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Brasil:Correios- 0,1% de reajuste salarial
O acordo bianual, assinado contra a vontade dos trabalhadores pelos sindicalistas traidores, a mando da direção dos Correios, provocou o aumento de 0,1% recebido este ano pelos trabalhadores
Causa Operária | 1-9-2010 a las 11:59 | 740 lecturas
www.kaosenlared.net/noticia/brasil-correios-0-1-reajuste-salarial
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Os trabalhadores dos Correios tiveram conhecimento, na semana que passou, do seu contracheque e do aumento dado pela empresa: 0,1% de reajuste, ou seja, R$ 0,80! Esse valor irrisório para a categoria é o resultado direto do acordo bianual, assinado contra a vontade dos trabalhadores durante a campanha salarial de 2009.

A direção da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) foi a autora dessa proposta de acordo, que visava a deixar os trabalhadores sem campanha salarial em 2010. O acordo veio no momento em que o governo apresentava o projeto de transformação da ECT em Correios do Brasil S.A. Um Grupo de Trabalho Interministerial, formado, entre outros ministérios, pelo das Comunicações e o da Casa Civil, comandados respectivamente por Dilma Rousseff (PT) e Hélio Costa (PMDB), foi o responsável pelo projeto.

A intenção do governo e da direção da empresa era colocar em prática a privatização em 2010. Para isso, precisavam neutralizar ao máximo a luta da categoria, para impedir a resistência dos trabalhadores contra a entrega da ECT aos capitalistas internacionais.

Para garantir a aprovação da proposta, a direção da ECT contou com a ajuda dos sindicalistas que formavam a maioria da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios) e grande parte dos sindicatos em nível nacional. Esses sindicalistas do PT e do PCdoB passaram por cima de toda a categoria para aprovar o acordo bianual.

A empresa utilizou ainda outros artifícios: interveio diretamente nos sindicatos da categoria, como foram os escandalosos casos de Mato Grosso e Tocantins, o­nde ocorreram assembléias organizadas por chefes, sem a presença de trabalhadores e a portas fechadas dentro da empresa.

O acordo bianual foi o marco de uma crise sem precedentes na burocracia sindical dos Correios. A ampla rejeição da categoria resultou em um racha dentro da burocracia. Uma parte dela foi pressionada pela categoria a tomar a posição contrária ao acordo e se aproximar das posições revolucionárias da Corrente Ecetistas em Luta, formada por militantes e simpatizantes do PCO. Formou-se, assim, a Frente dos 17 sindicatos contrários ao acordo bianual e à privatização.

De lá para cá, o bloco traidor vem sofrendo significativas derrotas. A maior delas foi na ocasião do 29º Conrep (Conselho de Representantes da Fentect), em que o bloco traidor, em minoria de delegados, foi obrigado a chamar a polícia para impedir que a oposição saísse vitoriosa, o que resultaria na derrota oficial do acordo bianual.

O aumento de 0,1%, resultante do acordo bianual, é mais uma etapa da crise dessa burocracia. Para os trabalhadores, já completamente insatisfeitos pela idéia de que não haveria campanha salarial justamente em ano eleitoral, a traição do acordo fica cada vez mais clara.

Se existia alguém que acreditava e que o acordo bianual pudesse ser uma vitória, como insiste em dizer a burocracia sindical do PT-PCdoB, o aumento de 0,1% acabou de derrubar qualquer ilusão.

O que está colocado para a categoria ainda mais claramente é a organização da campanha salarial. A vontade dos trabalhadores do Correios é essa em qualquer setor da empresa que se visite. Por isso, a Frente dos 17 sindicatos protocolou a pauta de reivindicações aprovada nas assembléias desses sindicatos.

Está aberta uma luta política entre os trabalhadores e a burocracia sindical, cada vez mais isolada. A tendência de luta da categoria está cada vez mais clara, contra os ataques da empresa. Cresce nos setores a insatisfação em relação à burocracia sindical, ao excesso de trabalho, à falta de funcionários.

