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Escola discrimina comunidade cigana de Barqueiros
Em nome da integração positiva, alunos ciganos são separados e colados em contentores, para terem aulas.
SOS Racismo | Para Kaos en la Red | 18-3-2009 a las 12:06 | 1177 lecturas | 2 comentarios
www.kaosenlared.net/noticia/escola-discrimina-comunidade-cigana-barqueiros
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Após ouvir a comunidade cigana, um representante da Junta de Freguesia de Barqueiros e ter tentado falar sem sucesso com responsáveis da escola EB1 Lagoa Negra e Agrupamento Abel Varzim, sobre o caso dos alunos ciganos que estão a ter aulas num regime especial, o SOS RACISMO quer manifestar:

- a sua solidariedade com a comunidade cigana de Barqueiros e fazer sua a indignação da mesma relativamente ao caso em questão.

- repudiar este acto discriminatório disfarçado de “projecto de integração”.

Manifestamos assim o nosso repúdio pelo sucedido, uma vez que, por definição, nunca pode ser entendido por “integração” separar 17 alunos de etnia cigana dos não ciganos, dando-lhes aulas separadamente. Pelo contrário, trata-se, por definição, de “discriminação”.

O que aqui aconteceu foi a realização de um projecto bastante infeliz, imposto sem o consentimento dos alunos e dos pais, que separa ciganos de não ciganos, o que nos parece ter um carácter paternalista bastante grave. Além do mais, refira-se que alguns alunos foram retirados do ensino normal para ingressarem neste programa o que, a ser assim, torna mais grave a situação. 

Parece-nos que se partiu do princípio de que na freguesia havia um grupo de alunos ciganos que necessitavam de ser ensinados a portarem-se bem e ter atenção especial. É com esse tipo de discriminação que não podemos compactuar, com essa arrogância – muitas vezes mascarada de bondade – que defende que é na “nossa” cultura estão os verdadeiros valores. Actuando assim estamos a partir do princípio de que as outras culturas não têm valores, que os que são diferentes tem de se sujeitar ao que nós pensamos, quando o diálogo inter-cultural e a integração passam precisamente por saber avaliar em conjunto os lados positivos e negativos de todas as culturas que conformam a nossa sociedade.

Neste sentido, criticamos sobretudo a ineficácia e a falta de vontade política no que diz respeito à questão dos mediadores sócio-culturais. Estando esclarecido o papel importante e determinante para aproximar as diferentes comunidades escolares, exigimos respostas quanto à lamentável situação em que se encontram os mesmos, quer dizer sem trabalho e à espera da resolução de infinitos problemas burocráticos que impedem a homologação desta carreira. Achamos que o diálogo tem sempre dois lados e não só um, como parece ser aqui o caso.

Assim, esta escola não nos parece estar a dar um exemplo de ser um lugar de sã convivência, onde todos aprendam a conviver com a diferença. Além do mais questionamos assim a pedagogia do projecto, que efeitos terá por segregacionar, que responsabilidade é esta de colocar alunos com idades tão díspares na mesma turma? Será que é assim que se combate o abandono escolar, ou será a escola que abandona os alunos dos seus ideiais integradores?

Nesse sentido lamentamos profundamente todas as desculpas e o silêncio emitido por todos os responsáveis do projecto, quer da escola EB1 Lagoa Negra, quer do Agrupamento Abel Varzim.

Questionamos também a responsabilidade da DREN, pelo seu papel óbvio neste processo e pedimos esclarecimentos públicos.

Perguntamos também onde está o ACIDI, questionando o seu papel e o papel estatal das campanhas ocas contra o racismo que acabam em episódios tristes e lamentáveis como este; episódios que se repetem diariamente e são o espelho da diária e constante discriminação a que a comunidade cigana é sujeita. Rara é a pessoa ou instituição que trabalhou com ciganos no sentido de satisfazer as suas necessidades, senão que assistimos a uma tentativa de assimilação, de “correcção cultural” dos comportamentos deste grupo de cidadãos, o que achamos intolerável e causador de graves problemas estruturais na nossa sociedade.

Finalmente reivindicamos o desejo que nos foi transmitido directamente por pais dos alunos envolvidos neste caso, o seu regresso imediato às aulas normais, por precisamente não se tratarem de crianças anormais.

17 de Março de 2009

 
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Comentarios (2)

#2

JS|19-03-2009 00:49

Tenho realmente pena que esteja tão mal informado em respeito a este assunto.

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#3

antónio|19-03-2009 15:20

Só me resta uma palavra para a vossa noticia, hipocrisia.

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