Os reformistas do G20, as maiores economias do mundo em crise, no Palácio de Buckinham ao lado da rainha Elizabeth II, da Inglaterra.Veja “o Cara”
Em janeiro passado, líderes políticos, intelectuais, “yuppies”, economistas e especialistas de variada “espécie” e origem se reuniram em Paris no simpósio “Novo mundo, novo capitalismo” co-presidida pelo anfitrião Sarkozy e o então ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. O objetivo foi discutir a crise financeira, avaliar o capitalismo e a globalização e explorar caminhos para reformar o sistema financeiro.
Precedeu e contribuiu para a Reunião do G20 de abril em Londres, com o propósito expresso dos seus promotores e intervenientes na apresentação de propostas para salvar o capitalismo. Colaboraram ainda nesta empreitada a chanceler alemã Angela Merkel, o director da OMC, Pascal Lamy e o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet., que concluíram: a saída da crise passará “Por uma nova arquitetura institucional e por uma reformulação do Capitalismo”.
Da nova arquitetura, é parte reforçar os mesmos FMI e Banco Mundial, que tiveram grande parcela de responsabilidade na atual crise
Vamos aos perfis dos três líderes políticos reformistas.
Tony Blair, preferiu destacar a necessidade de se proceder à reestruturação das organizações internacionais como o FMI ou o BM, produzidos em Bretton Woods na eminência da vitória dos aliados na II Grande Guerra, destacando, como argumento, o fato de vivermos no séc. XXI ainda com as instituições de meados do séc. XX.
Nicolas Sarkozy, moralista, com o argumento que os neoliberais vêm esgrimindo para explicar a crise, a falha moral dos “ economista de Wall Street” para reafirmar a validade do sistema capitalista que, segundo ele, necessita de ser “Reformado” com base na mudança de regras (desde logo mais regulação) e numa nova ética de valores, do trabalho ao espírito empreendedor. Para isso defende o regresso da intervenção do Estado empreendedor para “animar um capitalismo de empreendedores e não de gente que vive de rendas’”
Ângela Merkel, pragmática, para além de corroborar os aspectos anteriores, lançou a ideia de um "Conselho Econômico Mundial”, do mesmo tipo que o Conselho de Segurança da onU (com um papel diferente do Conselho Econômico e Social das NU), encarregado de fixar uma nova regulamentação dos mercados e adaptar a arquitetura institucional às necessidades e desafios do século XXI; e uma Carta Mundial "para uma economia sustentável a longo prazo", tal como a Carta da onU sobre os direitos humanos.
Depois da reunião do G20, a OCDE divulgou duas listas de países considerados paraísos fiscais: uma negra com quatro nações (Uruguai, Costa Rica, Malásia e Filipinas) e outra cinza com 38 países, entre eles Suíça, Liechtenstein e Chile.
O primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, chamou de "incompreensível" a inclusão de seu país em uma lista "cinza" de paraísos fiscais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE), divulgada depois da reunião do G20 em Londres,
Como se afirmou antes, mais que as intenções que agora começam a manifestar-se, o que irá determinar a profundidade desta pré-anunciada reconfiguração do capitalismo, será a dimensão da própria crise, sobretudo no que respeita aos seus efeitos sobre a economia real, pois de acordo com vozes insuspeitas de dentro do próprio sistema, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos :“o pior está ainda para vir”’.
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