É preciso defender claramente e de maneira firme a organização da campanha salarial esse ano, como única forma de resolver os problemas da categoria e de travar a luta contra a privatização da ECT. É preciso contrapor o 0,1% de aumento, resultante do fraudulento acordo bianual, aos 35% defendidos pela pauta de reivindicações aprovada pelos 17 sindicatos.

A direção da empresa e o governo preparam uma série de ataques contra os trabalhadores, como parte da privatização da ECT, como a contratação de milhares de terceirizados. Só a campanha salarial, que deve ser organizada nos sindicatos que já a aprovaram, mas também nos sindicatos dirigidos pelos traidores, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, é capaz de derrotar os ataques da empresa e passar por cima dos sindicalistas traidores.
Agravamento da crise imperialista

Na quarta-feira, dia 25, vários ataques deixaram mais de 60 pessoas mortas no Iraque. Diversas bombas foram detonadas, tendo como alvo principalmente esquadrões de polícia e edifícios das forças de segurança.

Esta instabilidade era previsível já que o anúncio de retirada das tropas de combate foi uma medida de crise do governo Obama para acalmar os ânimos da opinião pública internacional, principalmente a norte-americana.

No anúncio, os Estados Unidos declararam que iriam retirar definitivamente as tropas norte-americanas do Iraque. Ficariam no País “apenas” 50 mil soldados que teriam a função de mediadores do conflito e não mais de tropas de combate e policiamento.

Mas mesmo após o anúncio veio uma infinidade de declarações, até mesmo da alta cúpula do exército norte-americano de que a segurança do Iraque estaria seriamente abalada. Na realidade, o receio do imperialismo é a já certa desestabilização do regime político iraquiano. Uma pequena amostra disso foram os dois ataques que ocorreram no País na semana passada.

Estes atentados provam que o País está longe de ter um regime estável, de acordo com os interesses imperialistas na região.

A retirada das tropas norte-americanas é tão farsesca que foi anunciado pelo Departamento de Estado que o número de seguranças terceirizados, ou seja, os conhecidos mercenários de guerra, serão dobrados para garantir a vigilância de atividades civis no Iraque.

O número de soldados terceirizados vai chegar a pelo menos sete mil até o final deste ano. Tudo será bancado pelo dinheiro público norte-americano.

Segundo o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, PJ. Crowley, "Temos planos muito específicos para aumentar nossa segurança... conforme os militares forem partindo. Isso será caro, não é uma proposta barata," (Reuters, 19/8/2010).   

Justificou os mercenários dizendo que, "Ainda temos nossas próprias necessidades de segurança para assegurar que nossos diplomatas e especialistas em desenvolvimento estejam bem protegidos" (idem).

O que o governo norte-americano está fazendo no Iraque é uma substituição pura e simples dos soldados do exército pelos mercenários de empresas como a Blackwater.

A respeito desse descontrole dos mercenários Crowley tentou amenizar a situação, "Já tivemos questões trágicas envolvendo terceirizados no passado. Trabalhamos essa questão muito de perto com o governo iraquiano. Houve mudanças nos últimos anos para melhorar a supervisão e a responsabilidade dos terceirizados no Iraque" (idem).

E o bombardeio contra os Estados Unidos não é só no Iraque. Os recentes documentos secretos sobre a intervenção no Afeganistão, divulgados pela página de denúncias Wikileaks há algumas semanas continua.

Durante a última semana novos documentos foram divulgados, mostrando a organização da resistência afegã contra a presença norte-americana.

A divulgação dos documentos fez a crise atingir em cheio o governo norte-americano. O problema é tão grave para o imperialismo que, o editor da página do Wilileaks, o jornalista Julian Assange, foi acusado de estupro na Suécia. Uma manobra típica da burguesia e do imperialismo para perseguir aqueles que se colocam como um obstáculo à sua dominação.

A retirada das tropas norte-americanas no Iraque abre um novo período de crise no país do Oriente Médio. As tendências à divisão do país e a retomada da guerra civil tendem apenas a se aprofundar de agora em diante.

 

 

 
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