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Entrevista com a juventude bretoa: "44=Breizh é fruto da incorporaçom à luita dumha nova geraçom de militantes"
Com motivo da campanha de solidariedade do colectivo bretom 44=Breizh, oferecemos-vos umha interesante entrevista para contribuir a difussom na Galiza da luita nacional bretona.
BRIGA | Para Kaos. Galiza | 24-6-2009 a las 1:49 | 917 lecturas
www.kaosenlared.net/noticia/entrevista-com-juventude-bretoa-44breizh-fruto-da-incorporacom-luita-d
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BRIGA. Na Galiza gostávamos muito de que nos ofereceras um pequeno repasso sobre a luita bretoa pola sua libertaçom nacional.

Vai ser difícil fazer um resumo em poucas linhas. Desde a sua origem, o Estado francês nom reconhece a existência de outros povos sobre o seu território, como tampouco há um reconhecimento oficial das nossas línguas e da sua existência. A República francesa ainda se nega a ratificar a Carta Europeia de Línguas Regionais e Minoritarias, para pôr um exemplo. Por outra parte, o processo de regionalizaçom do Estado francês responde a umha finalidade administrativa, nom corresponde, portanto, às aspiraçons democráticas e políticas da populaçom. Neste contexto de forte centralizaçom é que se situa a reivindicaçom nacional bretoa, decerto ignorada e criminalizada polo Estado francês. Lembremos que o Estado francês é o último Estado da Europa que possui colónias como a Guaiana, Taiti ou Kanay.

Desde os anos 80, o movimento independentista bretom sofocou-se, entre outras muitas razons, a causa das falsas esperanças originadas com a chegada ao poder do Partido Socialista Francês. A finais de 1990 houvo um verdadeiro acordar nacional no seio da populaçom Bretoa, que voltava a esperançar-se e a esquerda independentista tornava-se cada vez mais importante. Em 2000, a acçom contra um MacDonald em Quévert, em que faleceu umha mulher, chocou a muitos bretons e bretoas; os meios de comunicaçom e o Estado assinalárom e responsabilizárom o Exército Revolucionário Bretom e mais amplamente o movimento independentista. Seguírom-se anos de criminalizaçom, repressom e prisom para vários militantes julgados por um tribunal especial. Evidentemente, esta onda de repressom prejudicou a esquerda independentista mas, apesar de todo, observamos desde há alguns anos a emergência dumha nova geraçom independentista “post-quévert” motivada.

O sistema político e eleitoral francês dificulta a apariçom e consolidaçom de partidos representativos dumha única parte do território francês, ao tempo que nom há partido político algum que presente o mais mínimo interesse na Bretanha capaz de propor um destino nacional ao nosso pais. Desde o 2004 há “autonomistas” da UDB eleitos ao Conselho Regional da Bretanha administrativa que ocupam um escano na maioria da esquerda plural. Este partido regionalista-autonomista tem um fundo nacionalista, mas na sua táctica de aliança sistemática com a esquerda institucional francesa edulcorou o seu discurso e mostrou todos os seus limites, apesar das 200 candidatas e candidatos eleitos na Bretanha. Quanto ao Partido Bretom, estrútura democrata-cristá que emergiu em 2000, que tem a sua inspiraçom no PNB e conta com alguns representantes em certos “concelhos” onde figérom alianças com partidos de direita e os chamados “sem etiquetas”. Logo estaria a Emgann-La Gauche Independentista Bretoa, tocada fortemente pola repressom nestes últimos anos, apostou num periodo de reestruturaçom que concluiu nas últimas eleiçons municipais com alianças com a liga Comunista Revolucionária, onde conseguírom resultados interessantes. Estas três organizaçons som as principais organizaçons nacionalistas bretoas, mas também há que falar do SLB, Sindicato d@s Trabalhadoras/es de Bretanha, sindicato independentista pouco representativo por agora, devido a que só 5 sindicatos som autorizados e reconhecidos no Estado Francês.

B. Quando e porque nasce o colectivo 44 = Breizh?

Em 2005-2006, depois do processo do atentado de Quévert, umha nova geraçom de militantes começou a mover-se. No seio desta nova geraçom algumhas pessoas vinhérom estudar na Faculdade de Reno II e criárom umha secçom do SLB na universidade, entre as quais estivérom algumhas das que logo costituiriam 44=BREIZH. Nesta mesma época também se criou umha organizaçom da juventude que trabalhava pola oficialidade do Bretom com acçons simbólicas.

Em segundo lugar, Bretanha sofre umha particiçom territorial, na qual o País Nantés, chamado departamento do Loira-Atlántico, está sometido à administraçom da regiom “País do Loira”. Em 1955, o Estado francês propom criar “regions administrativas”, em 1972 a regiom do Pais do Loira era legalizada, sendo eleito o seu primeiro Conselho Regional em 1986. Esta partiçom é pois recente, desde entom as bretonas e os bretons luitam pola unidade territorial, particularmente através de umha associaçom que desempenha um papel de instituiçom “Bretagne Réunie” cuja luita agrupa nacionalistas e regionalistas. Mas isto nom satisfazia a juventude militante que a começos do 2008 nasce como um espaço de expressom destes/as jovens, assim pois nascia 44=BREIZH. Nom como oposiçom a “Bretagne Réunie” e sim muito mais como complemento, ficando completamente autónoma. Por outra parte, vários membros do nosso colectivo fam parte à vez parte dela, incluso ocupando um escano como membro do comité da administraçom.

B. Porque escolhestes o nome de 44=Breizh?

44 é o número do departamento do Loira-Atlántico. 44=BZT (BZT para BREIZH/BRETANHA) é a inscriçom pintada sobre as paredes pol@s militantes da Reunificaçom desde há décadas. Elegemos este nome para dar a conhecer e legitimar a acçom de resistência contra a partiçom que durante anos se expressou na sombra. Legitimando este modo de acçom, 44=BREIZH optou acçons originais que visibilizem toda a agitaçom da regiom do Pais do Loira.

