A cimeira do G-20, que reuniu os 20 países mais poderosos, não passou de um grande fiasco. Anunciada com grande pompa, os meios de comunicação e o marketing político “fabricaram” em torno dela um ambiente de grande expectativa. Mas qualquer observador informado sabia que não aprovaria medidas reais de combate à crise.
O que o G-20 confirmou foi que os líderes das grandes economias não fazem qualquer ideia de como se pode combater a crise económica mundial, que todos desconfiam uns dos outros, que a França e a Alemanha acham que devem ser os EUA a pagar a fatia maior da crise e que estes acham o contrário. Sabe-se que há um problema de liquidez do sistema financeiro, que é necessário injectar dinheiro nas economias, mas ninguém sabe quantificar quanto, nem se os milhões disponibilizados vão chegar e produzir qualquer efeito. Sabe-se que o proteccionismo pode agravar a crise, mas nenhum país está disposto a abrir, sem mais, o seu mercado às mercadorias dos outros.
Assim, dizer que os paraísos fiscais, a banca e a actividade financeira vão ser regulados e fiscalizados, que se vai aumentar o orçamento do FMI para que este possa acudir aos países mais debilitados, que se vão moralizar os salários dos gestores, etc., é mera retórica para disfarçar a falta de soluções. Podem aparecer umas tantas medidas cosméticas e apelos, mas a verdade é que o sistema capitalista não é regulável, nem pode ser contido, tal como o provaram de modo definitivo os regimes de capitalismo de Estado saídos da degeneração das revoluções russa e chinesa. O capitalismo é irracional e não domável por natureza. O seu fim é o lucro máximo e o mercado livre o seu ambiente natural. É essa a sua racionalidade, e contra ela jamais se levantarão os senhores do G-20.
De positivo, os combativos protestos nas ruas, com milhares de pessoas a gritar a sua indignação contra o capitalismo e a crise. É por aí que passa a salvação da humanidade.
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