Dois milhões de portugueses vão aumentar este ano o número daqueles que precisam de cuidados psiquiátricos. O Estado português ignora e investe pouco na saúde mental dos portugueses. O ex-ministro contabilista da saúde, Coreia de Campos, defendia a necessidade de reduzir drasticamente os internamentos nos hospitais psiquiátricos. Hoje ter doentes em hospitais psiquiátricos é caro e a reforma da psiquiatria e da saúde mental visa em primeiro lugar poupar dinheiro.
Os hospitais públicos, destinados a prestar Serviço Nacional de Saúde (SNS) aos cidadãos e contribuintes portugueses, não devem visar dar lucro. Todos consideramos que a gestão hospitalar pública deve ser cuidadosa e rigorosa, eficiente, profissional, regida com critério. Deve cortar-se nos privilégios do pessoal de topo mas, em contrapartida, não se pode cortar em despesas essenciais à boa prestação de cuidados de saúde mental.
A lógica de um serviço público é servir adequadamente os cidadãos e sobretudo os mais pobres, porque, no caso dos hospitais psiquiátricos, têm outra fonte de receita indirecta, que serve precisamente para cobrir as diferenças entre as despesas e as receitas: os nossos impostos. Os hospitais psiquiátricos, dentro do actual modelo de SNS, destinam-se a prestar serviço na perspectiva social. A doença é um bom negócio – a doença mental um negócio da China. Mas serviço público psiquiátrico não é um negócio, não pode ser, não deverá ser.
Há um psiquiatra para cada 20.000 habitantes, gasta-se menos de 4% na saúde mental. Existem pouco mais de 20 camas por cada 100 000 habitantes. Uma das políticas deste governo para a saúde mental é a extinção pura e simples do Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda, que já está transformado em asilo. A sua extinção não é acompanhada por quaisquer medidas de compensação… só para poupar dinheiro. A formação dos enfermeiros psiquiátricos em Lisboa é paga pelo bolso dos estudantes.
Investir na saúde mental dos portugueses é investir em recursos humanos, é lutar por mais saúde e qualidade de vida para diminuir o sofrimento das pessoas com diagnóstico psiquiátrico. Assim, seria a melhor forma de poupar muito dinheiro. A psiquiatria não pode ser bastarda da medicina, os psiquiatrizados não podem ser duplamente bastardos!
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