Oriental no que ficou conhecido como “dia de revolta”, convocado pelo Hamas. Estes protestos ocorreram com maior freqüência na mesquita de al-Aqsa e no campo de refugiados de Shu'fat.A situação evoluiu a tal ponto de que a discussão não é mais realizar novas negociações de paz ou então simplesmente impedir que Israel continue construindo os assentamentos em território palestino, mas promover uma verdadeira revolução em toda a região. Os protestos violentos realizados na semana passada reacenderam o conflito armado entre a resistência palestina e os invasores israelenses.

Crise instaurada

Para acentuar ainda mais a crise, o governo Obama declarou-se contrário à construção dos novos assentamentos judeus na Palestina criticando a intransigência do governo israelense de não recuar diante dos protestos palestinos. Este fato foi suficiente para provocar uma das piores crises nas relações entre Israel e os Estados Unidos, pelo menos nos últimos 35 anos.

O governo Obama, por meio da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, tentou abafar a crise, declarando que existem “laços estreitos e inabaláveis” entre o governo dos Estados Unidos e o governo de Israel. O vice-presidente, Joe Biden, previamente orientado pela secretária de Estado, declarou ser completamente contrário à construção de mais de 1.500 casas israelenses em área palestina na cidade de Jerusalém, precisamente no subúrbio de Ramat Shlomo. Com a invasão da área palestina de Jerusalém e a construção das casas, o plano dos Estados Unidos de estabelecer um estado palestino subordinado a Israel foi seriamente abalado. Para tentar contornar a situação, o governo norte-americano declarou que é necessário que de Israel pare imediatamente de construir as casas e evite o confronto direto. Os Estados Unidos querem uma solução negociada para o conflito palestino e para tanto pressiona o governo israelense a fazer concessões aos palestinos.Como resultado da pressão norte-americana e principalmente dos protestos palestinos, na última quarta-feira, dia 18, o governo Netanyahu anunciou que a construção de assentamentos e a demolição de casas na região palestina iria ser suspensa temporariamente.

Mas a suposta oposição de Obama à construção dos assentamentos pelo governo israelense foi até o momento em que o Hamas convocou a população palestina a se insurgir nas ruas contra Israel. Até então, o governo norte-americano estava ao lado do Fatah, que dirige a Autoridade Nacional Palestina, contra os assentamentos. Obama chegou a declarar sua posição dizendo que “Os aliados podem se desentender algumas vezes. Israel é um de nossos aliados mais próximos, e nós e o povo israelense temos uma ligação especial que não vai se dissolver” (Al Jazeera, 18/3/2010).A situação eminente de uma nova intifada na Palestina também teve desdobramentos em todo o Oriente Médio. Já foi articulada pelo governo iraniano uma reunião entre os 56 países do mundo árabe que fazem parte da Organização da Conferência Islâmica que pode se tornar um pólo de oposição aos Estados Unidos e Israel.

O conflito revelou que a crise na Palestina está se intensificando e um novo conflito de amplas proporções entre a população oprimida dos assentamentos palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza e as forças repressivas israelenses está sendo preparado.

No Brasil, mais sem-terra assassinatos e o direito à auto-defesa

A perseguição aos sem-terra não tem trégua. Na última semana, mais uma denúncia de assassinato de trabalhadores sem-terra foi divulgada. Segundo o jornal Resistência Camponesa, órgão apoiado pela LCP (Liga dos Camponeses Pobres) de Rondônia, o camponês Gildézio Alves Borges foi morto em dezembro de 2009.O assassinato de Gildézio aconteceu no acampamento Flor do Amazonas localizado no município de Candeias do Jamari que fica a 30 quilômetros da capital, Porto Velho.Gildézio já havia sido vítima de atentado de pistoleiros de latifundiários em setembro de 2009 na fazenda Urupá, do latifundiário Raimundo “Metralha”.

Nesta fazenda, o­nde funcionava a Madeireira Urupá, as terras eram de propriedade do governo que tinha liberado para a reforma agrária. Mas o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), ao invés de assentar famílias, passou a vender lotes para os camponeses que ocuparam a terra em 2001. A perseguição dos latifundiários a estas famílias que ocupavam a terra se intensificou desde 2007, quando 28 reintegrações de posses foram emitidas.As famílias desta área ainda foram vítimas de jagunços que atacaram armados as famílias em junho do ano passado, obrigando-as a fugir do local e ateando fogo em barracos e pertences dos camponeses. Mulheres e crianças também foram vítimas de tortura de pistoleiros que tentavam expulsar os sem-terra desta área.Mesmo os criminosos destes ataques tendo sido identificados, nada foi feito. Os responsáveis foram Salim Jones, ex-policial aposentado e o secretário de segurança pública de Rondônia, Cezar Pizzano, o cabeça da operação. Estes criminosos e assassinos continuam impunes. A morte de Gildézio Alves Borges foi obra dos latifundiários da região em aliança com o governo local que tem um histórico de perseguições e assassinatos de sem-terra.

O assassinato de Gildézio deixa novamente em evidência a necessidade de uma campanha nacional em defesa dos sem-terra e pelo direito à auto-defesa destes trabalhadores, que estão sendo dizimados pelos jagunços e pistoleiros dos latifundiários.

Criminosos impunes

Na última terça-feira, dia 16, mais um assassino de sem-terra foi inocentado pela justiça burguesa. O governador de Rondônia, Ivo Cassol (PP) foi julgado por escândalos de corrupção em que envolvia a compra de votos e abuso do poder econômico. Cassol foi absolvido mesmo estando envolvido em caso semelhante aos de outros políticos burgueses que também foram cassados por meio do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e do STF (Superior Tribunal Federal) da forma mais arbitrária possível. Assim como cassaram o mandato de outros governadores, estes tribunais arbitrários absolveram Cassol. Na verdade, a justiça foi usada para cassar aqueles que interessam a uma das alas da burguesia e não para erradicar a corrupção, tarefa que não é sequer realizável.A absolvição de Cassol é bastante oportuna, pois ele é o principal representante dos latifundiários no estado de Rondônia. È um dos políticos mais influentes na região. É um representante dos interesses da burguesia e do latifúndio. Neste caso, fica evidente que as decisões tomadas pelos juízes não são para erradicar a corrupção da política nacional. A corrupção destes julgamentos é apenas um pretexto para favorecer os interesses de determinada ala da burguesia.

 
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