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O fio condutor da luta anticapitalista
O governo, consequente com a sua velha política de servir o capital e estar sempre contra os trabalhadores, apresentou um Orçamento de Estado que faz recair sobre estes todo o peso da crise
José Borralho | Para Kaos en la Red | 28-2-2010 a las 19:05 | 791 lecturas
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O governo socialista, consequente com a sua política de longos  anos ao serviço do capital e dos seus  próprios interesses, burgueses  até à medula, e sempre contra os trabalhadores,  apresentou o Orçamento Geral do Estado que, como já era previsível, faz recair sobre os trabalhadores  todo o peso da crise.

Resumindo a grande linha de orientação do novo orçamento  (aprovado por PS/PSD/CDS), diremos que,  para Sócrates, os fins justificam os meios, sendo que os fins são a salvação dos burgueses, e os meios  são os salários miseráveis,  o uso da mão-de-obra barata  e o desemprego,  a caminho de um futuro cada vez mais medíocre e angustiante.

A receita não é original. É tão velha como o próprio capitalismo, e é comum a todos.  Desde Obama a Sócrates, passando por Merkel ou Zapatero, todos assumem as orientações do FMI e do Banco Mundial: refazer o poderio  da banca  e repor a taxa de lucro, salvar o  "mundo livre", manter a exploração.

Se  há uma evidência que sobressai da crise capitalista, essa é sem dúvida a de que  o poder burguês  já não  consegue governar como dantes, isto é, acabou-se a demagogia do Estado social. A crise e a sua superação  são agora a desculpa para o desemprego, o congelamento salarial e a precariedade que recai sobre os trabalhadores — da mesma forma que as empresas são poupadas a despesas e lhes são atribuídos benesses financeiras, evitando os aumentos de impostos — e a redução do défice, que atinge 9,3%,  e da  dívida pública,  que soma 86,5% do PIB,  à custa da miséria do povo — é este o fio condutor do ataque  anti-operário  capitalista.

E qual é o fio condutor anticapitalista da luta dos trabalhadores?

Saudamos a disponibilidade demonstrada pela CGTP para, através da luta, defender os direitos dos trabalhadores. Todas as lutas parciais a convergir para uma grande acção de massas de nível nacional,  que quanto a nós,  deveria ser uma manifestação  de todos os sectores profissionais,  seguida de uma greve geral nacional, com objectivos muitoclaros:

1º Aumentos salariais iguais para todos os trabalhadores  de forma a repor o poder de compra  perdido.

2º Trabalhador despedido, subsídio garantido enquanto não obtiver novo posto de trabalho  (com encargos a suportar de forma igual pelos patrões e pela Segurança Social).

3º Aplicação de aumento de impostos à banca  (igual ao que pagam as pequenas empresas)  e taxação das mais-valias ganhas na Bolsa,  e aplicação de taxas sobre as grandes fortunas.

4º Fim das privatizações.

Se este  programa mínimo fosse assumido pela CGTP, seguramente que a luta dos trabalhadores seguiria o rumo anticapitalista e a combatividade operária ressuscitaria.

Mas lá vêm as preocupações de Jerónimo de Sousa lembrar, no seu discurso em Tomar, que;  "o desemprego, que atinge já 700 mil trabalhadores, "constitui um grave problema económico e social que não afecta apenas aqueles que ficam nesta dramática situação, mas o conjunto da nossa vida colectiva: os actuais 700 mil desempregados poderiam estar a produzir uma riqueza anual de 20 mil milhões de euros."

Assim, não vamos lá. Porque este ponto de vista da defesa da economia nacional envenena toda a luta dos trabalhadores, a luta imediata  e muito mais a luta anti-sistema.  O alvo da nossa luta, o fim do sistema capitalista, pode estar distante, mas temos de caminhar e disparar contra ele e não fazer pontaria ao lado. Não cabe aos explorados assumir as preocupações e os interesses dos seus exploradores.

Diríamos que o fio condutor da luta anticapitalista passa pela clara demarcação entre a linha reformista e a  linha revolucionária, no decurso da luta contra o capital.

Apelamos aos sindicalistas combativos das diversas tendências que façam seu este programa de luta, com a certeza de que é o começo do caminho da luta vitoriosa dos trabalhadores contra a exploração e o próprio sistema capitalista.

 
 
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