Durante o ano 2008, dous importantes médios impressos escritos integramente e irlandês desaparecérom. O editor dum dos jornais, Máirtín O'Muilleoir, afirmou na altura: 'Perder um diário é umha tragédia, mas perder dous é pura despreocupaçom'. Falamos do estado desta língua celta, especialmente no que diz a respeito dos mídia e outros âmbitos do seu uso público.
Dous diários em língua irlandesa -Lá Nua e Foinse- fecharom as portas durante o ano passado. Isto é sinal da diminuiçom  de uso do irlandês, ou é outra conseqüência da actual crise económica, que está afectando especialmente aos médios impressos?
Janet Müller: É sinal de que é difícil manter um projecto intensivo como é um diário, particularmente no caso de Lá Nua, que era umha publicaçom diária e que nunca contou cum apoio pertinente do Estado durante toda a sua existência.
É muito irónico que o diário, que sem embargo sobreviviu vinte anos, fechara depois do Acordo de Sexta-feira Santa e o Acordo de St. Andrews [de 2006, segundo o que os governos britânico e irlandês pactuam a transferência de competências na Irlanda do Norte], e através da decisom, por parte do organismo para a língua irlandesa em toda Irlanda [Foras na Gaeilge], de deixar de financia-lo. O outro diário, que saía publicado com frequência semanal, volveu agora cumha forma nova, e distribui-se como suplemento semanal cum diário em língua inglesa. Para a comunidade [de falantes de gaélico irlandês] foi terrível perder dous diários em só seis meses, e se bem há alguns desenvolvimentos positivos no campo dos mídia, estes som principalmente impulsionados pola comunidade, mais que através dumha colaboraçom meticulosa e coordenaçom entre a comunidade, os financeiros e os Estados.
Como percebeu essa perda a sociedade irlandesa? Acredita que nom há suporte para mais despesa pública com a língua? Existem diferenças significativas entre os dois lados da fronteira?
Relativamente a esta questom há umha imagem contraditória. Existe um amplo apoio para o irlandês em toda a Irlanda, mesmo entre aqueles que nom tenhem necessariamente a intençom de uso da língua, ou de que os seus filhos a aprendam. No entanto, existe umha história étnica e colonial na República da Irlanda e no Norte, o Governo britânico abandonou e politizou o gaélico irlandês (o caso mais recente foi em 2007 quando nom cumpriu o seu compromisso na Lei língua sobre a língua irlandesa, e usou-na como estratégia de negociaçom com os partidos unionistas) e alguns partidos políticos tenhem alimentado hostilidade para com a língua irlandesa, a fim de parecer mais "forte" entre o eleitorado.
Além disso, as circunstâncias som muito diferentes entre Norte e Sul quanto à língua. No sul, a língua tem umha protecçom constitucional, assim como a Lei das línguas oficiais de 2003. A comunidade está estabelecida há muito tempo, e comparando-o ao norte, tem umha relaçom diferente com o Estado.  Embora o irlandês é umha língua única, as diferenças de situaçom entre o norte e o sul som enormes, e ele deve ser reconhecido.
Foras na Gaeilge anunciou no mes de julho o surgimento de um novo jornal semanal a partir de novembro, vários meses antes prometeu financiar um jornal semanal e um serviço de notícias em linha. Em que estado estám esses projectos? Que mídias tenhem os falantes dei irlandês?
A comunidade começou alguns serviços de notícias, mas sem muito financiamento. Existe um jornal em linha Nuacht 24, e umha nova revista, Nós, nenhum dos quais som financiados polo Estado. Ambos som projectos que utilizam a determinaçom da comunidade. O Governo irlandês tem um canal de televisom em gaélico irlandês, TG4, e umha estaçom de rádio, Raidió na Gaeltacht. Ambos podem ser recebidos no norte do país, embora às vezes com algumha dificuldade, mas nengumha delas recebe financiamento do governo britânico.
