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Os mortos de Andorra
A propósito da morte dos cinco operários portugueses, a trabalhar na construção de uma ponte, em Andorra, em mais um acidente de trabalho.
Vítor Colaço Santos | Para Kaos en la Red | 5-12-2009 a las 21:12 | 855 lecturas | 1 comentario
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A morte é escandalosa. Mais ainda quando se morre a ganhar o pão. Inqualificável quando ocorrida “lá fora”, porque se foi para um sonho e não se sabia o perigo. Os operários portugueses que morreram a trabalhar no túnel de Andorra deixaram de ter nome e passaram a ser número. Um deles esteve metade do dia, doze horas, com as pernas entaladas em ferro e betão armado, sem se libertar das contracções dos músculos, até que… Confortaram-no, colocaram-lhe cobertores por cima dos ombros e deram-lhe ainda palavras, mais bonitas palavras. Os mortos de Andorra são o perfeito exemplo pelo carácter exemplar do abandono, da exclusão, da rejeição que desagua na emigração. Uma jornalista perguntou, estupidamente, a um operário que se salvou: “você tem medo?” – respondeu-lhe, directo e sabedor: “Um gajo tem de ir procurar trabalho onde há trabalho! Em Portugal não o há!”A mão-de-obra portuguesa anda numa viagem antiga, percorrendo nações mais prósperas, ocupando as frentes de trabalho mais duras e sujas, nas linhas de produção mais mortíferas. Os nativos recusam-nas; os portugueses aceitam-nas: a fome e a miséria no seu país são a mais forte aliança de todas as necessidades e de todas as violências.

Os trabalhadores portugueses fizeram e fazem o Luxemburgo, lá são notáveis, reconhecidos e bem pagos, cá são “improdutivos, abstencionistas e mandriões”, diz o patronato. E mal pagos, digo eu.

Os trabalhadores portugueses voltam sempre; enganam o medo, habituados que estão ao roteiro da forçada emigração. Vão das aldeias serranas, das terras frias, fogem à angústia nacional, portadores de uma vontade de ferro e dum chamamento que vem de longe. Onde há pão! Nada nem ninguém protege estes milhares de trabalhadores que deixaram de acreditar, porque desamparados, largados e danificados – desempregados.

Que pensaria aquele pobre operário com as pernas sob toneladas de argamassa? Que pensaria antes de morrer?

 
 
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Comentarios (1)

#1.- na emigración

Nemigo|06-12-2009 00:33

hai outra cara de isa emigración. En portugal non hai traballo ou pode que si. Pero pasa como na españa. Hai traballo pra os de sempre. E os que quedan pois non o exemplo da productividade. Non se derrumba un encofrado só. Algo fallou. Alguén non fixo ben o chollo, non deu ben as instruccións, non supervisou o que se estaba a facer...

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