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“Antes da dívida temos direitos!”
Entrevista a Carla Bolito e Tiago Gillot, trabalhadores precários e activistas
Kaos.Portugal | Para Kaos en la Red | 21-1-2010 a las 17:40 | 915 lecturas
www.kaosenlared.net/noticia/antes-da-divida-temos-direitos-1
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Qual é a vossa situação laboral?
– Não há direitos, mas há dívidas! – dizem Car­la Bolito e Tiago Gillot. – Não temos direito a sub­­sídio de Natal, de férias e de desemprego, obri­­gam-nos a pagar cerca de 160 euros por mês à Segurança Social e excluem a assistência aos tra­­balhadores a falso recibo verde. Se todos os precários tivessem contrato de trabalho, o mundo não seria perfeito, mas era mais justo!


Prossegue Carla Bolito:
– Por não ser celebrado o contrato de traba­lho, vemo-nos afastados de vários direitos bási­cos. Além dos subsídios, também estamos quase sem­pre impossibilitados de usufruir dos nossos di­reitos na doença ou parentalidade. Somos vítimas de uma das maiores fraudes sociais do país. Ilegal, Imposta, inaceitável, a vulgarização dos re­cibos verdes, o crescimento do negócio das empresas de trabalho temporário, a transformação dos trabalhadores em “colaboradores” sempre à mão e descartáveis.
– Existem 900 mil falsos recibos verdes, a de­­sempenhar funções permanentes, com horário, local de trabalho e hierarquia reconhecíveis, mas sem qualquer contrato ou reconhecimento de direitos – acrescenta Tiago Gillot.


Como é que vocês não são capazes de sair vito­riosos da vossa luta e materializar o con­trato de trabalho?
Carla Bolito – A luta tem sido dura, por vezes pe­nosa, mas não desistimos. Vai endurecer mais. É um processo lento e longo. Temos que reunir forças, dinâmicas e saberes capazes de enfrentar a actual conjuntura, até ao nível do Código de Tra­balho, que está ao jeito dos empregadores! Através da nossa coesão e persistên­cia e pela razão que nos assis­te, have­remos de inverter o actual­ es­tado de coi­sas que, além de insuportável, é perfeitamente vergonhoso, cruel e injusto! Rei­tero, reitero sempre: não have­mos de baixar os bra­ços! – responde.


Tiago Gillot – O movimento contra a precarie­dade instalada leva-nos a lançar também uma peti­ção à Assembleia da República pelo reconhecimento dos direitos relativos à Segurança Social dos trabalhadores a recibos verdes. A divulgação da petição aos órgãos de imprensa escrita e audiovisual, por razões de economicismo de quem de­tém os jornais e televisões e porque o que está em causa também os incomoda e lhes diz respeito, não correu como nós prevíamos, mas também não foi nada que não prevíssemos…

Os movimentos APRE! Activistas Precários, FERVE (Fartos d’Estes Recibos Verdes) e a Plata­forma dos Intermitentes do Espectáculo e do Au­diovisual e Precários Inflexíveis afirmam: “Antes da dívida temos direitos!”. Recolherão milhares de assinaturas – a enviar ao presidente da Assembleia da República – em torno de uma proposta inadiável que responda aos direitos destes traba­lhadores nas suas contribuições para a Segurança Social. A luta vai ser difícil, mas a vitória irá ser da justiça, razão e seriedade que nos assiste. Vence­remos!

 
 
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