A consternação aumentou porquanto aconselhou as FARC a soltar incondicionalmente os prisioneiros de guerra, abandonar a luta armada e a negociar sob a égide da OEA, porque “a guerra de guerrilhas na América Latina e no Caribe já passou à história” e neste momento só serviria de pretexto para agressões do império aos países vizinhos da região, tomados por “terroristas e protectores do terrorismo”.
Estas declarações de Chávez foram de imediato criticadas pela intelectualidade marxista como um tiro nas costas das FARC, já de si tão sangradas, desde Janeiro de 2008, pelo assassinato à bomba de Raul Reyes, no Equador, e pela morte do seu histórico comandante-chefe Manuel Marulanda, em Maio. E a situação assumiu maior gravidade quando, a 2 de Julho, o presidente narcotraficante Uribe, jogando na fragilidade e desmoralização dos combatentes revolucionários, pôde exibir triunfantemente a ex-candidata presidencial e senadora liberal-uribista Ingrid Bettancourt, mais três agentes norte-americanos da DEA e 11 prisioneiros de guerra, como resultado de uma “brilhante operação de resgate do exército colombiano”, quando na verdade a ‘operação’ consistiu na fuga destes prisioneiros das FARC, proporcionada pela traição dos dois responsáveis pelo acampamento guerrilheiro onde estavam.
Bettancourt, uma vez em liberdade, não regateou encómios à ditadura e desencadeou uma campanha “humanitária” pela libertação de todos os prisioneiros de guerra em poder das FARC, silenciando obviamente a situação dos guerrilheiros nos cárceres do governo.
Para agravar todo este estado de coisas adverso à guerrilha revolucionária colombiana, Fidel Castro juntou-se também, a 5 de Julho, ao argumentário chavista, celebrando a “libertação” de Bettancourt e admoestando as FARC no site oficial Cubadebate: "Civis nunca deveriam ser sequestrados, nem militares deveriam ser mantidos como prisioneiros nas condições da selva. Foram factos objectivamente cruéis. Nenhum propósito revolucionário justifica isto". Aliás, estas declarações retomam outra intervenção sua, feita em 1994 no Fórum de São Paulo, em Havana, de que a via da luta armada estaria encerrada na América Latina.
Estas palavras do “comandante”, de tão recuadas, viriam a ser também objecto de críticas mais ou menos contundentes nos meios marxistas internacionais e não só, pois foram inclusive criticadas por Armando Hart Dávalos, membro do comité central do PCC, da assembleia nacional e do conselho de estado cubano, que afirmou em resposta a Fidel que ele “esqueceu-se de que os guerrilheiros que dirigia fizeram o mesmo com o piloto de automóveis argentino Fangio e com 11 técnicos norte-americanos durante a guerra revolucionária” contra o regime de Batista, em 1958.  
CONCILIAÇÃO E JOGOS DE INTERESSES
Quanto a nós, estas posições nada internacionalistas de Chávez e Fidel inserem-se num quadro de conciliação de interesses das suas burguesias nacionais com a prudência dos governos de centro-esquerda da UNASUL (onde, além de Lula da Silva também pontificam o boliviano Evo Morales, o equatoriano Rafael Correa e a argentina Cristina Kirchner), na mira da crescente agressividade dos vizinhos Estados Unidos.
Elas reflectem as próprias contradições do poder venezuelano e principalmente a evolução do regime cubano pós-Fidel, que não navega num mar de rosas. De facto, com a implosão da URSS e do bloco de Leste e consequente contracção do mercado de exportação, e sobretudo com o agravamento do bloqueio à ilha rebelde, imposto pelos EUA, a liderança cubana reagiu, no início dos anos 90, através da introdução e legalização cambial do dólar norte-americano. Esta medida, ao invés de reduzir a importância da já existente economia paralela, animada pela circulação mais ou menos clandestina do "dólar-turista", resultou numa desvalorização ainda maior do peso e, mais grave, introduziu uma significativa fractura social entre os que têm acesso ao "dólar USA" e os que não têm. Neste último caso está um importante segmento da comunidade afro-cubana, com um padrão de consumo e acesso a determinados bens nitidamente mais fraco, a somar a uma certa juventude, a quem já não satisfazem as referências revolucionárias do Estado e modelo de sociedade.
A jogar em todas as frentes, e também com estas contradições, está a astuta administração Obama que, uma vez empossada em Novembro, logo sugeriu negociações directas com Raul Castro, com vista a aliviar o bloqueio, mas, claro, com condições prévias a que chamou "sinais de maior abertura do regime" e uma maior e mais "progressiva transição 'democrática'". No entanto, anunciou recentemente, a par da expansão da presença militar na área, o prolongamento do embargo por mais um ano, numa estratégia de pau e cenoura que apresenta perigos reais, a ter em conta não só pelos actuais dirigentes cubanos, mas por todos os países progressistas do subcontinente e pela opinião pública democrática em todo o mundo.
