Não se sabe se dá vontade de rir ou de chorar o prémio Nobel da Paz que Barack Obama recebeu. Ele é o principal dirigente dos Estados Unidos, o país que mais exporta armas e, com a economia em crise, uma das suas saídas mais rentáveis tem sido adaptar a indústria armamentista às novas necessidades.
O aumento das bases norte-americanas na América Latina e o ressurgimento da 4ª frota estão a ser boas oportunidades de negócio, mas não há que esquecer os investimentos no Médio Oriente, com guerras abertas ou larvares a requerer abastecimentos constantes que fazem prosperar os vários ramos industriais e de serviços envolvidos. Por exemplo, Israel está muito interessado nos novos modelos dos trimarãs LCS-2 da General Dynamics, que também poderão ser vendidos para os países latino-americanos do golfo do México-Caraíbas e os países árabes do golfo Pérsico, o que cria um conjunto diversificado de dependências em relação à indústria naval dos Estados Unidos.
E há um novo mercado: África. No princípio do ano, o AFRICOM realizou operações conjuntas nos Grandes Lagos, com vista ao desmantelamento das forças rebeldes FDLR, (entre a República Democrática do Congo e o Ruanda), e do LRA (entre a RDC, o Uganda e o Sudão), operações essas que poderão conduzir à formação do embrião dum exército africano sob os auspícios dos norte-americanos, como eles próprios já afirmaram. Depois, de 28 de Setembro a 8 de Outubro, realizaram-se exercícios militares no Gabão – “Africa Endeavor 2009” – envolvendo forças armadas de cerca de 25 países, a maioria dos quais africanos.
Em 2008, o AFRICOM norte-americano já tinha organizado manobras militares nas águas do golfo da Guiné, envolvendo passagens por portos do Gana, Nigéria, Camarões e Angola. Em ambas as operações usou High Speed Vessel 2 (HSV 2) e LCS-2, naios ultramodernos destinados a actividades multifuncionais nos campos petrolíferos offshore, nos bancos de pesca, à entrada dos portos, ou na foz dos grandes rios. No Norte do Uganda, logo a seguir ao exercício no Gabão, o AFRICOM realizou, de 16 a 25 de Outubro, um exercício militar envolvendo forças do Uganda, do Ruanda, do Burundi, da Tanzânia e do Quénia, a pretexto de dar caça ao LRA.
Angola está a reformular a sua marinha.  Agora os Estados Unidos solicitam a instalação no Ambriz de uma base naval, para estes novos navios que poderão também ser adoptados por países africanos tendo em conta o seu baixo preço (depois a factura será maior, com os custos de manutenção e o grau de dependência criado, mas isso só se verá mais adiante).
O aumento da tensão nas fronteiras da RDC-Angola, o conflito no delta do Níger, a proliferação de bases navais norte-americanas na Colômbia e no Panamá, o domínio da marinha ianque e de marinhas aliadas no golfo Pérsico, a intensificação da interferência no Afeganistão e Paquistão... tudo isto cheira muito a petróleo.
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