Em Abril Jaime Neves foi promovido a major-general, por proposta do ministro da Defesa e das chefias militares. Recorde-se que este “comando” se notabilizou no período da crise revolucionária de 1974-75, entre outras façanhas, pelo sufocamento da greve da TAP, pela neutralização da sublevação do regimento de pára-quedistas de Tancos, pela ocupação do comando operacional da força aérea em Monsanto e, mais tarde, pelo assalto ao quartel da Polícia Militar em Lisboa – tudo forças afectas ao COPCON e guarda-chuva das movimentações populares daquela época.
Já em 1995 foi condecorado pelo então presidente Mário Soares. Agora, novamente pela mão do PS, o poder novembrista premeia assim, sintomaticamente e 34 anos depois, o operacional do golpe militar contra-revolucionário de 1975. A mensagem que querem passar para a “populaça” é óbvia: os sagrados valores da ordem burguesa são inquestionáveis, mesmo quando impostos, em desespero, com recurso à força das armas. Assim foi e assim será agora para conter, se necessário, o descontentamento dos trabalhadores com a crise que os fazem pagar.”
De facto, isto cai que nem ginjas na altura em que o governo do capital e do grande patronato defronta o repúdio de alguns sectores populares e uma crescente contestação laboral e social, só contida pelas costumeiras peias reformistas.
Sinal da “maturidade da nossa democracia” ou, por outras palavras, da impotência e rendição total da esquerda parlamentar – e descontada a bravata de Vasco Lourenço de não comparecer às cerimónias do 25 de Abril – a única reacção política pública foi a do PCP, por  meio de um comunicado de imprensa que pouco mais faz que “as honras da casa” classificando a promoção “não só uma medida imprevidente e injustificada, mas uma afronta ao projecto libertador de Abril e aos que para ele deram uma contribuição”. De imediato o major–general contra-atacou puxando dos seus novos galões: “Quem é que em 1975 pôs o PCP na ordem? Quem é que travou o PCP? Quem é que os obrigou a encolherem-se? É natural que eles não gostem de mim, eu também não tenho simpatia por eles. Mas tenho uma coisa a dizer: os cães ladram, a caravana passa”.
A boçalidade caceteira de Jaime Neves não esmoreceu com o tempo e merecia mais e melhor reacção. Mais um alento a chamar a vanguarda política mais lúcida e consequente para a urgente e imensa batalha que temos pela frente. 
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