Entretanto, e a despeito destes jogos de interesses e escolhos reais, a via armada protagonizada pelas FARC e ELN continuará seguindo o seu próprio caminho, que é o da insurreição predominantemente campesina contra uma oligarquia das mais ferozes e corruptas de todo o continente americano, em pleno século XXI.
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#1
26-10-2009 23:20
Veo cojonudo que colguéis articulos en galego, en catalan o euskera...pero no seais mamones y ponedlo en castellano también, o dar la opción al menos de verlo en castellano...no por nada, sino por facilitar la comunicación con todo el mundo, que creo que es de lo que se trata. un saludo
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#2.- con el nº 1, el cantonalismo es a veces así de sectario.
26-10-2009 23:26
Eso lo he comentando varias veces, pero que va, no quieren, me quedaré sin saber exactamente que es lo que dice, el artículo me parece interesante, me pregunto si en américa, salvo los brasileños y  portugueses, entenderán lo que dice en su contenido.
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#3
Rantamplán|27-10-2009 01:01
Igual que no costaría poner un traductor automático, tampoco costaría buscar en google (que sale en la primera entrada) un traductor. ¿No ponerlo en castellano es sectario? ¿por qué? ¿consideras una lengua más adecuada el castellano? ¿por qué? en fin......ahora vendrá el rollo de que la hablan 400 millones..sin saber si el autor quiere hacérselo llegar a simplemente lo quiere escribir en su lengua sin más, con todo el derecho del mundo.
Firmado: Un madrileño
Aquí teneis un traductor majetes:
  http://opentrad.imaxin.com/
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#4.- ¿Quién determina la vigencia de la lucha armada?
Mundo Iribarren|27-10-2009 01:40
Ante todo quiero solidarizarme con el amigo del primer comentario,caramaba pero que publiquen también en castellano. Sobre todo un trabajo tan importante como este, que mal que bien haciendo un esfuerzo he podido comprender es una crítica a la forma bastante  a la ligera en que el Comandante Chávez osa determinarle a las FARC, un verdadero ejército insurgente formado en medio siglo de luchas, de la forma más dura del pueblo colombiano, lo que deben hacer. Llegando al extremo de acusarlos de hacerle el juego al imperialismo. Y lo más arrecho es que Fidel le siguió la cuerda. Por lo que pude entender del gallego, dice que Armando Hart, asaltante del Moncada, lider histórico de la revolución cubana le respondió al Comandante en Jefe. No sé si él lo hizo también pero su hija Celia Hart Santamaría produjo una inmediata, contundente y revolucionaria respuesta, con ese verbo diáfano y verdadero que la caracterizaba, tanto a Chávez como al propio Fidel y de paso Correa también llevó lo suyo. En esa sección que Kaos en la red tiene dedicada a Celia, con la publicación de su trabajos, pude observar que falta presisamente ese artículo de alegato revolucionario a favor de las FARC. Yo lo tengo en mis archivos si les interesa concerlo, el problema es que hasta ahora me ha sido imposible hacerles llegar nada como no sea por esta vía de los comentarios a los artículos.
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#5.- Nº 3, este es el resultado de tu recomendación, ¡grrr...!
27-10-2009 11:30
Gallego: Foi com estranheza, perplexidade e desconforto que a opinião pública de esquerda, por esse mundo fora, recebeu a condenação pública por Hugo Chávez da luta armada na Colômbia, no Verão do ano passado.
Español: Fue com estranheza, perplejidad y desconforto que la opinião pública de izquierda, por esse mundo había sido, recebeu la condenação pública por Hugo Chávez de la luta armada en la Colômbia, en el Verão del año passado.
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#6.- Cuba y Venezuela eslabones débiles del imperialismo.
27-10-2009 11:35
Haber si nos aclaramos, lo que hay en Cuba y en Venezuela es  el derecho que tienes esos paises en decidir su camino independiente de desarrollo, ahí los dirige una fracción de las burguesías nacionales con una importante base social de la gran mayoría consciente  de la población, en su causa justa por la independencia y soberanía  de cualquier dominio externo.
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#7.- Onde está o artigo de Armando Hart Dávalos referido
Paulo Jorge Ambrósio|31-10-2009 16:44
"Por lo que pude entender del gallego, dice que Armando Hart, asaltante del Moncada, lider histórico de la revolución cubana le respondió al Comandante en Jefe. No sé si él lo hizo (...)"  Mundo Iribarren: pode ler  o artigo de Armando Hart Dávalos, "El secuestro de Fangio"  em http://www.resumenlatinoamericano.org/index.php?option=com_content&
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#8.- las Farc
01-11-2009 20:37
son una mafia que asesina indigenas y gente de todo tipo
que os asesinen a vosotros
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