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O que nos ensina a Grécia
O que tem o têm os revolucionários a aprender com a agitação política e social na Grécia?
António Barata | Para Kaosenlared | 1-3-2009 a las 17:34 | 3106 lecturas
www.kaosenlared.net/noticia/o-que-nos-ensina-a-grecia
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[Traducción al castellano]

São conhecidas de todos as razões que fizeram com que na Grécia o assassinato de um jovem pe­la polícia despoletasse uma onda de violentos e massivos protestos anticapitalistas, ao ponto de colocarem o aparelho repressivo na defensiva e provocarem a demissão de alguns ministros.

Interessa dirigir a atenção para certos aspectos de que a grande imprensa não trata, mas são de grande importância para a definição de uma linha de actuação revolucionária:

1 – Aquilo que a revolta grega prova é que a ins­tabilidade social e política, as lutas radicais e as gre­ves massivas só são prejudiciais para a burgue­sia, não para os explorados. A Grécia, que aderiu à União Europeia ao mesmo tempo que Portugal, apresentava na altura da adesão indicadores de distribuição de riqueza, de desenvolvimento económico e social inferiores aos do nosso país. Há já vários anos que essa situação se inverteu. Por exemplo, os jovens precários que animaram os protestos são lá a geração dos 700 euros. Cá fi­camo-nos pelos 500. E, no entanto, a Grécia é dos países europeus aquele onde a conflitualidade social é maior. Todos os anos acontecem três, qua­tro greves gerais massivas e extremamente com­bativas e são frequentes as manifestações de solidariedade internacionalista, marcadamente anti-imperialistas e anticapitalistas. A repressão policial é brutal, mas não intimida os manifestan­tes, que têm hábitos de autodefesa;

2 – Mais uma vez se confirma que, em mo­mentos de aguda luta social, o campo revolucio­nário, minoritário em tempos de normalidade bur­guesa, engrossa rapidamente quando a situa­ção se inverte e estalam crises sociais. Verifica-se en­tão a deslocação para a esquerda de largos sec­to­res de trabalhadores e de populares, apoiantes ou organizados em partidos e sindicatos refor­mistas, que se radicalizam e aderem aos pontos de vista políticos, ideológicos e práticos dos revo­lucionários.

Na Grécia, nos momentos mais agudos dos pro­testos, viram-se obrigados a vir também para a rua os partidos reformistas (social-democrata, co­munista e uma coligação do tipo BE) e as cen­trais sindicais, quando já alguns sindicatos lhes ti­nham começado a escapar ao controlo. E, quando começaram os confrontos, foram aos milhares aque­les que se juntavam aos blocos revolucioná­rios, desobedecendo às directivas dos reformis­tas;

3 – Muitos no nosso país interrogam-se por­que é que, tendo a Grécia sensivelmente a mesma população de Portugal, tendo os dois países su­portado largos anos ditaduras fascistas e tendo pro­blemas laborais e sociais tão semelhantes (nem sequer faltam os assassinatos de jovens pela polí­cia), cá os protestos não adquirem expressão radical semelhante. A diferença está na existência, na Gré­cia, de um largo sector revolucionário e antica­pitalista, com implantação e capacidade de inter­venção, ainda que minoritário e pulverizado num sem-número de organizações. Lá o reformismo não é avassalador, como no nosso país. E isso faz toda a diferença.

 
 
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