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Eu também lanço cousas
Eu sou bastante torpe e nom tenho jeito nengum ao correr, por isso nos protestos quando carrega a polícia procuro ficar ao final, confundir-me entre a gente que mira...
Patricia A. Janeiro | 26-9-2009 a las 1:25 | 542 lecturas
www.kaosenlared.net/noticia/eu-tambem-lanco-cousas
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... ou mesmo disimular diante dum escaparate, para ter algumha oportunidade de fugir, porque para além de torpe também sou cobarde. Lançar lanço berros e consignas, mas nom lanço botelhas porque nom me quadra, de lançá-las penso que me rebotariam num pé porque, o dito, nom sou mui habilidosa.

Do meu esconderijo estudo a situaçom, vejo passar por diante de mim gente correndo e berrando, e reparo em todo o que acontece. Poucas vezes o que acontece tem a ver com o que me contam os meios de comunicaçom quando volto a casa.

A imprensa séria chama vándalos e radicais, como pouco, aos moços que supostamente lançam botelhas para defender a sua língua, e se eu nom estivesse olhando todo do meu esconderijo perguntaria-me que caralho tem a ver a língua com as botelhas, mas asistim em silêncio ao espectáculo e sei que as botelhas nom sou para defender a língua, mas para defender a sua integridade física dos ataques das forças de seguridade às que nengum jornal chama violentas.

As notícias dim que um velho indefeso foi malhado polos manifestantes, é indigno, há que ser desalmado para bater num velho... o que nom mostram as notícias som as outras imagens, as do velho indefeso e falangista asaltando a golpe de guarda-chuva a um moço desarmado, e as forças da ordem, como nom som violentas, deixando-o fazer.

Na rádio concedem umha entrevista aos polícias torturadores de Barcelona, e o representante do sindicato da polícia explica o que já todos sabemos, que os delinqüentes o primeiro que fam ao sair da comisaria é presentar umha denúncia falsa por máus tratos, e daquela, claro, máu será que algumha nom cole. A presentadora asinte, emocionada face um testemunho tam comovedor.

Os meios galegos explicam polo miúdo que trás dos violentos obreiros do metal estám os malvados sindicalistas, que manipulam mais dum milheiro de operários ao seu gosto. Quem se vai pôr da sua parte, se rebentam escaparates e paralisam umha cidade inteira para protestar por umha miserável suba de 6%, como aguardam que os apoie alguém se lhe lançam foguetes à imprensa imparcial que cobre as mobilizaçons pegadinha à polícia.

Eu vejo todo isto e calo, porque calada passo inadvertida. Mas há gente à que nom lhe importa opinar, cidadans comprometidos que exercem sem complexos o seu direito de expressom, e nos foros de internet, cartas ao director dos jornais, nos inquéritos que fam as televisons pola rua, exponhem o seu ponto de vista: estamos em contra da violência. Da violência dumha pequena parte de indivíduos (eis os quatro violentos de sempre que fastidiam todas as manifestaçons lindas e democráticas) exercida nom contra a cidadania, senom contra dos que pagam. Porque da violência organizada que quer aniquilar a nossa língua, da violência do manifestante falangista, da violência dos corpos e forças de seguridade do Estado e a da patronal do metal, dessa ninguém fala. O convocante dumha manifestaçom na que nom se lançam botelhas, senom consignas a pro da língua, declara face os meios que de saber quem som os culpáveis de pintar os caixeiros de laranja ele mesmo os denunciaria face a polícia, os manifestanttes demícratas e cívicos nom se escondem, coma mim, só se retiram a um lado para deixar em evidência aos vándalos, para se distinguir deles. E como acontece no poema de Bretch, ninguém lhe chama violenta à polícia que “se viu obrigada a carregar”.

E, cousas da vida, nom é a polícia, nem os meios, nem a patronal exploradora a que me fai sair por fim do meu esconderijo. Os que me fam posicionar-me com decisom a favor de quem lança cousas som os demócratas, o convocante da manifestaçom metido a confidente e os centos de cidadans indignados que se afastam dos violentos e deixam um corredor para que as forças de seguridade podam chegar até eles no caso de “se ver obrigadas a carregar”.

Essas atitudes, hipócritas e servís, som as que me motivam, as que me fam dar um passo adiante e dizer, torpe e cobarde como som, que eu também lanço cousas.
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