O nosso fim é intervir sobre o tema da unidade territorial, pois a achamos imprescindível e prévia a qualquer evoluçom institucional da Bretanha e por que é um dos problemas presentes para a juventude nacionalistabretoa.

B. Há meses informavades-nos da detençom de 6 jovens do vosso colectivo, tu entre eles, acusados de estar implicados numha acçom que pretendia visibilizar a vontade popular de conseguir a reunificaçom territorial do Loire-Atlantique para a Bretanha. Como fôrom os factos e em que contexto tenhem lugar?

Na noite do 29 ao 30 de Dezembro seis companheir@s fôrom detid@s por lançarem ovos de alcatrám de hulla sobre o palácio do Conselho Regional Pais do Loira e Nantes. Com a acçom queriam visibilizar a nossa resposta na regiom País do Loira sobre o edificio que melhor simbolizava a partiçom da Bretanha. Durante 40 horas fômos detid@s e interrogad@s, como vedes, umha actuaçom desmedida para umhas simples pintagens. além do mais, o despregamento repressivo foi desproporcionado, particularmente com as pesquisas nos domicilios de maes e pais, sem que os polícias tivessem realmente nada que procurar.

Achamo-nos num beco sem saída, já que a regiom do Pais do Loira nom quer falar do problema e, segundo a lei, para que seja organizado um referendum ou que os limítes regionais mudem precisa-se do beneplácito do Pais do Loira, que se nega e tentando impor silêncio sobre a reivindicaçom da unidade territorial.

B. A repressom é umha companheira de viagem para qualquer jovem independentista e revolucionári@ de umha naçom sem estado, como a vive o vosso colectivo?

O momento que representa sem dúvida a origem da criaçom do nosso colectivo é o processo a três companheiros de Sant Nazaire em outubro de 2007. Fôrom julgados por pintar placas da rua e umha estatua do criador do País do Loira, Olivier Guichard. Nessa altura foram multados a pagar umha quantidade de 500 euros, mas com a chegada de Sarkozy ao poder a repressom acentuou-se como vemos particularmente com o julgamento d@s 6.

Desde há alguns meses as acçons de 44=BREIZH som cada vez mais conhecidas entre a populaçom e um número cada vez maior apoia-nos, mas é inegável que a repressom aumenta. Desde começos de ano, fum interrogado três vezes pola polícia com motivo da campanha em solidariedade com @s 6, tentando assim assediar com a escusa de que também em Novembro de 2008 fora retido em pleno dia junto a outro militante por fotografar umha pintada pró-reunificaçom cujo julgamento se realizou a 16 de junho. Também recentemente, depois dumha manifestaçom anti-repressiva unitária em Nantes, a polícia voltou a reter-me junto a outro companheiro, enquanto éramos umha vintena de militantes os que estavamos na esplanada dum cafe. Os factos demonstram claramente que a detençom foi arbitrária. Seremos julgados no dia 14 de Outubro por rebeliom, mais um pretexto para perseguir gratuitamente os militantes e prejudicar o nosso movimento.

Efectivamente, podemos dizer que a repressom é umha companheira de viagem para @s militantes de 44=BREIZH mas afortunadamente podemos contar com a solidariedade de SKOAZELL VREIZH, associaçom que desde o 1969 sustenta jurídica e financeiramente os e as militantes bretons e bretoas perseguidas por actos de resistência contra a opressom do Estado Francês.

B. A 12 de Fevereiro tivo lugar o julgamento d@s 6 jovens, qual foi a sentença?

As e os 6 militantes de entre 18 e 22 anos fôrom condenados a 30.000 euros de indemnizaçom, 100 horas de Trabalho de Interesse Geral cada um e cada umha, e a dous meses de prisom com prorrogaçom. Algo desproporcionado particularmente se for comparado com o julgamento em 2007 aos de Saint-Naizaire e também quando se sabe que um grande número de personalidades testimunhárom ao seu favor, como o emblemático cantante bretom Gil Servat. A regiom País do Loira pede umha quantidade enorme para jovens com poucos recursos, os advogados acudirám a julgamento e recurrirám a Reno (ainda nom conhecemos a data)

B. Para concluir, que actividades e campanhas estades a desenvolver na actualidade?

A partiçom territorial implica umha discriminaçom entre bretons e das bretoas, particularmente a nível cultural, mas tem também outros efeitos, por exemplo, as pessoas nascidas no País do Loira podem aceder a um cartom que permite a jovens de entre 12 a 25 anos ir a todas as regions limítrofes, exepto à regiom da Bretanha. Do mesmo jeito, Bretanha, terra de festivais musicais bem conhecidos, onde a juventude bretona se reúne neles regularmente, pois bem, existe umha tarifa preferente para todos os bretons e bretoas para acudirem a vários destes festivais, excepto aos do Loira-Atlántico. Agora estamos lançando umha campanha para a igualdade arancelária entre todas as bretoas e bretons, interpelando o Conselho Regional de Bretanha.

De resto, intervimos regularmente para acontecimentos pontuais e sobretodo a actividade de agitaçom da regiom País do Loira, mas é evidente que a nossa actividade este ano gira arredor da denúncia da repressom. Tendo em conta que existimos somente há pouco mais dum ano, devemos organizar campanhas de solidariedade para os 4 processos que directamente nos tocam (os 6 em Fevereiro, o chamamento deste julgamento, o processo do 16 de Junho e o do 14 de Outubro) e ainda nom acabou o ano!

http://www.briga-galiza.org/principal.php?pag=ler&id=712
 
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