“Há também um aumento na violação dos direitos humanos com relação ao aprofundamento de um modelo de desenvolvimento predatório. Um modelo de desenvolvimento, como por exemplo, do agronegócio ou de exploração do etanol que violam os direitos humanos.”
Para Ciconello, o aprofundamento da crise também significa o aprofundamento da pobreza no país. Entre as violações de direitos humanos mais comuns, ele destaca o desrespeito às comunidades ribeirinhas e a precarizacão das condições de trabalho no campo e na cidade.
MPF indicia fazendas de Dantas por desmatamento ilegal Nesta segunda-feira (1/6), o Ministério Público Federal indiciou 21 fazendas localizadas no Pará, por prática de desmatamento ilegal. A maioria das fazendas não possui licenciamento ambiental e são destinadas à criação de gado. Uma das propriedades ocupa terras indígenas.
Dez das fazendas indiciadas pertencem à Agropecuária Santa Bárbara, empresa do grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas. Dentre elas está a fazenda Espírito Santo, onde no mês de abril deste ano seguranças contratados pela agropecuária atiraram contra um grupo de Sem Terra, ferindo gravemente um trabalhador.
Outra fazenda pertencente ao grupo do banqueiro e indiciada é a Rio Tigre, conhecida por também figurar na lista suja do trabalho escravo. Em meados de julho de 2004, a propriedade, localizada em Santana do Araguaia (PA), recebeu a visita do grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que libertou 78 trabalhadores.
Ainda fazem parte da lista dos desmatadores fazendas da família paulista Quagliato e do grupo agropecuário Bertin.
“Lulismo de resultados”
Saiu o anúncio dos valores de custeio da safra agrícola de 2009-2010. E os números dão bem a medida das preferências e inclinações políticas do governo Lula. A safra 2009-2010 terá R$ 108 bilhões para financiamento, dos quais cerca de R$ 93 bilhões para o agronegócio e somente R$ 15 bilhões para a agricultura familiar.
A informação foi dada pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, ao deixar quinta-feira passada encontro com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para tratar sobre os números do plano safra do próximo biênio.
“Vamos ter um bom aumento em relação ao total do ano passado”, disse o ministro, ao lembrar que o setor recebeu R$ 78 bilhões para a safra 2008-2009. E agora está recebendo cerca de R$ 108 bilhões.
Na safra 2009/2010, os agricultores familiares terão R$ 15 bilhões para custeio e investimento. O valor foi anunciado na última quinta-feira por ministros e representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), participantes do movimento Grito da Terra Brasil. O montante a ser liberado é superior em comparação da safra passada, que foi de R$ 13 bilhões.
Os pequenos agricultores, que realizaram em Brasília a marcha do Grito da Terra Brasil, reivindicavam entretanto R$ 22 bilhões. No ano passado, embora tenham sido liberados R$ 13 bilhões, somente R$ 9 bilhões foram aplicados, segundo a Contag, por falhas na regularização de terras e registro das reservas legais. Segundo o ministro de Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, “os recursos são suficientes para o fluxo “tranquilo” da agricultura familiar.”
Ora, não é tão tranqüilo assim como afirma o ministro Cassel. Todos nós sabemos que cerca de 70% do alimento consumido pelos brasileiros tem como origem a agricultura camponesa e familiar. Entretanto, a política do governo federal de destinação de recursos para o plantio das culturas primárias do próximo biênio invertem a realidade conhecida: destinam 89% do custeio e investimento para o agronegócio e apenas 11% para os pequenos produtores agrícolas.
Esse é o retrato mais acabado do que chamamos aqui de “lulismo de resultados”.
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