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Há 23 anos - Massacre de presos políticos
Há 23 anos os presos do Sendero Luminoso amotinam-se reivindicando melhores condições. O presidente Allan Garcia respondeu com o mais devastador atentado contra o direitos humanos no Peru”
Kaos. Portugal | Para Kaos en la Red | 30-10-2009 a las 17:33 | 661 lecturas
www.kaosenlared.net/noticia/ha-23-anos-massacre-presos-politicos
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A prisão de El Frontón após a ataque

Há 23 anos, na madrugada de 18 de Julho de 1987, os presos políticos do Sendero Luminoso encerrados nas prisões de San Juan de Lurigancho, El Frontón (Lima) e Santa Mónica (Callao), amotinam-se reivindicando melhores condições. Alan Garcia, então presidente, ordena ao exército, à Guarda Republicana e às Forças de Operações Especiais da Marinha que intervenham. À meia-noite, em El Frontón, a marinha apresenta-se para atacar a prisão. O director desta protesta e recusa-se a deixar entrá-los. Em vão. Esta e as outras prisões são atacadas e a rebelião afogada num mar de sangue, o que provocou grande escândalo internacional e nacional. A America Watch classificou a acção como “o mais devastador atentado contra o direitos humanos no Peru, em décadas” ao mesmo tempo que denunciava a matança “a sangue frio de uma grande quantidade de prisioneiros que se haviam rendido”. O Tribunal Internacional de Direitos Humanos responsabilizou Alan Garcia, e a Igreja Católica, num documento intitulado “Massacre das prisões de Lima” relatava: “Em Santa Bárbara – prisão de mulheres – interveio a Guarda Republicana. Os reféns foram libertados e duas reclusas mortas. Em Lurigancho intervieram o Exército e a Guarda Republicana. Ao amanhecer, um refém é libertado e os 124 presos são fuzilados depois de se renderem. Em El Frontón, a operação foi encomendada à Marinha, que bombardeia o Pavilhão Azul todo o dia. Sobrevivem 30 presos, que se rendem. Eram cerca de 200. Durante a acção foi impedido o acesso das autoridades civis: juízes, procuradores, directores prisionais. Tal como à imprensa.

A Comissão da Verdade e Reconciliação afirma que a matança constituiu um ponto de viragem na política antiterrorista, porque Alan Garcia, um social-democrata, tinha mostrado interesse em travar as constantes violações dos direitos humanos cometidas pelas forças armadas, mas a partir daí passou a apoiar a repressão. Novamente eleito, em 2006, Alan Garcia, que havia garantido a impunidade dos autores materiais do massacre, chamou para seu vice-presidente o vice-almirante Luís Giampieri Roja, que comandou o ataque à prisão de El Frontón.

 
 
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