Há umha disposiçom do direito pola legislaçom irlandesa em matéria de emissons no norte (em contrapartida, existe para o galês no País de Gales e para Gaélico Escocês na Escócia). Há umha série de estaçons de rádio comunitárias em idioma irlandês no norte e no sul, mas apenas numha emissora local. Nom existe um serviço de rádio com escritórios em toda a Irlanda. No norte, a única disposiçom feita para o irlandês é no financiamento do Fundo para a emissom em língua Irlandesa, um fundo para a produçom de televisom, limitado temporalmente. Termina em março de 2011.
Além da área dos mídia, poderia resumir o conteúdo e o estado das políticas lingüísticas das duas administraçon? Que há da Lei de Línguas da Irlanda do Norte?
No norte, a política da língua está ainda por fazer. Nengum dos partidos nacionalistas [republicanos] tornou-se responsável do Departamento de Cultura, Artes e Lazer da assembleia, e preferírom eleger outros, de modo que foi tomada polo Partido Democrático Unionista (DUP), que se opujo a qualquer lei ou disposiçom relativa à linguagem. Os três ministros consecutivos do DUP desde 2007 mostrárom umha atitude muito negativa para as necessidades de desenvolvimento da comunidade falante de irlandês.
No sul, nom há um compromisso legislativo cumha perspectiva da Irlanda ao completo, e o governo actual publicará em breve um plano de desenvolvimento a vinte anos, tendo em conta apenas umha visom do sul. Ao mesmo tempo, umha comissom do governo irlandês propujo cortes nos gastos públicos de forma desproporcionada em língua irlandesa, embora o Governo actual é mais favorável para o idioma que muitos que o precederam.
Há pouco, a Unesco declarou o idioma irlandês "definitivamente em perigo". Segundo Pobal, o que o irlandês precisa para ganhar falantes e garantir o seu futuro?
Um acordo entre os Estados de promove-lo e protege-lo. Protecçom legislativa adequada. Recursos humanos e financeiros. Umha planificaçom, um marco de políticas e umha infra-estrutura eficaz. O apoio total e activo da comunidade e o seu potenciamento.
Obter a oficialidade e o reconhecimento do estado é o objectivo da maioria dos activistas das línguas minoritárias em perigo porque acreditam que esta é a maneira mais fácil de proteger a língua e, ainda mais importante, a recuperaçom do espaço público. Mas o irlandês na República da Irlanda nom foi um exemplo. Por quê?
Esta é umha questom fundamental, e há várias atitudes, polas que a situaçom no sul é esta.
Quais som as prioridades e acçons actuais de Pobal?
O nosso trabalho tem dous aspectos, apoio e desenvolvimento da comunidade. Nós damos umha orientaçom estratégica para as comunidades nas circunstâncias específicas do norte, e também trabalhamos em toda Irlanda. Acabamos de desenvolver umha estratégia para as artes em língua irlandesa e temos promovido tarefas sobre as necessidades específicas das crianças de falantes de irlandês, na educaçom de imersom no norte e sul. Facemos lobby e potenciamos as comunidades com campanhas a favo da Lei da Língua Irlandesa e de serviços em irlandês.
Fazemos o seguimento da Carta Europeia das Línguas Regionais ou Minoritárias e demais legislaçons internacionais. Apoiamos os nossos grupos de membros, e prestamos aconselhamento e informaçom aos falantes de irlandês sobre um amplo leque de questons. Agora estamos trabalhando para tentar garantir que as pequenas e inadequadas protecçons e disposiçons para o irlandês acordadas sob o acordo da Sexta-feira Santa nom sejam desmontadas, sem garantias nem mecanismos.
Este é um grande desafio, hoje, num contexto político que nom se foca na importância do irlandês e da potenciaçom da comunidade. Ao tempo, a nossa comunidade passou muitas dificuldades, especialmente no norte, aprendeu a confiar em si mesma, e a usar a imaginaçom e determinaçom como a sua principal força. Isto é muito importante, mas deve ficar claro que, dez anos após o Acordo da Sexta-feira Santa, a nossa situaçom em relaçom aos governos irlandês e britânico e à Assembleia do Norte ainda permanecem incertos.
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