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Nobel da Paz ou da guerra?
Obama recebe o Nobel da Paz ao mesmo tempo que aumentam as bases norte-americanas na Amé­rica Latina e ressurge a 4ª frota - boas oportunidades de negócio a juntar aos investimentos no Médio Oriente
Kaos.Portugal | Para Kaos en la Red | 14-1-2010 a las 17:46 | 737 lecturas
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Não se sabe se dá vontade de rir ou de chorar o prémio Nobel da Paz que Barack Obama rece­beu. Ele é o principal dirigente dos Estados Uni­dos, o país que mais exporta armas e, com a eco­nomia em crise, uma das suas saídas mais rentáveis tem sido adaptar a indústria armamentista às novas necessidades.

O aumento das bases norte-americanas na Amé­rica Latina e o ressurgimento da 4ª frota estão a ser boas oportunidades de negócio, mas não há que esquecer os investimentos no Médio Oriente, com guerras abertas ou larvares a requerer abaste­cimentos constantes que fazem prosperar os vá­rios ramos industriais e de serviços envolvidos. Por exemplo, Israel está muito interessado nos no­vos modelos dos trimarãs LCS-2 da General Dy­namics, que também poderão ser vendidos para os países latino-americanos do golfo do Mé­xico-Caraíbas e os países árabes do golfo Pérsico, o que cria um conjunto diversificado de depen­dências em relação à indústria naval dos Estados Unidos.

E há um novo mercado: África. No princípio do ano, o AFRICOM realizou operações conjun­tas nos Grandes Lagos, com vista ao desmantela­mento das forças rebeldes FDLR, (entre a Repú­blica Democrática do Congo e o Ruanda), e do LRA (entre a RDC, o Uganda e o Sudão), ope­rações essas que poderão conduzir à formação do embrião dum exército africano sob os auspícios dos norte-ame­ricanos, como eles pró­prios já afirmaram. Depois, de 28 de Setembro a 8 de Outu­bro, realizaram-se exercícios militares no Gabão – “Africa Endeavor 2009” – envolven­do forças armadas de cerca de 25 países, a maioria dos quais africanos.

Em 2008, o AFRICOM norte-americano já tinha orga­nizado manobras militares nas águas do golfo da Guiné, en­volvendo passagens por por­tos do Gana, Nigéria, Cama­rões e Angola. Em ambas­ as operações usou High Speed Vessel 2 (HSV 2) e LCS-2, na­ios ultramodernos destina­dos a actividades multifuncionais nos campos pe­trolíferos offshore, nos bancos de pesca, à entrada dos portos, ou na foz dos grandes rios. No Norte do Uganda, logo a seguir ao exercício no Gabão, o AFRICOM realizou, de 16 a 25 de Outubro, um exercício militar envolvendo forças do Ugan­da, do Ruanda, do Burundi, da Tanzânia e do Qué­nia, a pretexto de dar caça ao LRA.

Angola está a reformular a sua marinha.  Agora os Estados Unidos solicitam a instalação no Am­briz de uma base naval, para estes novos navios que poderão também ser adoptados por países africanos tendo em conta o seu baixo preço (de­pois a factura será maior, com os custos de manutenção e o grau de dependência criado, mas isso só se verá mais adiante).

O aumento da tensão nas fronteiras da RDC-Angola, o conflito no delta do Níger, a prolifera­ção de bases navais norte-americanas na Colôm­bia e no Panamá, o domínio da marinha ianque e de marinhas aliadas no golfo Pérsico, a intensifi­cação da interferência no Afeganistão e Paquis­tão... tudo isto cheira muito a petróleo.

 
 
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